A Allos (ALOS3) entregou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, ligeiramente acima das estimativas do Safra. A companhia manteve um desempenho operacional resiliente, apesar de um período de sazonalidade mais elevada.
As vendas totais dos lojistas cresceram 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 10,5 bilhões. Já as vendas por metro quadrado avançaram 4,0% na mesma comparação. Sem o efeito do Shopping Tijuca, o crescimento teria alcançado 4,6%.
A taxa de ocupação ficou praticamente estável, em 96,2%, com queda de 0,2 ponto percentual em um ano. O custo de ocupação chegou a 10,3%, com alta de 0,1 ponto percentual. Além disso, a inadimplência líquida atingiu 1,4%, nível considerado mais saudável pelo Safra.
Receita cresce acima do esperado
A receita da Allos somou R$ 732 milhões no trimestre, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025. O número ficou 6% acima da estimativa do Safra.
O desempenho refletiu, em parte, o reconhecimento de R$ 15 milhões em receitas imobiliárias ligadas à venda de um terreno. Na receita de aluguel, a companhia registrou crescimento de 2,6%, para R$ 499 milhões. Sem o Shopping Tijuca, a alta teria sido de 4,1%.
A receita de serviços também contribuiu para o resultado. O avanço foi de 40% em um ano, impulsionado pela receita de mídia, que superou em 6% a projeção do Safra. Esse crescimento refletiu a expansão das operações da Helloo. As receitas de estacionamento subiram 6,2%, para R$ 133 milhões.
Shopping Tijuca pressiona despesas
Apesar do avanço das receitas, a Allos enfrentou pressão nas despesas com propriedades. O aumento foi de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse movimento teve relação com custos não recorrentes e provisões ligadas ao incêndio ocorrido no Shopping Tijuca no início de janeiro. Como consequência, a margem operacional dos shoppings ficou em 91,8%, queda de 1,5 ponto percentual em um ano.
O resultado operacional líquido dos shoppings somou R$ 601 milhões, alta de 3,7% na comparação anual. O número ficou 1,6% acima da estimativa do Safra, apesar da pressão de custos.
Lucro operacional avança
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado da Allos chegou a R$ 525 milhões no segundo trimestre. O valor representa alta de 10% em um ano e ficou 5% acima da projeção do Safra.
A companhia conseguiu reduzir em 6% as despesas com vendas, gerais e administrativas. Esse controle ajudou a compensar parte da pressão vinda das despesas com propriedades.
A margem operacional ajustada ficou em 71,7%, queda de 0,7 ponto percentual em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o resultado mostrou disciplina de custos em um trimestre marcado por efeitos extraordinários.
Geração de caixa surpreende
O fluxo de caixa operacional ajustado da Allos cresceu 12% em um ano, para R$ 341 milhões. O número superou em 9% a estimativa do Safra.
Segundo o Safra, parte desse desempenho veio do reconhecimento da venda do terreno. Sem esse efeito, a surpresa positiva teria sido de 4%.
A margem do fluxo de caixa operacional ajustado atingiu 46,5%, avanço de 0,1 ponto percentual em um ano. A companhia também contou com menor despesa financeira líquida frente à expectativa do Safra, embora tenha registrado uma carga tributária mais elevada.
Alavancagem segue estável
A Allos encerrou o segundo trimestre com alavancagem financeira de 1,7 vez a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O nível ficou estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação anual.
Os investimentos somaram R$ 89 milhões, queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse recuo reforçou a disciplina de capital da companhia no período.
Safra mantém recomendação de Compra
O Safra avalia que a Allos apresentou métricas operacionais decentes e resultado ligeiramente acima das estimativas. O banco destaca que a receita de mídia e a redução de despesas gerais e administrativas compensaram boa parte da pressão causada pelo Shopping Tijuca.
Com isso, o Safra mantém recomendação de Compra para Allos. A visão considera um dividend yield projetado de 12,9% para o fim de 2026 e uma taxa interna de retorno real de 13% para os fluxos de caixa futuros da companhia.