Os dados de exportação de agosto apontam estabilização nas vendas internacionais da Alpargatas (ALPA4). Entre junho e agosto de 2026, os embarques somaram cerca de 3,9 milhões de pares, praticamente estáveis na comparação anual.
O resultado representa uma melhora relevante em relação ao trimestre anterior. Entre abril e junho, os volumes exportados haviam recuado 12% ante o mesmo período de 2025.
Os embarques mais fortes em julho e agosto compensaram o desempenho mais fraco de junho. Com isso, os dados passaram a indicar uma trajetória mais alinhada às projeções para o segundo semestre.
Entre abril e agosto, os volumes cresceram 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O ritmo está próximo da expectativa de alta de 1% para as exportações no segundo semestre de 2026.
Europa pressiona exportações
A Europa foi o principal vetor negativo no período. As exportações para a região somaram cerca de 515 mil pares entre junho e agosto, queda de 38% na comparação anual.
O resultado marca uma reversão após meses de desempenho mais favorável. Ainda assim, o impacto sobre o volume consolidado permanece limitado, pois a região tem participação menor nas exportações totais da companhia.
Além disso, a demanda europeia costuma ser mais fraca no segundo semestre. Esse fator reduz a relevância da queda para a leitura consolidada dos volumes internacionais.
Estados Unidos perdem ritmo
As exportações para os Estados Unidos totalizaram aproximadamente 422 mil pares entre junho e agosto, recuo de 14% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho contrasta com o crescimento de 12% registrado entre abril e junho. A volatilidade mensal dos embarques continua elevada e reduz a probabilidade de uma recomposição mais consistente dos estoques pelo distribuidor local.
O ritmo mais fraco também diminui a possibilidade de as vendas no país superarem de forma relevante a projeção de cerca de 2 milhões de pares exportados em 2026.
Mercados distribuidores avançam
Os mercados distribuidores internacionais foram o destaque positivo do trimestre. Os embarques para esses destinos somaram cerca de 3 milhões de pares entre junho e agosto, alta de 14% na comparação anual.
O avanço foi sustentado por volumes mais fortes em julho e agosto. O desempenho ajudou a compensar a retração observada na Europa e nos Estados Unidos.
A melhora nesses mercados é relevante porque as vendas são mais distribuídas ao longo do ano. No entanto, a base de comparação do segundo semestre de 2025 é mais elevada, o que limita a perspectiva de crescimento mais expressivo no período.
Crescimento deve ser limitado
Os dados mais recentes sugerem que a divisão internacional da Alpargatas deve manter volumes praticamente estáveis no segundo semestre de 2026.
A recuperação dos mercados distribuidores melhora a leitura dos embarques. Porém, a fraqueza na Europa e a perda de ritmo nos Estados Unidos ainda restringem uma expansão mais ampla.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior funcionam como um indicador antecipado para os volumes reportados pela companhia nos meses seguintes. No entanto, os números não representam diretamente a receita, pois podem divergir em razão do prazo dos embarques, dos níveis de estoque e das vendas realizadas por fábricas fora do Brasil.
A ação da Alpargatas negocia a 12,4 vezes o lucro estimado para 2027, acima da média de 7,8 vezes observada entre empresas de consumo discricionário acompanhadas pelo Safra. Assim, a avaliação atual parece refletir grande parte dos fatores positivos da tese de investimento.