O Banco Safra elevou o preço-alvo da ação da Vale (VALE3) para final de 2026 para R$86,0/ação, mas rebaixou a recomendação da ação para Neutro. A recomendação de compra era mantida desde fevereiro de 2025, e o papel alcançou valorização de cerca de 52% desde então.
As ações de mineração tiveram bom desempenho em 2025, mas a VALE3 superou pares e preços das commodities, sugerindo potencial de underperformance caso os preços recuem dos níveis atuais sem precedentes.
Nas estimativas do Banco Safra, VALE negocia a 4,0x EV/EBITDA 2026E e oferece um yield médio de FCF de 10% até 2028 —
3,1x EBITDA e 16% de yield a preços spot, o que reconhecemos como forte.
Embora o carry permaneça sólido e acima dos pares australianos, a diferença de valuation diminuiu. O Safra está mais construtivo em metais do que em minério de ferro — favorecendo os pares da Vale — e não espera que a Vale anuncie dividendos extraordinários antes de meados de 2027 se não houver mudanças nas metas de dívida líquida ampliada.
Os especialistas do Safra acreditam que o rali do minério de ferro carece de suporte fundamental e esperam que os preços caiam de US$ 111/t para US$ 94/t até o final de 2026, mesmo que haja ganhos adicionais antes de uma tendência de queda.
As margens dos siderúrgicos chineses estão negativas e vemos espaço limitado para melhora, a menos que os esforços anti-involução acelerem, já que o Safra espera queda na demanda por aço, decorrente de maior deterioração da atividade imobiliária, e exportações chinesas em meio a atrasos causados por exigências de licenciamento em 2026, pressionando ainda mais o balanço local de oferta/demanda.
Os preços do minério subiram
A produção de aço e a utilização de altos-fornos caíram, enquanto os estoques de aço e minério subiram. O Safra também destaca que os comentários recentes sobre estímulos econômicos na China favorecem metais da transição energética (Cu/Al, Ni, Li) em vez de aço e minério.
Em perspectiva global, um aumento modesto na produção de aço em 2026 não compensará a oferta adicional de Simandou e das majors (Austrália e Vale).
Revisão de estimativas para VALE3
O Safra revisou as projeções de EBITDA para a Vale para US$ 18,0 bilhões em 2026 (+8% vs. anterior; e +11% vs. consenso) e USD 17,0 bilhões em 2027 (+1% e +8%, respectivamente), refletindo preços mais fortes e melhor desempenho de custos, especialmente em metais da transição energética, destacando a contribuição de subprodutos.
O EBITDA de Soluções em Minério de Ferro aumentou ~1%–2% em 2026, sustentado por preços realizados mais altos, parcialmente compensado por volumes ligeiramente menores de finos e pelotas.
O EBITDA de metais da transição energética foi o principal driver positivo, liderado pelo cobre. O EBITDA de cobre aumentou 32% em 2026 e 12% em 2027, impulsionado por preços realizados mais altos e menores custos de breakeven (USD –193/t
em 2026 e USD –312/t em 2027).
O EBITDA de níquel subiu fortemente (+51% em 2026; +26% em 2027), refletindo preços realizados mais altos e queda no breakeven para USD 10.951/t em 2026 (–5%) e USD 11.266/t em 2027 (–1%).
Diferentes metodologias de SOTP mostram uma relação risco-retorno assimétrica, impedindo uma recomendação UP, segundo a análise do Safra: .
(i) O preço atual da VALE e as estimativas implicam múltiplo descontado para Iron Ore Solutions (IOS) (~3,6x EBITDA 2026E), o que limita downside a menos que os fundamentos se deteriorem significativamente.
(ii) SOTP usando múltiplos médios de 5 anos de pure players (ex.: 4,2x para minério, 6,5x para níquel e 8,0x para cobre) ancora
um valor justo normalizado de USD 17,8/ADR, destacando upside mesmo sem mudança macro otimista.
(iii) SOTP com múltiplos spot de pure players enquadra a opcionalidade de upside, com valor justo de USD 26,1/ADR.
"Em resumo, o valuation é sustentado por múltiplos implícitos baratos, enquanto qualquer re-rating — especialmente em
minério e cobre — pode destravar valor e opcionalidade para o carve-out/spin-off da VBM", conclui a análise do Banco Safra.