A Ambev (ABEV3) deve apresentar resultados mistos no terceiro trimestre de 2026, com desempenho mais forte no Brasil e números mais fracos nas operações internacionais, segundo projeções do Banco Safra.
A divisão de Cerveja Brasil deve ser a única da companhia a registrar crescimento de volumes no período. O avanço, porém, ocorre principalmente sobre uma base de comparação favorável.
Na avaliação do Safra, as operações de Cerveja Brasil e bebidas não alcoólicas no País devem sustentar o crescimento da receita e do resultado operacional consolidado. Em contrapartida, o desempenho mais fraco das demais unidades de negócios tende a limitar essa expansão.
O banco projeta crescimento de 1% na comparação anual para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da Ambev. Apesar do avanço, a margem deve recuar 0,14 ponto percentual, para 33,7%.
Diante dessas perspectivas e da avaliação sobre o preço das ações, o Safra mantém recomendação de venda para Ambev.
Cerveja Brasil deve liderar crescimento
A divisão de Cerveja Brasil deve apresentar um trimestre mais favorável. O Safra estima crescimento de 3% no volume vendido ante o mesmo período do ano anterior.
Além da base de comparação mais fraca, um mix de vendas mais favorável deve ajudar os resultados. O desempenho das marcas premium tende a contribuir para esse movimento, mesmo diante de um ambiente macroeconômico adverso.
Ainda assim, custos mais elevados por hectolitro e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas em relação à receita devem pressionar a rentabilidade.
Com isso, o Safra estima margem operacional de 35%, queda de 0,07 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Bebidas não alcoólicas ajudam resultado no Brasil
A operação brasileira de bebidas não alcoólicas também deve contribuir positivamente para o desempenho da Ambev.
Embora o cenário para volumes permaneça desafiador, o Safra espera uma boa gestão de receita. Dessa forma, a margem operacional da divisão deve alcançar 29%, avanço de 0,80 ponto percentual na comparação anual.
O desempenho das duas divisões brasileiras deve ajudar a sustentar os números consolidados da companhia no trimestre.
Operações internacionais devem pressionar Ambev
Fora do Brasil, o quadro deve ser menos favorável. Na América Central e no Caribe, o Safra prevê um desempenho fraco, apesar da recuperação gradual da operação na República Dominicana.
Além disso, a descontinuação das operações em Barbados e Cuba deve pressionar os volumes. Nesse cenário, a margem operacional da região deve ficar em 44%, uma redução de 0,79 ponto percentual em 12 meses.
Na América Latina Sul, a Argentina deve representar a principal fonte de pressão. O consumo enfraquecido e o ambiente macroeconômico ainda desafiador tendem a afetar os resultados da divisão.
Por outro lado, a Ambev deve se beneficiar da redução de custos relacionados a compras denominadas em dólar na Bolívia. Esse movimento deve favorecer o resultado financeiro. Ainda assim, o Safra projeta margem operacional de 28% para a região, queda anual de 0,45 ponto percentual.
Canadá segue sem sinais claros de recuperação
O desempenho no Canadá também deve ser mais fraco no terceiro trimestre. A indústria local ainda não apresenta sinais claros de recuperação, segundo a análise do Safra.
Além disso, a valorização do real deve pressionar os números da operação quando convertidos para a moeda brasileira.
O banco estima queda de 2% no volume vendido em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem operacional deve alcançar 30%, praticamente estável, com redução de 0,02 ponto percentual na comparação anual.
Lucro da Ambev deve cair 6%
No consolidado, o Safra prevê crescimento de 1% no resultado operacional da Ambev na comparação anual. No entanto, o aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas em relação à receita deve provocar uma leve deterioração da rentabilidade.
A margem operacional consolidada deve recuar 0,14 ponto percentual, para 33,7%.
Ao mesmo tempo, o resultado financeiro deve apresentar melhora, principalmente por causa dos menores custos relacionados às compras denominadas em dólar na Bolívia.
Esse efeito positivo, porém, deve ser neutralizado pela normalização da alíquota tributária. Como consequência, o Safra projeta queda de 6% no lucro líquido ajustado da Ambev frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
A margem líquida deve recuar 1,62 ponto percentual, para 18,2%.
Safra mantém recomendação de venda para Ambev
Apesar da perspectiva de recuperação de volumes em Cerveja Brasil, o Safra considera que o preço das ações da Ambev não oferece uma relação atrativa entre risco e retorno.
As ações negociam a 13,6 vezes o lucro estimado para 2027, segundo a análise. O múltiplo representa um prêmio de 13% em relação às empresas globais comparáveis.
Nesse contexto, o banco mantém recomendação de venda para Ambev. O desempenho mais favorável no Brasil deve ajudar os resultados do terceiro trimestre, mas não deve ser suficiente para compensar integralmente a fraqueza das operações internacionais e a pressão sobre as margens.