A Alupar (ALUP11) reportou resultados operacionais em linha com as estimativas do Safra no segundo trimestre de 2026. O desempenho refletiu crescimento no braço de transmissão, contribuição acima do esperado em geração e maiores despesas na holding.
O EBITDA regulatório, excluindo equivalência patrimonial, somou R$ 730 milhões. O valor representa alta de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número veio em linha com a projeção do Safra, mas ficou 5% abaixo do consenso de mercado.
O lucro líquido atingiu R$ 159 milhões, queda de 15% na comparação anual. Ainda assim, o resultado ficou 11% acima da estimativa do Safra, impulsionado por um resultado financeiro líquido melhor do que o esperado. Em relação ao consenso, porém, o lucro ficou 22% abaixo.
Receita cresce com transmissão
A receita regulatória consolidada da Alupar somou R$ 946 milhões no segundo trimestre. O valor representa crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025 e ficou 3% acima da estimativa do Safra.
O braço de transmissão sustentou boa parte do avanço. A receita do segmento cresceu 15% na comparação anual e veio em linha com a projeção do banco.
O desempenho foi impulsionado pelo início da operação comercial da TCE, no quarto trimestre de 2025, por novas operações da ELTE, pela integração do ativo TBO desde o terceiro trimestre de 2025 e pelo reconhecimento da receita anual permitida da TECP, em sua primeira fase, desde o segundo trimestre de 2025.
Além disso, os reajustes do ciclo 2025 e 2026 sobre outros ativos também contribuíram para o crescimento da receita de transmissão.
Geração supera projeção
No braço de geração, a receita da Alupar caiu 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi pressionado pelo elevado corte de geração de energia no período.
Apesar da queda anual, a receita de geração ficou 9,6% acima da estimativa do Safra. O resultado refletiu preços ligeiramente maiores no mercado livre de energia.
O preço médio chegou a R$ 296,8 por megawatt-hora, ante R$ 285,3 por megawatt-hora um ano antes. O avanço foi de 4% na comparação anual.
Esse efeito compensou parcialmente a queda de 12% nos volumes vendidos no mercado livre.
Despesas sobem na holding
Os custos totais da Alupar, excluindo depreciação e amortização, cresceram 18% em relação ao segundo trimestre de 2025. O valor ficou 4% acima da projeção do Safra.
A principal pressão veio das despesas da holding, que avançaram 41% na comparação anual e ficaram 17% acima da estimativa do banco. O aumento refletiu a ampliação do quadro de funcionários no Brasil e nas holdings no exterior, além do pagamento de participação nos lucros e resultados.
Também pesaram as maiores despesas operacionais associadas ao início da operação comercial da TCE e da SED, além de custos mais altos com pessoal e administração na TCE, ELTE e TBO.
As compras de energia elétrica cresceram 51% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, esse item veio em linha com a estimativa do Safra.
Transmissão sustenta resultado
A unidade de transmissão da Alupar reportou EBITDA regulatório de R$ 654 milhões no segundo trimestre. O resultado ficou em linha com a estimativa do Safra.
Já o EBITDA da unidade de geração somou R$ 105 milhões. O número ficou 10% acima da projeção do banco, o que ajudou a compensar os custos mais altos da holding.
Segundo o Safra, os números consolidados vieram, de forma geral, alinhados às expectativas. A melhor contribuição da geração compensou parte da pressão de custos com compra de energia e despesas administrativas.
Dívida recua no trimestre
A alavancagem da Alupar, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA regulatório, recuou levemente no trimestre.
O indicador encerrou o segundo trimestre em 3,2 vezes, ante 3,3 vezes no trimestre anterior.
No resultado financeiro, a companhia registrou impactos de oscilações cambiais sem efeito caixa e da capitalização da ELTE. Ainda assim, as despesas financeiras vieram menores do que o esperado pelo Safra, o que ajudou o lucro líquido a superar a projeção do banco.
Dividendos têm retorno de 0,6%
A Alupar aprovou a distribuição de dividendos de R$ 0,21 por unit. O valor implica retorno em dividendos de 0,6%.
A data de corte para negociação sem direito ao provento foi definida para 14 de agosto.
A distribuição ocorre em um trimestre de resultados operacionais em linha, com avanço em transmissão e manutenção da estratégia de crescimento da companhia.
Safra mantém Compra
Na avaliação do Safra, a Alupar apresentou resultados consolidados em linha com as estimativas no segundo trimestre.
O banco destaca que a companhia segue executando uma estratégia consistente de entrega de crescimento em seus principais projetos. Além disso, a Alupar busca oportunidades na América Latina com retornos atrativos denominados em dólar.
O Safra mantém recomendação de Compra para a Alupar. A visão positiva considera que a companhia negocia a uma taxa interna de retorno real de 11,3%, acima dos pares do setor de transmissão.