A Ânima Educação (ANIM3) apresentou resultados amplamente em linha com as estimativas no segundo trimestre de 2026. O desempenho foi sustentado pelo aumento das mensalidades em todas as unidades de negócio e pela evolução da Inspirali, divisão de educação médica.
A geração operacional de caixa ajustada ficou 3% acima do consenso e próxima da projeção do Safra. No resultado consolidado, o indicador alcançou R$ 307 milhões, alta de 9% na comparação anual.
A margem operacional ajustada subiu para 29,2%, avanço de 1,25 ponto percentual em 12 meses e 0,20 ponto percentual acima da estimativa do banco.
Apesar da maior evasão no segmento principal, a Ânima manteve a recomendação de compra.
Receita cresce com mensalidades
O aumento das mensalidades sustentou o crescimento da receita em todas as áreas da companhia.
No segmento principal, que reúne as operações de ensino presencial, a receita líquida alcançou R$ 554 milhões, alta de 4% na comparação anual.
A mensalidade média cresceu 7%, para R$ 911 por mês. O avanço mais do que compensou a redução de 3% na base de alunos, que terminou o trimestre em 193,6 mil estudantes.
A maior participação de novos alunos, o aumento da oferta de cursos híbridos e a adaptação dos processos ao novo marco regulatório contribuíram para a recuperação dos indicadores ao longo do trimestre.
Evasão pressiona ensino presencial
A taxa de evasão no segmento principal subiu para 7% no segundo trimestre, ante 4,6% um ano antes.
O aumento elevou as provisões para devedores duvidosos e as despesas comerciais, que cresceram 63% na comparação anual.
Como consequência, o resultado operacional ajustado caiu 9%, para R$ 194 milhões. A margem recuou 4,89 pontos percentuais, para 35%.
Segundo a companhia, o indicador começou a retornar aos níveis anteriores ao fim do trimestre. O comportamento da evasão nos próximos períodos será importante para confirmar essa recuperação.
Ensino a distância perde alunos
O ensino a distância foi afetado pelas restrições de oferta impostas pelo novo marco regulatório do setor.
A base acadêmica caiu 20% em relação ao segundo trimestre de 2025, para 96,2 mil alunos. A receita líquida recuou 14%, para R$ 82 milhões.
Por outro lado, a mensalidade média subiu 4% e a taxa de evasão caiu 2,8 pontos percentuais.
A redução da evasão, combinada ao compartilhamento de estruturas com o segmento principal, ajudou a elevar o resultado operacional ajustado em 9%, para R$ 42 milhões. A margem avançou para 50,8%, alta de 10,61 pontos percentuais em 12 meses.
Inspirali mantém forte desempenho
A Inspirali apresentou mais um trimestre sólido. A receita líquida cresceu 10%, para R$ 414 milhões, apoiada pelo aumento de 7% na mensalidade média, que alcançou R$ 10.315 por mês.
O resultado operacional ajustado avançou 28%, para R$ 227 milhões. A margem subiu 7,89 pontos percentuais, para 54,8%.
Parte do crescimento veio de outros resultados operacionais. Esse efeito representou R$ 15 milhões do avanço. Sem essa contribuição, o crescimento do resultado operacional teria sido de 19% na comparação anual.
A companhia também reconheceu R$ 8 milhões em créditos tributários recuperados no trimestre. O Safra considera esse valor um item não recorrente em suas estimativas ajustadas.
A evolução da Inspirali mais do que compensou a pressão causada pelo aumento das provisões no segmento principal.
Lucro ajustado fica estável
O lucro líquido contábil da Ânima alcançou R$ 29 milhões, ante R$ 10 milhões no segundo trimestre de 2025.
O resultado também refletiu a aquisição de participações minoritárias realizada nos últimos trimestres. Com isso, uma parcela menor do lucro ficou atribuída aos acionistas não controladores.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 35 milhões, próximo da projeção de R$ 36 milhões do Safra e 27% acima do resultado do mesmo período do ano anterior.
A depreciação e amortização caiu 9%, para R$ 100 milhões, devido à menor amortização de ativos intangíveis adquiridos.
Em sentido contrário, o resultado financeiro negativo aumentou 10%, para R$ 208 milhões. O avanço refletiu a maior dívida bruta média e o aumento das despesas financeiras relacionadas aos contratos de arrendamento.
Caixa livre fica negativo
A geração de caixa operacional após investimentos totalizou R$ 150 milhões, queda de 4% na comparação anual.
Após o pagamento de R$ 244 milhões em juros e de R$ 2 milhões relacionados a aquisições e empresas afiliadas, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 96 milhões.
No segundo trimestre de 2025, o fluxo de caixa livre negativo havia sido de R$ 46 milhões.
O resultado foi influenciado principalmente pelo calendário de pagamento de juros, que costuma gerar efeito sazonal sobre o caixa da companhia.
Alavancagem sobe levemente
A dívida líquida, excluindo contratos de arrendamento, encerrou o trimestre em R$ 3 bilhões.
A relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa ajustada ficou em 2,41 vezes, ante 2,39 vezes no trimestre anterior. Há um ano, o indicador estava em 2,66 vezes.
Considerando os efeitos da aquisição da FMU, a alavancagem seria de 2,74 vezes em uma base pro forma.
A compra da instituição adicionou um novo degrau ao endividamento da Ânima, mas a alavancagem permanece abaixo do nível registrado no segundo trimestre de 2025.
Aquisição da FMU é novo fator
A aquisição da FMU amplia a presença da Ânima no ensino superior e adiciona uma nova frente de crescimento para a companhia.
No curto prazo, porém, a operação eleva a alavancagem e exige atenção à integração dos ativos adquiridos.
A capacidade de capturar sinergias, preservar as margens e manter a geração de caixa será determinante para que a aquisição contribua para a desalavancagem ao longo do tempo.
Safra mantém compra
Na avaliação do Safra, a Ânima apresentou um conjunto de resultados razoável no segundo trimestre.
A maior evasão no segmento principal era esperada pelo mercado e pressionou as provisões. Ainda assim, a Inspirali apresentou crescimento expressivo e compensou parte relevante desse efeito.
A recomendação de compra foi mantida. Os principais pontos de acompanhamento serão a evolução da evasão, o desempenho do ensino a distância, a maturação das novas vagas de medicina e a integração da FMU.