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Ânima anuncia compra da FMU e reforça aposta em São Paulo

Aquisição da Ânima reforça presença em São Paulo e eleva debate sobre valuation e execução da operação


A Ânima Educação (ANIM3) informou a compra de 100% da FMU, instituição fundada há 58 anos e atualmente em recuperação judicial, homologada em fevereiro de 2026.

O valor do patrimônio líquido da transação foi definido em R$ 410 milhões. Desse total, R$ 240 milhões serão pagos à vista no fechamento da operação. A parcela restante, de no mínimo R$ 170 milhões, terá vencimento até dezembro de 2029 ou três anos após a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que ocorrer primeiro.

Além disso, a parcela diferida será corrigida pelo CDI e poderá sofrer ajustes ligados ao desempenho futuro da instituição por meio de mecanismo de earn-out.

Considerando a dívida líquida da FMU, de R$ 150,3 milhões, o valor total da firma alcança R$ 560,3 milhões.

Operação eleva debate sobre valuation

A transação implica um múltiplo de 10,6 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses da FMU até o primeiro trimestre de 2026, desconsiderando os efeitos contábeis da norma IFRS 16.

O patamar chama atenção porque a própria Ânima negocia atualmente próxima de 3,3 vezes EV/EBITDA no mercado.

Na avaliação do Banco Safra, o múltiplo histórico isoladamente não captura o potencial de recuperação operacional da FMU. A instituição atravessou anos de dificuldades financeiras, o que pressionou seus resultados recentes.

A administração da Ânima estima que o EBITDA normalizado da FMU possa atingir entre R$ 97 milhões e R$ 131 milhões, acima dos R$ 53 milhões registrados atualmente. Nesse cenário, o múltiplo efetivo da aquisição cairia para uma faixa entre 4 vezes e 5 vezes EBITDA.

São Paulo segue estratégico para a Ânima

A aquisição reforça a estratégia da Ânima de ampliar presença em São Paulo, considerado o maior mercado de ensino superior privado do Brasil.

A FMU mantém marca consolidada e forte reconhecimento regional, fatores vistos como relevantes para sustentar crescimento de receita e captura de sinergias operacionais ao longo dos próximos anos.

Segundo o Safra, a estrutura do earn-out também favorece o comprador, já que limita parte dos riscos enquanto preserva potencial de geração de valor caso a recuperação operacional avance.

Riscos de execução permanecem no radar

Apesar da visão estratégica positiva, o Safra destaca que a operação envolve riscos relevantes de execução. A FMU segue em recuperação judicial, o que aumenta a complexidade do processo de integração e reestruturação.

A expectativa é que a alavancagem da Ânima suba de 2,39 vezes para 2,73 vezes em base pro forma após a conclusão da aquisição. Ainda assim, o indicador permaneceria abaixo de 3 vezes, nível considerado administrável pelo mercado.

Para o Safra, a criação de valor dependerá principalmente da capacidade de a Ânima elevar a margem operacional da FMU para os níveis projetados pela administração.

Recomendação segue positiva para ANIM3

O Safra manteve recomendação de compra para as ações da Ânima (ANIM3), apoiado na avaliação de que a aquisição pode fortalecer o posicionamento estratégico da companhia no longo prazo.

Ao mesmo tempo, o banco ressalta que o sucesso da operação dependerá da execução do turnaround e da captura das sinergias esperadas nos próximos anos.


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