O Banco Safra ampliou sua cobertura no setor de mineração para incluir produtoras intermediárias de cobre nas Américas e iniciou análise sobre Hudbay Minerals (HBM), Ero Copper (ERO), Capstone Copper (CS) e Lundin Mining (LUN).
A avaliação do banco parte de uma visão favorável para o cobre, mas com seleção criteriosa de ações, diante das diferenças relevantes de execução, custos, crescimento e geração de caixa entre as companhias.
Na leitura do Safra, o mercado de cobre caminha para um aperto estrutural. De um lado, a oferta segue limitada por queda de teor do minério, atrasos em projetos e interrupções recorrentes.
De outro, a demanda mostra aceleração com o avanço da eletrificação, a expansão das fontes renováveis e o crescimento dos data centers ligados à inteligência artificial.
Oferta curta sustenta visão positiva para o cobre
O Safra adota uma premissa conservadora para o preço de longo prazo do cobre, em US$ 5,2 por libra, abaixo da estimativa de US$ 5,49 por libra para 2026. Ainda assim, o banco entende que o patamar permanece suficiente para sustentar uma visão construtiva para a commodity.
Os custos de tratamento e refino em mínimas históricas reforçam esse diagnóstico. Para o Safra, esse movimento evidencia a escassez de concentrado no mercado internacional.
Embora parte das perdas de oferta deva se normalizar com a entrada de novos volumes, a expectativa é de alívio apenas parcial, o que mantém o pano de fundo favorável para os preços.
Hudbay Minerals e Ero Copper lideram preferência
Entre as empresas sob cobertura, o Safra vê em Hudbay Minerals e Ero Copper as teses mais atraentes.
No caso de HBM, o banco destaca uma combinação de crescimento, custos competitivos, exposição ao ouro e potencial geológico. A companhia reúne ativos em jurisdição considerada mais segura, além de projetos de expansão de menor complexidade. O Safra avalia que a ação negocia com desconto em seu modelo, embora reconheça risco de execução, especialmente em Copper Mountain.
Outro ponto favorável está na perspectiva de geração de caixa livre. Segundo o banco, a tendência é de fortalecimento desse indicador a partir de 2029, quando os investimentos em crescimento devem perder intensidade. Antes disso, a empresa ainda oferece retorno interessante quando se exclui o efeito dessa fase de expansão.
Já a ERO aparece como uma história com potencial de reavaliação pelo mercado. O Safra considera o valuation atrativo e vê espaço para melhora com o avanço operacional em Caraíba, Tucumã, Xavantina e com a redução de riscos em Furnas. Para o banco, a tese combina forte geração de caixa com possibilidade de destravar valor à medida que marcos operacionais forem entregues.
Ainda assim, o principal ponto de atenção segue na execução. O histórico de frustrações em projeções da companhia exige cautela. Se a entrega operacional não confirmar a expectativa, a ação pode continuar negociando com desconto.
Capstone Copper tem desconto, mas enfrenta fase de transição
O Safra tem visão neutra para Capstone Copper. Embora reconheça valuation descontado e redução de riscos em projetos como Mantoverde e Santo Domingo, o banco entende que o preço atual já reflete de maneira razoável o estágio de transição da companhia.
A avaliação considera o nível elevado de investimentos, a possibilidade de projeções conservadoras para mais de um ano e uma geração de caixa ainda limitada. Além disso, os ativos com custo mais alto aumentam a sensibilidade da empresa a uma eventual queda no preço do cobre, o que pode pressionar resultados em relação aos pares.
Lundin Mining combina qualidade com preço exigente
Para Lundin Mining, a recomendação também é neutra. O Safra reconhece a qualidade da base de ativos e a opcionalidade de crescimento, especialmente com o potencial de Vicuna. No entanto, avalia que o valuation já incorpora boa parte desses atributos.
Na prática, isso reduz o espaço para uma reprecificação positiva no curto prazo. Os prêmios em múltiplos como valor da firma sobre resultado operacional e geração de caixa tornam a relação entre risco e retorno menos favorável quando comparada à de outras empresas do grupo analisado.
Seleção de ações deve fazer a diferença
A conclusão do Banco Safra é que o cenário para o cobre permanece positivo, mas a escolha dos papéis será decisiva para capturar esse movimento. Em um setor com fundamentos favoráveis, diferenças de execução, custo e disciplina de capital devem separar os vencedores das histórias menos atraentes.
Por isso, HBM e Ero Copper surgem como as principais escolhas do banco entre as produtoras intermediárias de cobre nas Américas. Em ambos os casos, o Safra vê uma combinação mais equilibrada entre valuation, crescimento e potencial de geração de caixa em um mercado que tende a continuar apertado.