A WEG (WEGE3) deve divulgar resultados mais fracos no segundo trimestre de 2026, em meio à desaceleração de receitas e à pressão persistente sobre margens. Ainda assim, o período pode marcar um ponto de inflexão para a retomada gradual do crescimento da companhia ao longo do segundo semestre.
O Safra projeta melhora progressiva das receitas nos próximos trimestres, sustentada por uma base de comparação mais favorável e pela expansão de capacidade produtiva no Brasil.
Receita deve recuar no segundo trimestre
O Safra estima receita líquida de R$ 9,97 bilhões para a WEG no segundo trimestre de 2026.
O valor representa queda de 2,3% na comparação anual, mas avanço de 5,3% frente ao trimestre anterior.
Segundo o banco, o recuo anual reflete principalmente uma base de comparação mais difícil no negócio solar, além de demanda doméstica mais fraca em transmissão e distribuição de energia.
As restrições de capacidade na operação internacional do segmento e a valorização do real frente ao dólar também devem pressionar o desempenho. A moeda americana caiu cerca de 10% na comparação anual, reduzindo o efeito positivo das receitas externas quando convertidas para reais.
Expansão de capacidade pode apoiar retomada
Apesar da expectativa de trimestre mais fraco, o Safra avalia que as tendências de receita devem melhorar gradualmente a partir do terceiro trimestre.
A principal alavanca para essa recuperação deve ser o aumento da capacidade produtiva da unidade de Betim, em Minas Gerais, além da normalização das comparações no negócio solar.
O banco também acompanha os sinais de demanda nos mercados da América do Norte e Europa, especialmente nos segmentos de transmissão e distribuição de energia e equipamentos eletroeletrônicos industriais.
Margens seguem pressionadas
O Safra projeta EBITDA de R$ 2,11 bilhões para o trimestre, queda de 6,5% na comparação anual.
A margem EBITDA estimada é de 21,2%, abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado.
Na avaliação do banco, os custos elevados com mão de obra continuam pressionando a rentabilidade da companhia.
A WEG segue em processo de contratação e treinamento de funcionários para novas unidades, movimento que aumenta despesas operacionais no curto prazo.
Além disso, custos maiores de matérias-primas continuam afetando as margens.
Parte dessas pressões deve ser compensada por um mix de vendas mais favorável, com menor participação do negócio solar, que possui rentabilidade mais baixa.
O Safra também espera melhora gradual do ambiente tarifário a partir da segunda metade de julho.
Lucro líquido deve cair
A projeção do Safra aponta lucro líquido de R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2026.
O número representa queda de 7,5% na comparação anual e fica ligeiramente abaixo das expectativas médias do mercado.
Mercado acompanha impacto de tarifas e expansão
Entre os principais temas monitorados para a teleconferência de resultados, o Safra destaca as perspectivas para normalização das margens ao longo de 2026.
O banco também acompanha os impactos das novas tarifas globais sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Atualmente, o setor enfrenta uma tarifa global de 25%, além de uma cobrança adicional de 12,5% para produtos exportados do Brasil ao mercado americano.
Outro ponto de atenção envolve o ritmo de expansão da capacidade produtiva em transmissão e distribuição de energia e sua contribuição para crescimento e rentabilidade da companhia.
Além disso, investidores devem acompanhar os sinais de recuperação do mercado brasileiro de transmissão e distribuição, que apresentou desempenho mais fraco nos últimos trimestres.