A mineradora Aura Minerals (AURA33) apresentou resultados operacionais sequencialmente melhores no 4T25, com EBITDA de US$ 208 milhões, alta de 96% em relação ao trimestre anterior. Os resultados ficaram 4% abaixo da estimativa do Banco Safra de US$ 216 milhões, mas em linha com o consenso do mercado.
O guidance de 2026 veio em linha com as projeções do Safra para produção e custo caixa/GEO, enquanto o capex veio bem acima do esperado. Almas foi o destaque, com produção maior e custo caixa menor do que o projetado, enquanto Minosa foi o ponto fraco, apresentando tendência oposta.
Dito isso, com base no preço do ouro no trimestre até a data (US$ 4.865/oz) e assumindo demais fatores constantes, o EBITDA do 1T seria de US$ 280 milhões (+35% T/T).
Guidance de produção da aura Minerals (AURA33)
A Aura apresentou seu guidance de produção para 2026, definindo-o entre 290 mil e 330 mil GEO, em linha com projeção do Safra de 317 mil GEO para o ano. O guidance abaixo do esperado reflete principalmente números mais fracos em Aranzazu (-10% vs. Safra) e Minosa (-9% vs. Safra), além de uma rampa de produção mais lenta em Borborema, que mais do que compensou o desempenho melhor que o esperado em Apoena (+19% vs. Safra).
Guidance de custo caixa
O ponto médio do guidance de custo caixa para 2026, de US$ 1.195/GEO, fica 2% acima da estimativa do Safra de US$ 1.166/GEO. Aranzazu é o principal responsável pelo custo caixa acima do esperado (+15% vs Safra), devido a teores menores decorrentes do sequenciamento e aprofundamento da mina, o que mais do que compensou o guidance menor para Almas (-11% vs. Safra) e Apoena (-8% vs. Safra).
Guidance de capex
A Aura estima um capex de 2026 entre US$ 236 milhões e US$ 278 milhões, com o ponto médio muito acima da estimativa do Safra de US$ 121 milhões. Em termos A/A, o novo guidance implica aumento de 43%, devido principalmente ao maior capex de expansão — projeto subterrâneo e expansão da planta em Almas, desenvolvimento da fase 3 de Nosde em Apoena, obras iniciais em Era Dorada e o projeto de re-lixiviação em Minosa.
Além disso, o capex de exploração e sustentação também deve subir, refletindo um programa de exploração ampliado, a incorporação da MSG, o desenvolvimento de mina em Almas e um ano cheio de produção em Borborema.
Custo caixa
O custo caixa aumentou 3% T/T para US$ 1.143/GEO (8% acima da estimativa Safra), já que o custo caixa maior de US$ 1.450/GEO (+34% T/T) em Apoena, US$ 1.228/GEO em Aranzazu (+8% T/T) e a consolidação da MSG superaram o custo menor em Borborema (-17% T/T), Almas e Minosa.
Alocação de capital e dividendos
A Aura reportou FCF recorrente de US$ 94 milhões (~14% de yield anualizado), -4% vs. Safra, explicado por liberação de capital de giro muito menor e maiores perdas realizadas com hedge de ouro.
O capex reportado ficou em US$ 45,8 milhões no trimestre, com US$ 1,1 milhão destinado às obras em Era Dorada. A alavancagem (dívida líquida/EBITDA) chegou a 0.28x no 4T25, ante 0.15x no 3T25, devido à aquisição da MSG.
A Aura também aprovou o pagamento de US$ 55,1 milhões em dividendos (US$ 0,66/ação ordinária) com base nos resultados do 4T25.
Visão geral das operações
Os embarques totais no 4T25 foram 16% maiores A/A, atingindo 80,4 mil GEO, levemente abaixo da projeção do Safra de 82,1 mil GEO. Detalhando por operação, apenas Aranzazu e Minosa surpreenderam negativamente. Os preços realizados do ouro aumentaram 17% T/T e 57% A/A, alcançando US$ 4.056/oz.