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WEG tem desempenho externo fraco com desvalorização do dólar

O fraco desempenho externo da WEG foi amplamente explicado pela valorização anual de 7.7% do real frente ao dólar


A WEG (WEGE3) reportou resultados mistos no 4T25, com receita e lucro líquido abaixo das expectativas, enquanto a margem EBITDA surpreendeu positivamente. A receita líquida totalizou R$ 10.247 milhões, queda de 5.3% a/a (5% abaixo do consenso e 3% abaixo da estimativa do Banco Safra), pressionada por uma contração de 12% a/a no mercado doméstico e uma queda de 0.5% a/a nos mercados externos.

O fraco desempenho externo foi amplamente explicado pela valorização de 7.7% a/a do real frente ao dólar, dado que a receita denominada em dólar na verdade cresceu 8% a/a.

O EBITDA somou R$ 2.292 milhões (-4% a/a), e a margem EBITDA foi o claro destaque do trimestre, em 22.4%, uma melhora de 30bps a/a e 121bps acima do consenso, refletindo um mix de produtos mais saudável—impulsionado pela menor exposição ao solar—e a execução bem-sucedida do plano de ação da WEG para mitigar o impacto das recentes mudanças tarifárias nos EUA, o que ajudou a compensar tanto a pressão tarifária quanto os preços mais elevados do cobre.

Por fim, apesar da melhora no resultado financeiro e na alíquota de imposto, o lucro líquido ainda caiu 6.3% a/a, alcançando BRL 1.588 milhões (3% abaixo do consenso e 1% abaixo da estimativa do Safra).

A receita do 4T25 da WEG caiu -5.3% a/a, negativamente impactada pelo desempenho doméstico (-12.2% a/a), enquanto as operações internacionais permaneceram praticamente estáveis (-0.5% a/a), já que a valorização de 7.7% a/a do real frente ao dólar afetou negativamente os resultados.

Em base ajustada por câmbio, a receita consolidada teria ficado praticamente estável em 0.4% a/a. Enquanto isso, a receita orgânica (ex Volt Electric, Reivax, Heresite e
Tupi) caiu 6.2% a/a em reais, mas teria sido -1.3% a/a se ajustada pelos impactos cambiais.

Os especialistas do Banco Safra destacam:

  • (i) no mercado doméstico, a receita totalizou R$ 3.88 bilhões (-12.2% a/a, -3% q/q), pressionada pelo segmento GTD (-29% a/a, -8% q/q), refletindo uma base de comparação forte devido às entregas de geração solar no 4T24. Enquanto isso, a receita do segmento EEI aumentou +5.7% a/a e +2.7% q/q, apoiada por uma demanda resiliente por produtos de ciclo curto e longo, apesar de um ambiente restritivo para novos investimentos;
  • (ii) no mercado externo, a receita atingiu R$ 6.36 bilhões no 4T25 (-0.5% a/a em R$; +7.8% em US$), com desempenho resiliente da divisão EEI (-1.1% a/a em R$ e +7.1% a/a em US$), impulsionado por vendas positivas de longo ciclo e entregas de curto ciclo no segmento HVAC. Enquanto isso, as receitas de GTD caíram -0.7% a/a em R$, mas aumentaram +7.6% a/a em US$, beneficiando-se de entregas de T&D nos EUA, mas sendo compensadas por entregas mais fracas na África do Sul e na Colômbia.

O EBITDA da companhia atingiu R$ 2.292 milhões, queda de -4% a/a, enquanto sua margem EBITDA ficou em 22.4% (+30bps a/a e +21bps q/q, +54bps vs. Safra e +121bps acima do consenso).

A melhora de margem foi impulsionada principalmente por um mix de produtos mais favorável (menor participação do solar) e ganhos de eficiência, juntamente com o plano de ação da companhia para mitigar as recentes mudanças tarifárias nos EUA, que compensaram preços mais altos de matérias-primas.

Enquanto isso, o resultado financeiro da companhia melhorou em +R$ 67.8 milhões (vs. +R$ 55.8 milhões no 4T24), e ela registrou uma alíquota efetiva de imposto menor, de 17.6% (vs. 19.6% no 4T24), o que compensou parcialmente o maior nível de depreciação e amortização (+20.8% a/a), levando o lucro líquido para R$ 1.588 milhões (-6.3% a/a, -3.8% q/q e -0.6% vs. Safra), resultando em uma margem líquida de 15.5%, queda de -16bps a/a, -57bps q/q e +29bps acima da estimativa do Safra.



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