A Armac (ARML3) registrou receita líquida de R$ 545,8 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 21% na comparação anual e ficou 0,6% acima da estimativa do Safra.
Em relação ao trimestre anterior, a receita também cresceu 21%. Na comparação com o consenso do mercado, contudo, o resultado ficou 1,3% abaixo do esperado.
A expansão foi impulsionada pelo aumento de 94% na receita com a venda de ativos e pelo crescimento de 8% na receita de locação e serviços.
Locação avança
A receita de locação e serviços alcançou R$ 401 milhões, alta de 8% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 17,5% na comparação trimestral.
O desempenho refletiu a consolidação integral das aquisições da Termov, Engelog e Braslift. Também contribuíram a conclusão da desmobilização de contratos de longo prazo com baixa margem e a continuidade da expansão das operações da Terram.
A produtividade dos ativos chegou a 57,7%, ante 55,9% um ano antes. Na comparação trimestral, o indicador permaneceu estável.
Venda de ativos dispara
A receita com a venda de ativos somou R$ 145,2 milhões, alta de 94% na comparação anual e de 32% em relação ao primeiro trimestre de 2026.
O resultado ficou 8,5% acima da estimativa do Safra. A Armac continuou ampliando sua rede de venda de equipamentos usados, o que contribuiu para o avanço do segmento.
Para 2026, a companhia projeta receita total de R$ 2,41 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior.
A expectativa inclui R$ 1,85 bilhão em receita de locação, crescimento de 11%, e R$ 560 milhões com a venda de ativos, alta de 66%.
Margem operacional melhora
O resultado operacional da Armac, antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 218,2 milhões no segundo trimestre de 2026.
O valor representa alta de 54,5% na comparação anual e de 4% em relação ao trimestre anterior. A margem operacional ficou em 40%, avanço de 8,7 pontos percentuais em um ano.
Desconsiderando R$ 3,7 milhões em despesas não recorrentes, o resultado operacional ajustado somou R$ 222 milhões, alta de 33% na comparação anual.
A margem ajustada ficou em 40,6%, avanço de 3,7 pontos percentuais em um ano e 0,98 ponto percentual acima do consenso do mercado.
Contratos sustentam resultado
A melhora da rentabilidade refletiu a desmobilização de contratos com margens menores, as renegociações de preços e escopo realizadas desde 2025 e a redução dos custos fixos corporativos.
A margem operacional da divisão de locação e serviços alcançou 54,2%, alta de 11,4 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025.
A margem da venda de ativos ficou em 0,8%, avanço de 6,9 pontos percentuais em um ano.
Por segmento, as margens foram negativas em 21,4% nos Serviços Recorrentes, positivas em 6,6% na Locação Spot, negativas em 2,5% na operação de Empilhadeiras e de 100% na Terram.
Lucro é limitado
O lucro líquido da Armac alcançou R$ 7,7 milhões no segundo trimestre de 2026. No mesmo período do ano anterior, a companhia havia registrado prejuízo de R$ 6,7 milhões.
Apesar da melhora anual, o lucro caiu 42% em relação ao trimestre anterior e ficou 13,6% abaixo do consenso do mercado.
O resultado antes dos impostos foi negativo em R$ 15 milhões. A companhia, porém, reconheceu R$ 18 milhões em créditos tributários relacionados a ganhos obtidos na aquisição da Braslift e da Engelog.
Sem esse efeito, o lucro líquido recorrente teria sido negativo em R$ 10,4 milhões.
Depreciação aumenta
A depreciação e amortização aumentou 59,6% na comparação anual, para R$ 94,4 milhões.
O avanço refletiu a expansão da frota, as aquisições recentes e mudanças na contabilização da depreciação implementadas no primeiro trimestre de 2026.
Com isso, a relação entre depreciação e ativos imobilizados líquidos subiu para 2,5%, ante 2,1% no segundo trimestre de 2025.
O resultado financeiro também piorou. A deterioração foi de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, reduzindo o impacto positivo da melhora operacional sobre o lucro.
Caixa fica negativo
O fluxo de caixa operacional da Armac ficou negativo em R$ 89 milhões no segundo trimestre de 2026.
O resultado foi pressionado principalmente pelo aumento das contas a receber. A piora do caixa limita a conversão do avanço operacional em redução de dívida e geração de valor para os acionistas.
A alavancagem ampliada terminou o trimestre em 2,6 vezes a dívida líquida sobre o resultado operacional. O indicador estava em 2,7 vezes no primeiro trimestre de 2026 e em 3,1 vezes um ano antes.
Visão sobre os resultados
A Armac apresentou melhora operacional no segundo trimestre de 2026. A expansão da receita, a reestruturação de contratos e a redução dos custos fixos sustentaram o avanço da margem.
A venda de ativos também teve desempenho forte e ajudou a elevar a receita no período.
Por outro lado, o lucro permaneceu pressionado pelo aumento da depreciação, pela piora do resultado financeiro e pelo fluxo de caixa operacional negativo.
A sustentabilidade da melhora das margens dependerá da continuidade dos ganhos de eficiência, da evolução das operações de locação e da recuperação da geração de caixa nos próximos trimestres.