O Banco Safra iniciou a cobertura da América Móvil (AMX) com recomendação Neutra e preço-alvo de US$ 22 por ADR, o que implica um retorno total de 12,3%, considerando dividendos e recompra de ações.
De forma geral, o Safra tem uma visão construtiva sobre a empresa, apoiada em alguns pilares:
- (i) liderança forte no México e posição competitiva sólida no Brasil;
- (ii) poder de precificação em sua área de atuação, sustentado por escala e diferenciação de serviços;
- (iii) diversificação geográfica que ajuda a absorver choques cambiais e macroeconômicos; e
- (iv) fundamentos sólidos, com forte geração de caixa, baixa alavancagem e retorno atrativo aos acionistas.
No entanto, na avaliação atual, a ação parece já refletir grande parte desses pontos positivos, enquanto as operadoras brasileiras negociam com múltiplos mais atrativos.
A tese de investimento do Safra está ancorada na forte liderança da AMX em seus dois principais mercados — México e Brasil — que juntos representam cerca de 60% da receita total de serviços.
No México, a empresa mantém uma posição historicamente dominante no segmento móvel pós-pago por meio da Telcel e na banda larga fixa por meio da Telmex — apesar do ambiente regulatório restritivo.
No Brasil, a Claro está entre os três principais players tanto em telefonia móvel quanto em banda larga fixa, sendo que o segmento móvel se beneficiou de uma concorrência racional e a Claro apresentou crescimento de receita acima da inflação desde a aquisição da Oi Móvel em 2022.
Na banda larga fixa, a empresa continua sendo uma das líderes em um mercado altamente fragmentado e competitivo.
Além dos mercados principais, a AMX construiu poder de precificação que permite crescimento consistente de ARPU em diversos países, por meio da combinação de serviços móveis e fixos apoiados por escala, convergência e força da marca.
Sua presença diversificada em 22 países também ajuda a amortecer choques locais e adiciona resiliência frente à volatilidade cambial e macroeconômica.
AMX apresenta fundamentos sólidos
A intensidade de investimentos (Capex) caiu de um pico de cerca de 19% da receita em 2022 para aproximadamente 14% em 2025E, refletindo a normalização após os ciclos de implantação de 5G e fibra, o que, combinado com margens EBITDA elevadas (consistentemente em torno de 40%), tem sustentado forte geração de caixa livre e, consequentemente, permitido uma distribuição sólida aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações.
Negociando com desconto em relação a pares globais, mas sem catalisadores para reprecificação. No preço atual, a AMX negocia a 4,92x EV/EBITDA para 2026, abaixo da maioria dos pares globais — um desconto que consideramos injustificado.
Ainda assim, o Safra não espera uma reprecificação no curto prazo, já que a AMX negocia em linha com sua média de três anos (4,88x).
Dentro da cobertura do Safra, a preferência é por nomes brasileiros devido a melhores rendimentos e menores riscos regulatórios em comparação ao México.
O preço-alvo do Safra implica um retorno total de 12,3%, considerando um rendimento de 5,6% para 2026. O preço-alvo é baseado em um modelo de fluxo de caixa descontado (DCF), utilizando um WACC de 10% em termos nominais em MXN e uma taxa de crescimento terminal (nominal) de 3,5%.
Entre os riscos para a tese, o Safra destaca: (i) obstáculos regulatórios no México, onde a AMX continua sujeita a regras assimétricas; (ii) volatilidade cambial em mercados-chave, que pode deteriorar o fluxo de caixa quando convertido para MXN; (iii) pressão estrutural sobre o segmento de banda larga fixa, especialmente no Brasil; e (iv) preocupações com governança corporativa, dado o alto nível de controle mantido pela família fundadora e a limitada independência do conselho.