O Safra elevou a recomendação para a TOTVS (TOTS3) de Neutro para Compra e iniciou cobertura com preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2026, ante R$ 47 anteriormente. Após a forte correção das ações em fevereiro, o banco avalia que o mercado abriu um ponto de entrada mais atrativo para um ativo considerado de alta qualidade no setor de tecnologia corporativa.
A queda recente levou o papel a negociar a múltiplos inferiores às médias históricas, mesmo diante de fundamentos operacionais resilientes. Segundo o Safra, a valorização que antes parecia esticada agora oferece uma relação risco-retorno mais favorável para o investidor de longo prazo.
ERP como infraestrutura crítica em um mundo de IA
Em um ambiente global marcado pelo avanço acelerado da inteligência artificial generativa, o Safra avalia que o mercado tem superestimado os riscos de disrupção para modelos tradicionais de software como serviço. No caso da TOTVS, o banco entende que os sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERP) core atuam como infraestrutura essencial para empresas, ao gerenciar dados complexos, regulatórios e altamente localizados.
Esse papel estrutural torna o ERP menos suscetível a substituições abruptas, especialmente em comparação com soluções SaaS mais comoditizadas. Além disso, a TOTVS vem adotando uma estratégia ofensiva em IA, com investimentos relevantes em sua plataforma Lynn, reforçando a relevância do software no dia a dia das empresas.
Investimentos em IA elevam custos de troca
O Safra destaca o compromisso de cerca de R$ 600 milhões em CAPEX para o desenvolvimento da plataforma Lynn, baseada em um ecossistema de Agent Store e no modelo TaaS, Task as a Service. Essa abordagem permite a automação de fluxos de trabalho e amplia a integração do ERP aos processos críticos dos clientes.
Na avaliação do banco, essa estratégia aumenta estruturalmente os custos de troca, fortalece a fidelização e reduz o risco competitivo em um cenário global de rápida inovação tecnológica.
Revisão de estimativas e eficiência operacional
As estimativas foram revisadas para baixo, refletindo principalmente a exclusão da Dimensa, e não uma deterioração da demanda orgânica por ERP. O segmento de Management permanece resiliente, enquanto ganhos de eficiência operacional devem surgir da diluição de despesas administrativas.
O Safra projeta uma expansão de 0,3 ponto percentual na margem EBITDA ajustada em 2026, mesmo com premissas mais conservadoras para as receitas da RD Station e da Techfin. Como resultado, o banco estima que a TOTVS deve alcançar lucro líquido Non-GAAP de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em 2026.
O preço-alvo de R$ 50 por ação, obtido por meio de fluxo de caixa descontado, implica um potencial de valorização de 36% em relação ao preço atual. A revisão incorpora uma redução de 40 pontos-base no WACC, para 12,2%, em linha com o novo cenário macroeconômico.
Considerando a incorporação da Linx, o valor justo potencial pode chegar a R$ 51,60 por ação, o que representa criação de valor incremental relevante. Atualmente, a TOTVS negocia a cerca de 20 vezes o lucro projetado para 2026, abaixo das médias históricas de três e cinco anos.
Cenário global exige seletividade
Em um contexto internacional marcado por desaceleração econômica em economias centrais, juros ainda elevados e reprecificação de ativos de tecnologia, o Safra reforça a importância de seletividade. Empresas com modelos defensivos, receitas recorrentes e capacidade de investimento em inovação tendem a atravessar esse ambiente com maior previsibilidade.
Nesse cenário, a TOTVS se posiciona como um ativo defensivo dentro do setor de tecnologia, com crescimento sustentado e barreiras competitivas relevantes.
Entre os principais riscos monitorados pelo Safra estão uma atividade macroeconômica mais fraca, que pode elevar o churn entre pequenas e médias empresas, desafios na integração da Linx, desaceleração mais acentuada na RD Station e deterioração da qualidade dos ativos da Techfin.