Os dados preliminares de abril de 2026 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, reforçam uma leitura construtiva para o setor de distribuição de combustíveis. Embora os volumes combinados de diesel, gasolina e etanol tenham recuado 7% na comparação com março, para 11,4 milhões de metros cúbicos, o conjunto dos indicadores ainda sugere um segundo trimestre forte para as empresas do segmento.
A leitura mais favorável decorre da combinação entre preços domésticos ainda descontados em relação à paridade internacional, avanço das margens da gasolina e manutenção de um ambiente operacional saudável. Além disso, maio começou com sinais positivos, ainda que em intensidade menor do que a observada em abril.
Volumes caem, mas quadro segue positivo
A queda mensal nas vendas em abril atingiu todo o setor. Ainda assim, o desempenho não alterou a percepção de que o trimestre caminha para um resultado robusto. Em mercados de combustíveis, oscilações mensais podem refletir fatores sazonais, dinâmica de estoques e movimentos pontuais de demanda.
Nesse contexto, o principal ponto é que a retração de abril não veio acompanhada de deterioração ampla dos demais indicadores. Ao contrário, preços, margens e participação de mercado seguiram mostrando sinais mistos, porém com viés ainda favorável para as distribuidoras.
Raízen amplia participação
Entre as principais companhias do setor, a Raízen (RAIZ4) foi a que mais se destacou em participação de mercado. A empresa avançou 1 ponto percentual em abril e alcançou 19% do mercado.
A Vibra Energia (VBBR3) manteve sua fatia em 22%, enquanto a Ultrapar (UGPA3), dona da Ipiranga, preservou participação de 18%. Já o grupo das demais distribuidoras perdeu 1 ponto percentual e ficou com 41%.
O movimento sugere que, mesmo em um mês de retração generalizada de volumes, houve recomposição competitiva entre os principais operadores. No caso da Raízen, o ganho de participação reforça um dos sinais mais positivos dos dados de abril.
Preços seguem descontados
Outro fator relevante para o setor está na defasagem entre os preços domésticos e a paridade internacional. Desde o último relatório, os preços de diesel e gasolina permaneceram inalterados no mercado interno.
Com isso, o diesel passou a operar com desconto de 49% em relação ao preço de paridade de importação, enquanto a gasolina registrou desconto de 88%. Esse quadro tende a sustentar uma leitura favorável para as distribuidoras, já que reduz parte da pressão competitiva ligada ao produto importado, embora esse efeito não elimine todos os riscos.
Margens mostram sinais mistos
No campo das margens, abril trouxe uma fotografia menos uniforme. A margem do diesel caiu R$ 0,23 por litro desde o relatório anterior, o que representa o principal fator negativo do período.
Por outro lado, a margem da gasolina subiu R$ 0,03 por litro. Esse avanço ajuda a compensar parte da pressão vista no diesel e melhora a composição de rentabilidade das distribuidoras com exposição relevante ao combustível.
Além disso, o preço médio do biodiesel em maio está, até agora, 4% abaixo da média de abril. Se essa tendência se mantiver, o movimento pode contribuir para aliviar custos ao longo do trimestre.
Importações de diesel sobem
O principal ponto de atenção veio das importações consolidadas de diesel, que cresceram 14% em abril na comparação com março. O aumento foi impulsionado sobretudo pelo avanço dos volumes originados da Rússia.
Esse movimento importa porque eleva a concorrência em um mercado sensível a preço e pode pressionar margens, especialmente em momentos de demanda menos aquecida. Por isso, mesmo com a leitura positiva para o trimestre, a trajetória das importações segue como variável relevante para acompanhar nos próximos meses.
Maio continua forte
Os sinais iniciais de maio indicam continuidade de um ambiente favorável para o setor, embora em ritmo menos intenso do que em abril. A combinação entre preços domésticos descontados, boa dinâmica competitiva entre as líderes e custos mais comportados em alguns insumos sustenta essa avaliação.
Na prática, os dados sugerem que Vibra Energia, Raízen e Ultrapar caminham para entregar um segundo trimestre sólido, ainda que com diferenças de desempenho entre elas.
O que os dados indicam para o setor
O saldo de abril é positivo para as distribuidoras de combustíveis. De um lado, a queda dos volumes e a compressão das margens do diesel exigem cautela. De outro, o ganho de participação da Raízen, os descontos dos preços domésticos frente à paridade internacional e a melhora da margem da gasolina mantêm o setor em terreno favorável.
Em síntese, os números de abril de 2026 reforçam a percepção de que o segundo trimestre deve ser robusto para a distribuição de combustíveis. O quadro não é isento de riscos, sobretudo por causa das importações de diesel, mas o pano de fundo permanece construtivo.
Se quiser, eu também posso adaptar este texto para um formato mais analítico, com tom de relatório de mercado, ou para uma versão mais jornalística, com cara de destaque de home do portal.