A América Móvil (AMXB) apresentou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, com crescimento operacional consistente e forte geração de fluxo de caixa livre.
Segundo o Safra, os números vieram em linha com as expectativas do mercado, embora o lucro líquido tenha sido pressionado por uma alíquota de imposto mais elevada e pelo impacto cambial.
Ainda assim, o principal destaque ficou para a forte geração de caixa, que mais do que dobrou no primeiro semestre e reforçou a capacidade da companhia de sustentar dividendos, recompra de ações e aquisições.
Receita cresce mesmo com pressão cambial
A receita da América Móvil alcançou 241,1 bilhões de pesos mexicanos no segundo trimestre, alta de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado foi impactado pela valorização de 12,3% do peso mexicano frente ao dólar, fator que continuou pressionando os números reportados.
Em moeda constante, porém, o desempenho operacional permaneceu robusto. A receita de serviços cresceu 5,1%, acima da faixa superior das projeções da companhia para o período entre 2026 e 2028.
A receita de serviços móveis avançou 6,5%, impulsionada tanto pelo segmento pós-pago quanto pelo pré-pago.
Fluxo de caixa livre mais que dobra
O EBITDA da companhia somou 95,9 bilhões de pesos mexicanos, crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior.
Sem os efeitos cambiais e o impacto extraordinário de uma multa aplicada à Telmex, o avanço operacional teria sido ainda mais forte.
Já o lucro líquido cresceu 9,2%, para 24,3 bilhões de pesos mexicanos, embora tenha ficado abaixo das estimativas do mercado devido à carga tributária mais elevada.
O fluxo de caixa livre atingiu 43 bilhões de pesos mexicanos no primeiro semestre de 2026, mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Com isso, a alavancagem caiu para 1,31 vez dívida líquida sobre EBITDA, mantendo a companhia em uma posição confortável para sustentar dividendos e programas de recompra de ações.
México mostra melhora em mobilidade
O México voltou a apresentar melhora relevante no segmento móvel.
A receita de serviços móveis acelerou para crescimento de 6,6%, com destaque para o avanço do pós-pago, que registrou o melhor desempenho em vários trimestres.
O ticket médio por usuário da Telcel também cresceu, refletindo maior monetização da base de clientes.
Na Telmex, a receita de banda larga avançou, enquanto o segmento corporativo continuou pressionado.
O EBITDA no país ficou impactado por uma multa regulatória, mas o Safra destaca que, sem esse efeito extraordinário, a operação teria mostrado expansão mais robusta de rentabilidade.
Brasil segue resiliente apesar da concorrência
No Brasil, a operação da Claro manteve crescimento sólido, embora em ritmo mais moderado.
A receita avançou 5,4%, abaixo do observado no primeiro trimestre, refletindo um ambiente competitivo mais intenso no setor móvel.
Segundo a companhia, houve aumento da pressão promocional entre as operadoras, leitura considerada relevante para empresas como Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM Brasil (TIMS3).
Ainda assim, a Claro liderou as adições líquidas de clientes e a portabilidade numérica no período.
O segmento pós-pago continuou crescendo, enquanto a receita de serviços fixos acelerou apoiada pelo desempenho de TV por assinatura e redes corporativas.
O EBITDA da operação brasileira avançou 5,1%, com margem estável.
Colômbia lidera crescimento da companhia
A Colômbia foi novamente o principal destaque operacional da América Móvil.
A receita de serviços móveis cresceu 10,5%, impulsionada pela expansão da rede 5G da Claro, atualmente presente em 78 cidades.
O segmento pós-pago registrou o melhor desempenho em mais de sete anos, enquanto o ticket médio por usuário também avançou.
Além disso, a operação mostrou forte ganho de eficiência operacional, com expansão relevante da margem EBITDA.
Europa mantém crescimento consistente
As operações da Áustria e da Europa Oriental também apresentaram resultados positivos.
A receita cresceu acima das estimativas do Safra, impulsionada principalmente pelas receitas corporativas e pela recuperação da banda larga.
Ao mesmo tempo, a expansão da base de clientes seguiu concentrada em serviços de internet das coisas e conexões máquina a máquina.
Companhia mantém espaço para aquisições
A forte geração de caixa permitiu à América Móvil reduzir dívida, recomprar ações e manter espaço para novas aquisições.
A companhia anunciou recentemente a compra da WOW Peru, operadora de fibra óptica fora da região de Lima, em uma operação ainda sujeita à aprovação regulatória.
Além disso, segue em andamento a aquisição da Desktop (DESK3), no Brasil, reforçando a estratégia de crescimento inorgânico da empresa na região.