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ANÁLISE

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América Móvil tem lucro acima do esperado, apesar do câmbio

Companhia entrega trimestre operacional forte, com avanço em Brasil, México e Colômbia, mas valorização do peso mexicano limita crescimento reportado da receita


A América Móvil (AMX), dona da Claro, divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 em linha com a estimativa do Safra para o EBITDA e acima do consenso de mercado. Embora a operação tenha mostrado força em várias geografias, a valorização do peso mexicano frente ao dólar reduziu o crescimento reportado da companhia no período.

A receita consolidada somou 236,8 bilhões de pesos mexicanos, alta de 2,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O número ficou ligeiramente abaixo da projeção do Safra. Ainda assim, quando se exclui o efeito cambial, o crescimento da receita alcança 6,1%, o que reforça a leitura de um trimestre robusto do ponto de vista operacional.

O EBITDA chegou a 94,5 bilhões de pesos mexicanos, com avanço anual de 3,8%. Em moeda constante, o crescimento foi de 8,0%. A margem EBITDA atingiu 39,9%, um dos níveis mais altos já registrados pela companhia, sustentada por disciplina de custos e melhora do desempenho em mercados relevantes.

Lucro líquido supera expectativas

O lucro líquido da América Móvil totalizou 23,4 bilhões de pesos mexicanos no trimestre, com alta de 25,1% em base anual. O resultado ficou 5,4% acima da projeção do Safra e 9,0% acima do consenso.

O desempenho refletiu, sobretudo, a queda de 9,9% nos custos financeiros e o efeito positivo dos ganhos cambiais. No primeiro trimestre de 2025, a companhia havia registrado perda cambial. Agora, reportou ganho de 5,0 bilhões de pesos mexicanos, o que ampliou a diferença positiva frente às expectativas do mercado.

Além disso, a relação entre dívida líquida e EBITDA após arrendamentos ficou em 1,41 vez, abaixo do nível de conforto de 1,5 vez. Ao mesmo tempo, o investimento recuou 12,4% na comparação anual, o que ajudou o fluxo de caixa livre a voltar ao campo positivo.

Brasil volta a se destacar

O Brasil permaneceu como um dos principais motores de crescimento da América Móvil no trimestre. A receita total no país somou 13,3 bilhões de reais, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano passado, acima das estimativas do Safra e do consenso.

A receita de serviços móveis acelerou para 7,8%, apoiada pelo bom desempenho da Claro. A operadora liderou o mercado em adições líquidas no pré-pago e no pós-pago, além de apresentar desempenho forte em portabilidade numérica.

A base de clientes pós-pagos cresceu 8,7% e chegou a 59,7 milhões de usuários. O avanço do tíquete médio por cliente também mostrou melhora, refletindo a migração de consumidores do pré-pago para o pós-pago.

Na operação fixa, a receita de serviços avançou 2,6%, no ritmo mais forte em quatro trimestres. O resultado foi impulsionado pela banda larga, com crescimento de acessos e melhora do desempenho comercial. Já o EBITDA no Brasil subiu 6,7%, para 5,9 bilhões de reais, com margem de 44,0%.

México mantém trajetória positiva

O México também entregou um trimestre forte para a América Móvil. A receita no país alcançou 86,3 bilhões de pesos mexicanos, com crescimento anual de 5,1%.

A receita de serviços móveis subiu 5,7%, no melhor ritmo em dois anos. O avanço ocorreu tanto no pré-pago quanto no pós-pago, o que sinaliza uma demanda mais equilibrada entre os segmentos. O tíquete médio da Telcel avançou 5,3%, para 187 pesos mexicanos.

O EBITDA da operação mexicana somou 36,5 bilhões de pesos mexicanos, com alta de 6,0% e margem de 42,3%, o maior nível em quase dois anos.

Ainda assim, o Safra vê um ponto de atenção na gestão da base pré-paga. Isso porque a companhia registrou 482 mil desconexões ligadas ao processo de cadastro de assinantes exigido pela autoridade de transformação digital no país.

Colômbia tem o melhor desempenho do trimestre

A Colômbia foi o destaque mais forte entre os mercados da América Móvil no primeiro trimestre. A receita avançou 5,9% na comparação anual e alcançou 4,3 trilhões de pesos colombianos.

A receita de serviços móveis cresceu 10,2%, no ritmo mais acelerado em uma década. O resultado reflete a boa dinâmica tanto no pré-pago quanto no pós-pago, além do ganho de competitividade da operação.

O EBITDA subiu 11,6%, para 1,77 trilhão de pesos colombianos, com expansão de margem para 41,6%. As adições líquidas de 507 mil clientes móveis e o desempenho em portabilidade ajudam a explicar esse avanço. Segundo o Safra, os investimentos em redes móveis de quinta geração e fibra até a residência vêm fortalecendo a posição da Claro no país.

Europa mostra evolução, mas em ritmo moderado

Na Áustria e na Europa Oriental, a América Móvil também apresentou melhora. A receita atingiu 1,37 bilhão de euros, alta de 3,9% na comparação anual, em linha com as estimativas.

A receita de serviços acelerou para 3,2%, puxada pelo negócio de tecnologia da informação e comunicação e pela melhora das tendências no varejo móvel. O EBITDA cresceu 4,8%, para 501 milhões de euros, com margem de 36,7%.

Apesar disso, parte do crescimento de assinantes foi influenciada por conexões entre máquinas, o que indica um ritmo mais moderado na expansão da base de clientes pessoa física.

Retorno de capital segue preservado

A administração propôs dividendo ordinário de 0,54 peso mexicano por ação, a ser pago em duas parcelas iguais. Além disso, aprovou uma nova alocação de 10 bilhões de pesos mexicanos para o programa de recompra de ações entre abril de 2026 e abril de 2027.

No trimestre, a companhia recomprou 1,4 bilhão de pesos mexicanos em ações e reduziu sua dívida líquida em 1,0 bilhão de pesos mexicanos. Com alavancagem sob controle e geração de caixa novamente positiva, a capacidade de retorno ao acionista segue preservada.

Esse quadro se mantém mesmo diante da aquisição da Desktop, que ainda depende de aprovação regulatória e pode demandar recursos adicionais nos próximos trimestres.

Análise dos especialistas

O Safra mantém recomendação neutra para América Móvil (AMX), com preço-alvo de 22 dólares. Na avaliação do banco, a companhia continua a executar bem sua estratégia e mostra consistência operacional em mercados importantes.

Por outro lado, o Safra entende que ainda há poucos catalisadores para uma reprecificação mais forte das ações no curto prazo. Assim, mesmo com um trimestre sólido e lucro acima do esperado, a leitura permanece equilibrada para o papel.


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