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Vibra Energia e Ultrapar avançam com margens maiores

A melhora do ambiente competitivo na distribuição de combustíveis leva o Safra a elevar o preço-alvo das duas empresas e a recomendar a compra das ações da Ultrapar


O Banco Safra atualizou as estimativas para a Vibra Energia (VBBR3) e a Ultrapar (UGPA3) após os resultados do segundo trimestre de 2026. A principal mudança veio da expectativa de margens mais altas na distribuição de combustíveis.

O banco também incorporou às projeções a melhora do ambiente competitivo no setor. Segundo a análise, a redução das assimetrias de mercado e a perspectiva de margens estruturalmente maiores até 2027 podem sustentar uma nova valorização das ações.

Apesar da alta recente dos papéis, o Safra mantém uma visão positiva para as duas empresas. A avaliação considera tanto a melhora dos fundamentos quanto os preços ainda atrativos em relação ao histórico.

Ações ainda estão descontadas

As ações da Vibra e da Ultrapar continuam negociadas a múltiplos de preço sobre lucro inferiores aos registrados antes da guerra e abaixo das médias dos últimos três anos.

Esse período incluiu um ambiente operacional mais difícil, marcado por margens menores. Por isso, o Safra avalia que a recuperação da rentabilidade ainda não foi totalmente refletida nos preços dos papéis.

A reprecificação dos múltiplos, ou seja, a possibilidade de o mercado aceitar pagar mais pelas ações, é um dos principais pilares da tese de investimento. A expectativa considera margens ainda abaixo dos níveis observados durante o período da guerra.

Vibra Energia é a principal escolha

O Safra reiterou a recomendação de compra para a Vibra e elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 47 por ação. O novo valor representa um potencial de valorização de 38% em relação à cotação considerada na análise.

A empresa permanece como a principal escolha do banco no segmento. Além do maior potencial de alta, a Vibra apresenta maior exposição à distribuição de combustíveis e maior visibilidade sobre a alocação de capital.

O Safra projeta margens unitárias de R$ 328 por metro cúbico em 2026, R$ 200 por metro cúbico em 2027 e R$ 210 por metro cúbico, em termos reais, a partir de 2028.

Margens mais robustas devem fortalecer a geração de caixa e contribuir para a redução do endividamento. A projeção indica que a alavancagem da Vibra pode cair de 2,9 vezes ao final de 2025 para 0,9 vez ao final de 2026.

A expectativa é que a maior geração de caixa seja direcionada principalmente à redução da dívida.

Ultrapar ganha recomendação de compra

O Safra elevou a recomendação da Ultrapar de neutra para compra. O preço-alvo passou de R$ 32 para R$ 43 por ação, o que indica potencial de valorização de 24%.

A nova tese para a Ultrapar está principalmente relacionada à expectativa de margens maiores na Ipiranga. O Safra projeta margens unitárias de R$ 322 por metro cúbico em 2026, R$ 190 por metro cúbico em 2027 e R$ 200 por metro cúbico, em termos reais, a partir de 2028.

A melhora das margens deve impulsionar a geração de caixa e reduzir o endividamento da companhia. A alavancagem projetada é de 0,9 vez ao final de 2026 e de 1 vez ao final de 2027.

Com uma estrutura de capital mais confortável que a da Vibra, a Ultrapar pode ter mais espaço para distribuir dividendos. No entanto, a visibilidade limitada sobre a alocação de capital continua como um ponto de atenção.

O Safra não fez alterações relevantes nas estimativas para os demais negócios da Ultrapar.

Comerc continua como ponto de atenção

Na Vibra, o Safra espera que o curtailment, que corresponde à redução ou interrupção da geração de energia, continue pressionando os resultados da Comerc.

A projeção indica níveis de 20% em 2026 e 15% em 2027. Esse fator pode limitar parte dos benefícios gerados pelas margens maiores na distribuição de combustíveis.

Ainda assim, o Safra considera que a atividade principal da Vibra deve continuar sustentando a geração de caixa da companhia.

Riscos permanecem no radar

A análise destaca riscos comuns às duas empresas, como mudanças na regulação, alterações na política de preços da Petrobras, concorrência desleal e mudanças no sistema tributário.

No caso da Vibra, também estão no radar o vencimento do contrato de uso da marca BR e os efeitos do curtailment sobre os resultados da Comerc.

Para a Ultrapar, os principais riscos envolvem a exposição regulatória da distribuição de gás liquefeito de petróleo e possíveis impactos de operações de fusões e aquisições.

Mesmo com esses riscos, o Safra avalia que a melhora do ambiente competitivo e a perspectiva de margens maiores podem sustentar a valorização das ações de Vibra e Ultrapar.



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