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Sabesp detalha estratégia após privatização e reforça plano de crescimento

Sabesp apresenta avanços após a privatização, reforça investimentos em água e eficiência, mas valuation ainda limita alta das ações


A Sabesp (SBSP3) realizou em 9 de abril seu primeiro Investor Day após a privatização. O encontro reuniu o presidente-executivo Carlos Piani, o diretor financeiro e de relações com investidores Daniel Szlak e outros executivos da companhia.

Ao longo da apresentação, a empresa detalhou os principais marcos dos últimos 18 meses, mostrou a situação atual das operações e apresentou as prioridades estratégicas para os próximos anos. O evento reforçou a mensagem de que a companhia busca acelerar ganhos de eficiência e, ao mesmo tempo, preparar a base para uma nova etapa de crescimento.

Eficiência ganha espaço após a privatização

Entre os principais pontos destacados pela administração, os avanços em eficiência operacional ocuparam posição central. A Sabesp ressaltou os resultados do programa de desligamento voluntário, a reformulação da política de remuneração variável e a criação de novos mecanismos de incentivo ligados a metas operacionais.

Além disso, a companhia destacou iniciativas para integrar e coordenar melhor suas operações. Um dos exemplos é a criação de um centro de operações integrado, com a proposta de unificar a gestão desde a produção e distribuição de água até as etapas finais de coleta e tratamento de esgoto.

Na prática, a sinalização é clara. A empresa quer operar com mais disciplina, ampliar produtividade e capturar ganhos recorrentes de custos em toda a cadeia.

Segurança hídrica entra no centro da estratégia

A Sabesp também dedicou parte relevante do evento ao tema da segurança do abastecimento. A administração reconheceu um cenário hidrológico mais restritivo nos últimos anos e detalhou as medidas adotadas para enfrentar esse contexto.

Entre as ações em andamento, a companhia citou esforços para reduzir perdas de água, elevar a flexibilidade da operação e reforçar a gestão da oferta em momentos de maior pressão. Também indicou investimentos previstos até 2030 para ampliar a disponibilidade hídrica.

Esse ponto tende a seguir no radar do mercado. Em uma empresa de saneamento, a capacidade de garantir abastecimento com previsibilidade tem impacto direto sobre operação, qualidade do serviço e percepção regulatória.

Digitalização e medição inteligente avançam

Outro eixo importante da apresentação foi a estratégia comercial e operacional apoiada em tecnologia. A Sabesp informou que vem ampliando sua frente digital, com novos meios de pagamento, aplicativos e melhorias no relacionamento com clientes.

Ao mesmo tempo, a companhia apresentou avanços na infraestrutura de medição. O plano prevê substituir 4,4 milhões de hidrômetros, de um total próximo de 10 milhões. A iniciativa busca melhorar a leitura de consumo, reduzir perdas e aumentar a eficiência comercial.

Segundo a própria empresa, apenas o projeto de medição inteligente teria potencial para gerar valor presente líquido de R$ 4 bilhões. Além disso, a automação deve ajudar a identificar perdas de água e outros desvios operacionais com mais rapidez.

Expansão pode abrir novas frentes de crescimento

A administração também sinalizou que a Sabesp avalia novas rotas de crescimento além da operação atual. Entre as possibilidades citadas estão novos serviços e produtos, expansão para além do estado de São Paulo, atuação em outras regiões e até no exterior.

Nesse contexto, o mercado deve acompanhar de perto as discussões sobre o programa Universaliza, cujo lançamento é esperado até o fim de 2026. A companhia ainda mencionou a possibilidade de adicionar novos segmentos de infraestrutura ao portfólio no futuro.

A mensagem do evento foi de uma empresa que não pretende limitar sua agenda à execução do negócio atual. Ao contrário, a Sabesp busca combinar melhoria operacional com expansão seletiva.

Visão dos especialistas para as ações

A leitura do Safra para o Investor Day foi positiva. O evento reforçou a avaliação de que a Sabesp é uma empresa bem administrada, com execução consistente no processo de transformação e desempenho de custos acima do esperado pelo mercado.

Ainda assim, o banco mantém recomendação neutra para a ação SBSP3. O principal motivo está no valuation. Nos níveis atuais, o Safra vê espaço mais restrito para valorização, mesmo diante de perspectivas operacionais favoráveis.

A Sabesp negocia a uma taxa interna de retorno real próxima de 7%, abaixo da média do setor, em torno de 9%. Além disso, o papel é negociado a cerca de 16 vezes preço sobre lucro, ante 14 vezes do setor. Em outras palavras, a qualidade da execução já parece refletida de forma relevante na cotação.

O que fica para o investidor

O Investor Day confirmou uma Sabesp mais organizada, com foco em eficiência, disciplina operacional e expansão de longo prazo. A companhia mostrou avanços concretos desde a privatização e reforçou iniciativas que podem sustentar resultados mais fortes nos próximos anos.

Por outro lado, a ação já incorpora parte importante dessa melhora. Por isso, embora o cenário operacional siga construtivo, o retorno potencial parece mais moderado no curto prazo.

Para o investidor, a principal conclusão é direta. A Sabesp entregou uma mensagem positiva sobre execução e estratégia, mas o preço atual das ações limita uma visão mais otimista sobre valorização adicional.



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