O Banco Safra atualizou suas estimativas para Assaí (ASAI3) e elevou o preço-alvo de 12 meses para R$ 10 por ação, ante R$ 9,40 anteriormente. Ainda assim, o banco manteve recomendação neutra para o papel.
A revisão incorpora novas premissas macroeconômicas, os resultados do primeiro trimestre de 2026, uma visão praticamente estável para o ressarcimento de créditos tributários entre 2026 e 2027 e uma postura mais conservadora para o crescimento das vendas nas mesmas lojas.
Na avaliação do banco, o papel ainda negocia em um nível exigente de valuation. Por isso, mesmo com alguns ajustes positivos em rentabilidade e lucro, o potencial de valorização segue limitado.
Crescimento de vendas perde força
O principal ajuste nas projeções veio da expectativa para vendas nas mesmas lojas. O Safra reduziu sua estimativa de crescimento para 1,5% em 2026, 1,5% em 2027 e 2,5% em 2028.
Antes, as projeções indicavam avanço de 2,1%, 1,7% e 2,1%, respectivamente. A nova leitura reflete um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador, além de menor renda disponível das famílias.
Segundo o banco, esse contexto deve continuar pressionando o desempenho das vendas em patamar abaixo da inflação de alimentos, estimada em 4,4% para 2026. Isso ocorre mesmo em um cenário de possível pressão sobre commodities, influenciado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Margem melhora e ajuda projeções de lucro
Por outro lado, o Safra elevou sua projeção de margem operacional para o Assaí. Agora, a expectativa é de margem de 6% entre 2026 e 2028, acima dos 5,8% estimados anteriormente.
Essa revisão reflete dois fatores principais. O primeiro é a melhora da margem bruta, já observada nos trimestres mais recentes, inclusive no início de 2026. O segundo é a expectativa de menores despesas administrativas.
Com isso, o banco aumentou sua estimativa de lucro por ação ajustado em 5% para 2026 e em 3% para 2027. Esse cálculo desconsidera o efeito do ressarcimento de créditos tributários, tratado como evento não recorrente.
Expansão segue igual, com foco em desalavancagem
O Safra manteve inalterada sua premissa para abertura de lojas. A expectativa segue em cinco novas unidades em 2026, cinco em 2027 e dez em 2028.
No lado financeiro, as projeções tiveram poucas mudanças. Ainda assim, o banco vê a agenda de desalavancagem ganhando tração, com redução estimada da relação entre dívida líquida e resultado operacional de 0,4 vez em 2026 e de 0,2 vez em 2027.
Esse movimento tende a ajudar a leitura do mercado sobre a companhia. Ainda assim, o Safra entende que a melhora operacional e os ganhos financeiros esperados são apenas marginais no atual contexto.
Valuation limita espaço para uma visão mais positiva
Na visão do banco, o valuation continua sendo o principal limitador para uma recomendação mais construtiva sobre Assaí (ASAI3).
A ação negocia a 13 vezes o lucro estimado para 2026 e a 9 vezes o lucro projetado para 2027. Embora esses múltiplos estejam abaixo da média histórica de 16 vezes, ainda se mostram pouco atrativos diante do potencial de valorização implícito no novo preço-alvo.
O valor justo de R$ 10 por ação foi calculado com base em fluxo de caixa descontado, com taxa de crescimento de 4% e custo médio ponderado de capital de 13,4%. Pelas contas do Safra, isso implica potencial de valorização de cerca de 16%.
Riscos seguem no radar
O Safra destaca alguns fatores que ainda podem pressionar a tese de investimento em Assaí (ASAI3). Entre eles estão o cenário macroeconômico, a concorrência, a execução de novas iniciativas e eventuais mudanças de controle acionário.
Além disso, alterações na jornada de trabalho também aparecem como um ponto de atenção para o setor e para a companhia.
Análise dos especialistas
Na avaliação do Safra, o Assaí apresenta melhora gradual em indicadores operacionais, especialmente em margem e disciplina de despesas. A perspectiva de desalavancagem também contribui para uma leitura menos pressionada do caso.
Mesmo assim, o banco considera que o ambiente de consumo segue difícil e que a concorrência deve continuar limitando o avanço das vendas. Como o valuation ainda parece exigente, o espaço para uma reavaliação mais positiva da ação permanece restrito.
Em resumo, o Assaí mostra evolução em eficiência e rentabilidade, mas ainda precisa enfrentar um cenário de demanda mais fraca e competição intensa. Por isso, o Safra mantém recomendação neutra para o papel.