O Assaí (ASAI3) prepara a entrada no segmento de farmácias dentro de suas lojas de atacarejo, em uma iniciativa voltada para aumentar a produtividade dos pontos comerciais e monetizar espaços subutilizados. Apesar da perspectiva operacional positiva, o Safra avalia que o projeto dificilmente mudará a tese de investimento da companhia no curto prazo.
A rede pretende iniciar a operação com um projeto piloto de 25 unidades em 2026 e estima potencial para expansão a até 250 lojas no futuro.
Assaí prepara operação própria de farmácias
O novo modelo prevê farmácias instaladas dentro ou fora da área principal de vendas das lojas de atacarejo.
Segundo o Safra, a operação deve funcionar com estruturas independentes para os negócios de varejo alimentar e farmacêutico, incluindo equipes separadas, CNPJs distintos e checkouts próprios.
As unidades devem ter área média de aproximadamente 125 metros quadrados, tamanho inferior ao padrão de grandes redes farmacêuticas, como RD Saúde (RADL3), cuja média gira em torno de 160 metros quadrados.
A proposta do Assaí é manter um sortimento semelhante ao de uma farmácia tradicional, mas adaptado ao perfil de consumo do público de atacarejo.
Projeto deve gerar impacto limitado nos resultados
Na avaliação do Safra, a iniciativa possui racional econômico positivo, mas deve adicionar escala limitada aos resultados consolidados do grupo.
No cenário-base traçado pelo banco, a operação de farmácias poderia gerar:
- Receita bruta de R$ 1,5 bilhão
- Receita líquida de R$ 1,3 bilhão
- EBITDA de R$ 133 milhões
- Lucro líquido de R$ 88 milhões
As projeções consideram um cenário em que 250 unidades já estariam operando em plena maturidade.
Mesmo assim, a contribuição representaria apenas 2,7% do EBITDA consolidado estimado do Assaí para 2027 e cerca de 7,1% do lucro líquido projetado para o período.
Segundo o Safra, os números indicam que a operação pode melhorar eficiência e ocupação das lojas, mas dificilmente justificaria uma reprecificação relevante das ações de forma isolada.
Modelo busca aproveitar espaços ociosos
Uma das principais premissas do projeto envolve o aproveitamento da estrutura já existente nas lojas do Assaí.
O Safra estima que cerca de 80% da área destinada às farmácias deve vir de espaços ociosos ou subutilizados dentro das unidades atuais.
Com isso, a companhia reduziria a necessidade de novos investimentos imobiliários e limitaria impactos sobre a receita do atacarejo.
O banco também considera que parte relevante dos custos de ocupação já está absorvida pela estrutura operacional existente.
Perfil de consumo deve diferir das redes tradicionais
A análise do Safra aponta que o comportamento de compra nas farmácias do Assaí deve ser diferente do observado nas grandes redes tradicionais.
A expectativa é de um perfil mais voltado para compras planejadas, com menor dependência de categorias ligadas à conveniência e produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.
Com base nessa dinâmica, o banco estima receita média mensal por farmácia de R$ 622 mil.
O valor permanece abaixo das médias projetadas para grandes varejistas do setor farmacêutico em 2025, como:
- RD Saúde: R$ 1,04 milhão
- Pague Menos (PGMN3): R$ 790 mil
- Panvel (PNVL3): R$ 750 mil
Ainda assim, o Safra projeta margem EBITDA de 9,1% para a operação e margem líquida próxima de 6%.
Iniciativa pode elevar produtividade das lojas
Apesar do impacto financeiro limitado, o Safra considera que o projeto pode trazer ganhos operacionais relevantes ao longo do tempo.
Além de ampliar o fluxo de consumidores, a estratégia pode elevar a produtividade das lojas e fortalecer o ecossistema de serviços oferecidos pelo Assaí.
Mesmo assim, o banco avalia que a iniciativa, sozinha, não deve alterar de forma significativa a percepção do mercado sobre o potencial de crescimento da companhia.