Os dados de abril do Instituto Aço Brasil trouxeram sinais mistos para o setor siderúrgico, mas com viés mais construtivo para os produtores com maior exposição a aços planos. As vendas domésticas totais cresceram 7% na comparação anual, para 1,8 milhão de toneladas, enquanto as importações de produtos laminados recuaram 39%.
O resultado mostra um ambiente mais favorável no mercado interno, sobretudo para o segmento de planos. Além disso, tanto os aços planos quanto os longos registraram crescimento nas vendas domésticas no período. As exportações também avançaram nas duas categorias, o que contribuiu para uma leitura operacional mais positiva no mês.
Ainda assim, o dado de consumo aparente seguiu como ponto de atenção. O indicador caiu 3% em relação a abril do ano passado, o que sugere demanda ainda moderada e recuperação menos disseminada ao longo da cadeia.
Aço plano segue em posição mais favorável
Na avaliação do Safra, abril voltou a mostrar um quadro relativamente melhor para aços planos em comparação com aços longos. Essa leitura se apoia, sobretudo, no crescimento das vendas domésticas e na redução mais intensa da pressão competitiva das importações.
As importações de aços planos caíram 42% na comparação anual, para 208 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as exportações do segmento avançaram 126%, para 131 mil toneladas. No mercado doméstico, as vendas de laminados planos subiram 6%, para 1,008 milhão de toneladas.
Esse conjunto de indicadores ajuda a sustentar um ambiente mais benigno para as empresas com maior exposição ao mercado brasileiro de planos. Por outro lado, o consumo de aços planos recuou 6%, para 1,226 milhão de toneladas, o que ainda impede uma visão mais confortável sobre a força da demanda final.
Segmento de longos também melhora, mas com limites
Os números de aços longos também mostraram sinais positivos em abril. As vendas domésticas de laminados longos cresceram 9% na comparação anual, para 766 mil toneladas. Além disso, o consumo de aços longos subiu 2%, para 889 mil toneladas.
As importações do segmento caíram 33%, para 105 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram 3%, para 104 mil toneladas. Esses dados indicam um ambiente de concorrência externa menos intensa e algum suporte adicional para os produtores locais.
Mesmo assim, a leitura para o segmento segue mais equilibrada do que no caso dos aços planos. Isso porque o setor ainda depende de uma demanda doméstica mais firme para sustentar um movimento mais consistente de recuperação ao longo dos próximos trimestres.
Preços do aço podem encontrar suporte
No campo de preços, o Safra avalia que os produtores de aços longos, em tese, têm hoje maior alavancagem para anunciar reajustes do que os fabricantes de bobinas laminadas a quente no Brasil. Esse quadro decorre da diferença de prêmio de paridade entre os produtos.
Segundo dados da Platts citados na análise, os preços domésticos de bobinas laminadas a quente acumulam alta de 9% no ano, enquanto os preços de vergalhão avançaram 4% no mesmo período. Olhando à frente, medidas definitivas de antidumping e o aumento das tarifas de importação para alguns códigos de produtos elevam a chance de um mercado mais equilibrado em 2026.
Se esse cenário se confirmar, o setor pode ganhar espaço para maior disciplina de preços à medida que a cadeia ajusta estoques. O Safra também espera decisão semelhante para bobinas laminadas a quente, embora apenas no fim de 2026.
Demanda ainda contida limita otimismo
Apesar dos sinais melhores em vendas e importações, os dados de abril ainda mostram pontos que recomendam cautela. O principal deles é a fraqueza do consumo aparente, que segue sugerindo demanda moderada.
Outro ponto negativo veio da produção. A taxa de utilização da capacidade de aço bruto caiu 3,2 pontos percentuais em relação ao mês anterior, para 63%. O movimento indica que a atividade industrial do setor ainda opera em ritmo contido.
Além disso, o Safra reconhece que o consumo mais fraco e o menor número de dias úteis em 2026 podem limitar o espaço para altas de preços. Nesse contexto, o mercado pode rever expectativas mais otimistas para o setor caso a recuperação da demanda não ganhe tração.
Usiminas aparece como principal destaque do mês
Com base na exposição das companhias ao mercado doméstico, o Safra avalia que os dados de abril foram mais positivos para a Usiminas (USIM5). Em seguida, a leitura favorece a CSN (CSNA3) e, depois, a Gerdau (GGBR4).
Essa hierarquia reflete justamente o ambiente mais benigno para aços planos, que combinou vendas domésticas mais fortes com menor pressão de importações. Para as empresas mais expostas a esse segmento, os dados do mês ajudam a reforçar uma visão relativamente mais construtiva.
Análise dos especialistas
Os números de abril da Aço Brasil apontaram melhora operacional para o setor, mas sem eliminar os sinais de cautela. As vendas domésticas cresceram, as importações recuaram e as exportações avançaram, o que favoreceu principalmente o segmento de aços planos.
Por outro lado, a queda do consumo aparente e a menor utilização da capacidade mostram que a demanda ainda não se fortaleceu de forma ampla. Para o Safra, o quadro segue mais positivo para a Usiminas, seguida por CSN e Gerdau, em um ambiente que ainda combina oportunidades e limitações para as siderúrgicas locais.