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Assaí tem lucro pressionado, apesar de alívio na dívida

O Assaí apresentou um resultado misto no primeiro trimestre, registrando vendas fracas, lucro abaixo do esperado e redução da alavancagem, em um cenário ainda desafiador para o varejo alimentar


A receita líquida do Assaí (ASAI3) somou R$ 18,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior e abaixo da estimativa do Safra. O avanço modesto refletiu, sobretudo, a desaceleração das vendas nas mesmas lojas.

O indicador caiu 0,9% na comparação anual. Assim, mais do que anulou o efeito da expansão da rede, que abriu 11 lojas nos últimos 12 meses. Além disso, o desempenho seguiu abaixo da inflação de alimentos no período, o que reforça a leitura de demanda mais fraca.

Na prática, as novas unidades sustentaram o crescimento da área de vendas, mas não foram suficientes para acelerar a receita de forma mais consistente. Para o Safra, essa tendência não deve mudar de maneira relevante nos próximos trimestres.

Margem resiste, mas operação perde força

O lucro bruto do Assaí atingiu R$ 3,1 bilhões, alta de 2% em um ano. A margem bruta avançou 24 pontos-base, beneficiada pela maturação das lojas abertas nos últimos cinco anos e por uma gestão de preços mais eficiente.

Ainda assim, a desaceleração das vendas continuou a pressionar a rentabilidade operacional. O aumento das despesas de vendas quase anulou o ganho observado na margem bruta. Com isso, a margem de geração de caixa operacional ajustada ficou estável na comparação anual.

O resultado operacional ajustado somou R$ 1 bilhão, em linha com o mesmo trimestre de 2025, mas abaixo da projeção do Safra. Quando se exclui um ajuste de R$ 43 milhões em outras despesas operacionais, o desempenho mostra perda adicional de fôlego.

Lucro decepciona

O lucro líquido ajustado do Assaí ficou em R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2026. O número representa queda de 47% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e veio 26% abaixo da estimativa do Safra.

Segundo a avaliação do banco, a frustração decorreu principalmente do desempenho operacional mais fraco. Embora a margem bruta tenha mostrado alguma melhora, a companhia ainda não conseguiu traduzir esse avanço em expansão mais clara da rentabilidade final.

Esse ponto ganha relevância porque a retomada do crescimento de vendas segue no centro da tese de investimento. Sem uma aceleração mais firme da receita, a empresa tende a encontrar mais dificuldade para expandir margens e sustentar o avanço do lucro por ação.

Dívida recua

Se o lucro veio abaixo do esperado, a estrutura de capital trouxe uma sinalização mais favorável. O Assaí (ASAI3) encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 12,2 bilhões.

O número representa redução de 0,7 vez na alavancagem em 12 meses, de 3,2 vezes no primeiro trimestre de 2025 para 2,5 vezes no primeiro trimestre de 2026. Esse movimento ocorreu, principalmente, por causa da queda nos adiantamentos sobre recebíveis, que ajudou a reduzir a dívida líquida em R$ 1,6 bilhão no acumulado de 12 meses.

Embora a melhora tenha sido positiva, o Safra observa que o avanço das vendas continua mais importante para a história de investimento. Isso porque a redução da dívida, por si só, não resolve o principal desafio operacional da companhia.

Recompra de debêntures

O Assaí também anunciou um programa discricionário de recompra de debêntures no valor de R$ 200 milhões. Os papéis recomprados ficarão em tesouraria e depois serão cancelados.

Na avaliação do Safra, a medida é levemente positiva. As debêntures elegíveis carregam custo médio estimado acima do custo médio atual da dívida da companhia. Por isso, a operação tende a contribuir, ainda que de forma limitada, para uma gestão financeira mais eficiente.

O que esperar de Assaí

Para o Safra, o resultado do Assaí (ASAI3) no primeiro trimestre de 2026 reforça um quadro de transição. De um lado, a companhia mostra disciplina financeira e melhora gradual da alavancagem. De outro, ainda enfrenta vendas fracas e pressão sobre o lucro.

O banco mantém recomendação neutra para a ação e segue cauteloso com o varejo alimentar. A visão parte do entendimento de que a recuperação mais consistente do papel depende, antes de tudo, de uma retomada do crescimento nas vendas, capaz de destravar margens mais altas e sustentar a expansão dos resultados.


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