close

Mineração e aço: ouro sustenta resultados e sazonalidade pesa

Setor deve registrar um início de ano mais fraco em minério de ferro e aço, enquanto a alta do ouro favorece Aura Minerals e ajuda a compensar a pressão de custos e volumes


A prévia de resultados dos setores de siderurgia e mineração no primeiro trimestre de 2026 aponta um cenário misto, segundo análise dos especialistas do Banco Safra. De um lado, a sazonalidade típica do início do ano deve pressionar embarques, custos e margens em parte relevante do setor. De outro, a valorização do ouro e a resiliência de algumas operações ajudam a sustentar resultados em nomes específicos.

Nesse contexto, o banco vê Gerdau (GGBR4) e Aura Minerals (AURA33) como os destaques positivos do período. Já CSN Mineração (CMIN3) e CSN (CSNA3) tendem a concentrar as pressões negativas, diante de preços menos favoráveis, menor volume embarcado e desempenho mais fraco em divisões relevantes.

A Vale (VALE3) deve apresentar recuo na comparação com o trimestre anterior. Usiminas (USIM5), por sua vez, tende a mostrar melhora sequencial, embora ainda com números abaixo da expectativa de mercado.

Vale deve sentir o peso de menores embarques

O Safra projeta que a Vale reporte lucro operacional medido pelo Ebitda, desconsiderando os efeitos de Brumadinho, de cerca de 4,1 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2026. O número representa queda de 15% em relação ao trimestre anterior e fica em linha com a expectativa do mercado.

A principal pressão vem da divisão de minério de ferro. O banco estima resultado de 3,2 bilhões de dólares para essa unidade, com recuo de 19%. A queda reflete embarques de 69,6 milhões de toneladas, 18% menores na base trimestral, além de custos mais altos. O preço realizado do minério de ferro deve permanecer estável, em 95,5 dólares por tonelada.

Na divisão de metais básicos, a expectativa também é de leve enfraquecimento. O resultado deve ficar em torno de 1,3 bilhão de dólares, com impacto de menores volumes de cobre e níquel, apesar da alta dos preços dessas commodities no período.

Aura deve se beneficiar da alta do ouro

A Aura Minerals deve registrar uma das melhores dinâmicas do setor no trimestre. O Safra projeta lucro operacional de 251 milhões de dólares, alta de 21% sobre o trimestre anterior.

O avanço deve ocorrer, sobretudo, pela elevação do preço realizado do ouro, estimado em 4.691 dólares por onça, além de embarques ligeiramente maiores. Esse movimento deve compensar custos operacionais mais altos.

Ainda assim, o banco observa que a pressão de custos segue presente em parte das operações. A exceção deve ser Apoena. Já a operação de MSG aparece como principal ponto de atenção, em razão da troca de equipamentos, do avanço no desenvolvimento de túneis e da maior rotatividade de mão de obra.

CSN Mineração deve enfrentar trimestre mais fraco

Para a CSN Mineração, a expectativa é de um trimestre mais pressionado. O Safra estima lucro operacional ajustado de 1,40 bilhão de reais, com queda de 20% frente ao trimestre anterior.

Segundo o banco, o desempenho deve refletir preços realizados menores para o minério de ferro e redução de 17% nos embarques. A queda de custos por tonelada ajuda, mas não deve ser suficiente para neutralizar o efeito da menor receita.

Assim, a companhia aparece entre os destaques negativos da prévia, em um ambiente menos favorável para produtores de minério de ferro mais expostos à sazonalidade do período.

Gerdau deve se destacar com avanço na América do Norte

A Gerdau tende a apresentar um dos melhores desempenhos entre as companhias cobertas pelo Safra. A projeção é de lucro operacional de 2,86 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, com alta de 20% sobre o trimestre anterior e resultado acima do esperado pelo mercado.

O principal vetor de crescimento deve ser a operação na América do Norte. O Safra prevê expansão de 20% no resultado da divisão, apoiada por aumento dos embarques, preços realizados mais altos em reais e redução de custos por tonelada.

No Brasil, a expectativa também é de melhora, embora em ritmo mais moderado. Menores despesas, menos paradas para manutenção e redução do custo do minério de ferro devem compensar a queda dos embarques. Na América do Sul, o banco projeta estabilidade.

CSN deve recuar mesmo com apoio de cimento e energia

A CSN deve reportar lucro operacional de 2,56 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026. Isso representa queda de 23% em relação ao trimestre anterior e um resultado abaixo da projeção do mercado.

O recuo deve ser puxado por três frentes. O Safra espera números mais fracos em aço, mineração e logística. Em contrapartida, cimento e energia devem apresentar melhora, mas sem força suficiente para inverter a tendência consolidada do trimestre.

No aço, a pressão deve vir de preços mais baixos nas exportações e custos maiores. Em mineração, a expectativa segue mais fraca diante do ambiente menos favorável para volume e rentabilidade. Já a área de logística também deve perder tração na comparação trimestral.

Usiminas deve melhorar com reação no aço

A Usiminas deve mostrar recuperação na comparação com o trimestre anterior. O Safra projeta lucro operacional ajustado de 456 milhões de reais, alta de 9%.

A melhora deve vir principalmente da divisão de aço. O banco estima avanço de 44% no resultado do segmento, impulsionado por preços mais altos no mercado doméstico e nas exportações. Esse efeito deve superar a redução dos embarques totais e o aumento do custo por tonelada.

Na mineração, porém, o quadro é mais fraco. A expectativa é de recuo de 30% no resultado, com menores embarques, preço estável do minério de ferro e custos mais altos.

O que esperar do setor

A leitura do Safra para o primeiro trimestre de 2026 sugere um setor dividido entre pressões sazonais e vetores pontuais de recuperação. Em minério de ferro, volumes menores e custos mais altos devem limitar o desempenho de empresas como Vale, CSN Mineração e CSN.

Por outro lado, a alta do ouro favorece a Aura Minerals, enquanto a operação da Gerdau na América do Norte reforça uma dinâmica mais construtiva para a companhia. A Usiminas aparece em posição intermediária, com melhora em aço e fraqueza em mineração.

Para o investidor, o trimestre deve reforçar a diferença entre empresas mais expostas à sazonalidade do minério de ferro e companhias com motores mais específicos de crescimento. Essa distinção tende a orientar a leitura do mercado ao longo da temporada de resultados.



OUTRAS ANÁLISES

Abra sua conta