A rede de supermercados Assaí (ASAI3) apresentou um crescimento de receita fraco (+3,4% A/A e em linha com a expectativa do Banco Safra) impulsionado pela abertura de 10 lojas, junto com um aumento de +0,9% nas vendas em mesmas lojas (SSS).
Os analistas do Banco Safra destacam que o SSS da ASAI continua abaixo da inflação de alimentos (+3,3%), e não se espera mudanças relevantes nessa tendência nos próximos trimestres.
Os destaques do trimestre foram:
- (i) a decepção na expansão da margem EBITDA (-23bps vs. Safra); (ii) revisão no guidance de aberturas; e
- (iii) o anúncio da monetização de R$ 1,5 bi em créditos tributários até o final de 2027.
Análise dos resultados do Assaí (ASAI3)
O Banco Safra considera as notícias negativas para a ação do Assaí (ASAI3), já que a margem EBITDA ficou 23bps abaixo da projeção. Apesar do anúncio do reembolso de R$ 1,5 bilhão em créditos tributários — o que deve reduzir a alavancagem para abaixo de 1,5x em 2027E vs. 1,8x atualmente — o Safra destaca que o crescimento das vendas é essencial para a tese de investimento, pois deve destravar mais margem EBITDA (hoje abaixo dos níveis históricos) e, consequentemente, impulsionar o crescimento do EPS.
Contudo, os analistas se dizem preocupados com as perspectivas de crescimento da receita, dado o cenário macro desafiador e o ambiente competitivo. Assim, o Safra mantém a recomendação Neutra para a ação.
Crescimento fraco
A receita líquida somou R$ 22,8 bi, alta de 3,4% A/A e em linha com a estimativa do Safra, puxada por um aumento de 2,5% no número de lojas (10 aberturas nos últimos 12 meses), enquanto o SSS ficou praticamente estável (+0,9%), com o cenário macro pesando sobre as vendas. Nas 64 lojas convertidas em 2022 e 2023, as vendas médias mensais foram de R$ 28,6 mi no 4T25, ante R$ 27,7 mi no 4T24 (+3%, ainda abaixo da inflação de alimentos).
O lucro bruto atingiu R$ 3,6 bi (+6% A/A), em linha com a estimativa do Safra, e a margem bruta subiu 42bps, puxada por:
- (i) melhoria na estratégia comercial (mix e preços) e
- (ii) melhor experiência de compra e mais serviços nas lojas.
Desaceleração das vendas pressionando margens
A melhora de 40bps na margem bruta — decorrente dos fatores mencionados — quase compensou o aumento das despesas de vendas causado pela desaceleração, resultando em queda de 12bps A/A na margem EBITDA ajustada ex IFRS, para 6,3%, 23bps abaixo da nossa estimativa.
As lojas convertidas em 2022–23 atingiram margem EBITDA ex IFRS de 6,2% no 4T25 (vs. 5,6% no 4T24). O EBITDA ajustado ex IFRS foi de R$ 1,3 bi, estável A/A e 4% abaixo da nossa projeção.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 347 mi, queda de 27% A/A e 4% abaixo do esperado, devido ao desempenho operacional fraco e maiores despesas financeiras.
Ciclo de caixa menor impulsionando geração de caixa e desalavancagem
A ASAI encerrou o 4T25 com dívida líquida de R$ 11,4 bi, redução de 0,4x na alavancagem (de 3,5x no 4T24 para 2,6x no 4T25), graças à melhoria da rentabilidade,
menor necessidade de capital de giro e redução de R$ 1,2 bi na dívida líquida em 12 meses.
Outros anúncios: A companhia informou que deve monetizar R$ 1,5 bi em créditos tributários em 2026 e 2027, com impacto positivo de R$ 750 mi por ano no caixa. A decisão se baseou em:
- (i) três pareceres independentes;
- (ii) opinião de três das quatro principais firmas de auditoria; e
- (iii) parecer do Comitê Fiscal.
Além disso, revisou o guidance de aberturas para 2026: de 10 novas lojas para 5, visando reduzir a alavancagem.