O Safra atualizou suas projeções para o Assaí (ASAI3) e revisou o preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 9,4 por ação, ante R$ 10 anteriormente. A mudança reflete a incorporação de novas premissas macroeconômicas, os resultados do quarto trimestre de 2025, o novo guidance de aberturas de lojas e a atualização sobre o reembolso de créditos tributários previsto para 2026 e 2027.
O banco também adotou uma postura mais conservadora para o crescimento das vendas nas mesmas lojas. A estimativa de SSS para 2026 caiu para 2,1%, abaixo dos 2,6% projetados antes e inferior à inflação de alimentos esperada, de 3,3%.
Lucro pressionado
Como consequência do cenário mais desafiador, o Safra reduziu o lucro por ação ajustado em 19% para 2026 e em 14% para 2027. O cálculo exclui o impacto do reembolso de créditos tributários, considerado não recorrente.
Apesar da piora operacional, o banco manteve suas projeções de margem EBITDA para 2026 e 2027. Na avaliação do Safra, os ganhos de margem bruta registrados em 2025 devem compensar a menor diluição das despesas administrativas e comerciais.
Abertura de lojas mais cautelosa
O Safra revisou para baixo a premissa de expansão da rede. Agora, projeta a abertura de cinco lojas em 2026 e 2027 e dez unidades em 2028. Antes, a estimativa previa dez lojas entre 2026 e 2027 e nenhuma em 2028.
Com cerca de 91% das lojas já maduras, o efeito positivo da maturação sobre margens tende a perder força. Além disso, um ambiente macro mais duro, aliado ao aumento da concorrência e à menor renda disponível, deve continuar pressionando o desempenho das vendas.
Valuation segue exigente
Mesmo após a queda recente das ações, o Safra avalia que o Assaí (ASAI3) ainda negocia a múltiplos elevados. O papel é negociado a um P/L estimado de 13 vezes para 2026 e de 9 vezes para 2027, abaixo da média histórica de 17 vezes, mas acima do múltiplo implícito de 10,5 vezes considerado no preço-alvo.
O novo preço-alvo foi calculado a partir de um valuation por fluxo de caixa descontado, com crescimento de longo prazo de 5% e custo médio ponderado de capital de 13,1%. O potencial de valorização estimado é de 15%, o que sustenta a manutenção da recomendação neutra.
Foco em desalavancagem e eficiência
O Assaí reforçou um capex de R$ 700 milhões para 2026, sustentado principalmente pelo modelo built-to-suit. As novas lojas devem se concentrar majoritariamente na região Sudeste.
A prioridade estratégica segue sendo a desalavancagem. O processo deve contar com o crescimento nominal do EBITDA e a redução da dívida líquida. No campo operacional, a companhia aposta em marcas próprias, novas categorias, como medicamentos, expansão de serviços financeiros e políticas comerciais mais ajustadas por loja.
Principais riscos no radar
O Safra destaca quatro riscos relevantes para a tese de investimento. Entre eles estão a deterioração do cenário macroeconômico, o aumento da concorrência, riscos de execução das novas iniciativas e uma eventual mudança no controle acionário, dada a participação do Grupo Muffato no Assaí (ASAI3).
Diante deste conjunto de fatores, o Banco Safra avalia que os desafios devem persistir por mais tempo do que o inicialmente esperado.