A Armac (ARML3), empresa prestadora de serviços especializados e complexos e locação de equipamentos, reportou um quarto trimestre de 2025 marcado por sinais mistos. A receita líquida avançou 6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 502 milhões, em desempenho acima do esperado pelo mercado.
O crescimento veio, sobretudo, da forte alta na receita com venda de ativos, que saltou 141% em um ano, para R$ 111 milhões. Esse movimento mais do que compensou a queda de 4,3% na receita de locação, que somou R$ 380 milhões.
Segundo a leitura do Safra, a retração em locação reflete a continuidade da estratégia de desmobilizar contratos de baixa rentabilidade. Ao mesmo tempo, reajustes de preços e menor nível de chargebacks ajudaram a limitar a queda.
Além disso, o desempenho trimestral foi afetado pela sazonalidade do mercado spot. A produtividade dos ativos caiu para 56%, com recuo de 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2024 e de 2,7 pontos percentuais frente ao terceiro trimestre. Esse movimento ocorreu em meio à sazonalidade típica do fim do ano, ao ramp-up de equipamentos recém-adquiridos e à própria desmobilização de contratos.
Ainda assim, a avaliação é que os contratos em fase de mobilização devem sustentar recuperação de produtividade no primeiro trimestre de 2026.
Margem operacional da Armac recua no trimestre
O EBITDA da Armac totalizou R$ 175 milhões, com queda de 2,9% em base anual e retração de 12% na comparação trimestral. O número ficou praticamente em linha com as estimativas, mas a margem EBITDA caiu para 34,8%.
A pressão sobre a rentabilidade refletiu margens mais fracas nas operações de consórcio e na venda de ativos. No caso da venda de ativos, o desempenho foi impactado pelo avanço de novas lojas e pela reciclagem de ativos não estratégicos.
Por outro lado, a margem da operação de locação mostrou melhora e alcançou 43,7%, em alta de 1,57 ponto percentual na comparação anual. Esse avanço decorre da reestruturação em curso, com saída de contratos longos de menor retorno e renegociação de preços e escopo dos contratos remanescentes.
O trimestre também trouxe despesas não recorrentes de R$ 21,9 milhões. Desse total, R$ 14 milhões vieram de custos antecipados baixados após desmobilização de clientes, R$ 2,6 milhões decorreram de ajustes de reestruturação organizacional e R$ 5,3 milhões corresponderam a pagamentos de honorários de êxito em disputas com ex-clientes.
Essas disputas, por sua vez, geraram decisões favoráveis à companhia no valor de R$ 19,5 milhões. Além disso, o resultado contou com um ganho de R$ 20,6 milhões relacionado a operações de fusões e aquisições e reversões de earn-out.
Na visão do Safra, ao ajustar esses efeitos, a rentabilidade da locação mostra uma evolução mais consistente do que o número consolidado do trimestre sugere.
Lucro líquido sobe com efeito tributário
O lucro líquido da Armac alcançou R$ 30 milhões no quarto trimestre, com alta de 163% sobre um ano antes. O resultado ficou bem acima das projeções do Safra e também do consenso de mercado.
A principal explicação para essa surpresa positiva veio da linha abaixo do operacional. A companhia registrou imposto de renda positivo de R$ 22,7 milhões, ante efeito negativo de R$ 7,3 milhões no quarto trimestre de 2024. Além disso, a depreciação caiu 18% na mesma base de comparação.
Esse efeito compensou o aumento de 26% nas despesas financeiras líquidas, em um ambiente ainda marcado por juros elevados.
Alavancagem segue sob controle
A alavancagem da Armac encerrou o quarto trimestre de 2025 em 2,36 vezes dívida líquida sobre EBITDA. O indicador ficou praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior, quando estava em 2,33 vezes, e melhorou frente ao terceiro trimestre, que havia fechado em 2,49 vezes.
O dado indica que, apesar da pressão operacional em parte do negócio, a companhia preservou relativa disciplina financeira no período.
O que acompanhar daqui para frente
Os próximos trimestres devem ser importantes para medir a capacidade da ARML3 de transformar a reestruturação operacional em crescimento mais rentável. O foco do mercado deve permanecer sobre três pontos.
O primeiro é a recuperação da produtividade dos ativos, à medida que novos contratos avancem na fase de mobilização. O segundo é a evolução das margens de locação, que já mostram sinais de melhora com a revisão de contratos. O terceiro é o peso das receitas de venda de ativos no mix consolidado, já que essa linha ajudou a sustentar o crescimento, mas trouxe menor rentabilidade.
A Armac entregou um trimestre de lucro forte, porém com qualidade mista no resultado operacional. A companhia avançou na limpeza do portfólio e na renegociação de contratos, mas ainda precisa mostrar que essa transição será capaz de sustentar expansão de receita com margens mais robustas ao longo de 2026.