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Especialistas destacam resultados do trimestre e revisões de cenário

Análises mostram um início de ano marcado por resultados resilientes em setores como energia, petróleo, varejo, saúde, construção, bancos, telecomunicações e indústria, embora com pressões pontuais sobre margens, custos e alavancagem


Energia e petróleo concentram parte das atenções

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 trouxe um quadro heterogêneo entre companhias de infraestrutura e commodities. Na leitura do Banco Safra, a Energisa (ENGI11) entregou um trimestre sem grandes surpresas operacionais, mas com números afetados por maiores provisões. O EBITDA ajustado cresceu 7% na comparação anual, embora tenha ficado abaixo da estimativa do banco, pressionado por inadimplência maior, corte de subsídio de baixa renda em Mato Grosso do Sul e efeitos não recorrentes de marcação a mercado.

Ainda assim, os especialistas ressaltam que a companhia manteve evolução compatível com o esperado em distribuição, mostrou melhora relevante em trading e preservou bom controle de custos. Com isso, o banco reiterou recomendação de compra, apoiada na avaliação considerada atrativa.

No caso da Petrobras (PETR4), o Safra avalia que o trimestre ficou abaixo da expectativa no resultado recorrente, sobretudo por um efeito de timing. Segundo o banco, preços mais altos e volumes maiores ainda não apareceram de forma plena nos números, por causa de defasagens na precificação de exportações, cargas em trânsito e eliminações entre segmentos.

Mesmo assim, o trimestre mostrou avanço sequencial no EBITDA ajustado recorrente, com destaque para a recuperação do refino. Para o Safra, os fundamentos seguem sólidos e parte dos benefícios deve aparecer no segundo trimestre.

Já a PetroReconcavo (RECV3) reportou produção ligeiramente mais fraca em abril. A queda decorreu principalmente de paradas não programadas e interrupções no fornecimento de energia, sobretudo no ativo Potiguar. Na Bahia, a produção ficou mais estável, com alta de gás compensando parte da fraqueza em óleo.

Varejo e consumo exibem desempenhos distintos

No consumo discricionário, o Safra aponta leituras diferentes entre as empresas analisadas. A Track & Field (TFCO4) teve um trimestre considerado neutro. A receita cresceu em linha com o esperado, sustentada por novas lojas e pela remodelação da base existente.

Por outro lado, a rentabilidade recuou por causa de um mix de vendas menos favorável. Ainda assim, o banco vê a companhia bem posicionada para capturar crescimento adicional e manteve recomendação de compra.

O Grupo SBF (SBFG3) apresentou, na visão do Safra, resultados sólidos. A receita avançou 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, com destaque para a força das lojas Centauro e para a recuperação da Fisia. A margem recuou, mas em linha com o previsto, refletindo investimentos para sustentar o crescimento.

O aumento da alavancagem exige atenção, embora o banco veja esse movimento como compatível com a formação de estoques para a Copa do Mundo de 2026. A recomendação também permaneceu em compra.

Já a Natura (NTCO3) teve um trimestre fraco. A análise destaca queda de receitas em quase todas as subcategorias, nova desaceleração da Natura Brasil e continuidade do desempenho severamente pressionado da Avon na América Latina. Além disso, a rentabilidade veio abaixo do esperado. Diante da baixa visibilidade para uma recuperação mais consistente, o banco reiterou recomendação neutra.

Construção mantém força operacional

Entre as incorporadoras, a Direcional (DIRR3) entregou um trimestre sólido, em linha com as projeções do Safra. O banco destaca o crescimento de 30% da receita, a margem bruta ajustada recorde de 42,9% e a expansão do lucro, em um ambiente ainda marcado por pressões inflacionárias. A geração de caixa recorrente também superou ligeiramente o esperado.

Na avaliação dos especialistas do Safra, a companhia segue bem posicionada para atravessar um cenário de custos mais altos, apoiada por ganhos de eficiência e pela acessibilidade recorde no programa habitacional. Por isso, o banco reiterou a Direcional como sua principal escolha no setor.

Saúde ainda exige cautela

A Hapvida (HAPV3) registrou surpresa positiva no trimestre, com EBITDA ajustado acima das estimativas do Safra e do consenso. O principal fator foi uma sinistralidade caixa melhor do que o esperado, em uma base de comparação especialmente fraca.

Apesar disso, o banco adota tom cauteloso. A companhia ainda perdeu beneficiários de forma orgânica, as despesas administrativas seguiram pressionadas e as mudanças recentes na gestão ainda não tiveram tempo de se refletir na operação. Por esse motivo, o Safra manteve recomendação neutra e afirmou que ainda espera sinais mais consistentes de uma virada estrutural.

Shoppings e telecom reforçam agenda de eficiência

A Multiplan (MULT3) anunciou a venda de uma participação minoritária no ParkShoppingBarigüi. Para o Safra, a transação é positiva para os acionistas. Se entende que o negócio ocorreu em patamar atrativo, preserva participação relevante da companhia no ativo e ainda acrescenta potencial de receita com taxa de administração sobre a fatia vendida.

Na Telefônica Brasil (VIVT3), a leitura combina pontos positivos e pressões pontuais. De um lado, pós-pago e fibra continuam sustentando o desempenho, com avanço da convergência do Vivo Total e melhora contínua no mix de clientes. De outro, o EBITDA veio abaixo do esperado por causa de despesas maiores com aparelhos e inadimplência de um cliente corporativo específico.

Na teleconferência, a companhia reforçou que o calendário de reajustes segue em curso, que a convergência continua avançando e que a piora da inadimplência é pontual. Também sinalizou uma visão mais robusta para distribuição de capital em 2026, além de avanços em monetização e eficiência com inteligência artificial.

Bancos mostram debate entre crescimento e rentabilidade

No setor financeiro, o Safra viu o evento com investidores do Inter (INBR32) como insuficiente para mudar a visão mais conservadora sobre a ação. A avaliação é que a nova narrativa de equilíbrio entre crescimento e retorno traz pouco mérito analítico diante da desaceleração do retorno sobre o patrimônio e dos questionamentos sobre qualidade dos ativos. Além disso, a meta de retorno foi adiada e ampliada para uma faixa mais aberta. A recomendação se mantêm neutra.

Em sentido oposto, o BTG Pactual (BPAC11) voltou a superar o ceticismo do mercado. O Safra destacou o crescimento robusto das receitas, o bom desempenho de banco de investimento e mesa de operações em um ambiente mais desafiador e o forte momento da operação de crédito ao consumidor. Houve pressão em despesas, atribuída à integração do Pan, mas o acredita-se que o mercado deve dar mais peso à surpresa positiva na receita. A recomendação de compra foi mantida.

Indústria e papel seguem em compasso de ajuste

A Suzano (SUZB3) atualizou metas de dívida líquida, alavancagem e custo caixa de produção. Para o Safra, o anúncio veio em linha com a expectativa de forma geral. O banco considera crível a trajetória de desalavancagem, embora sensível ao câmbio e aos preços da celulose.

Em custos, a indicação para o segundo trimestre sugere pressão adicional no curto prazo, mas a média projetada para 2026 aponta alívio no segundo semestre. O Safra manteve recomendação de compra.

A Dexco (DXCO3), por sua vez, segue no caminho correto em seu processo de recuperação, segundo o banco. Os especialistas do Safra elevaram o preço-alvo e reiteraram compra, ao entender que o mercado ainda subestima o potencial de melhora operacional. A análise destaca que a recuperação depende menos de mercados mais fortes e mais de execução disciplinada em madeira, louças e revestimentos.

Proteínas e bens de capital trazem sinais mistos

No setor de alimentos e bebidas, houve uma primeira semana de maio forte para volumes de exportação de proteínas, com destaque para a carne bovina. Os spreads desse segmento melhoraram, ao passo que aves e suínos sofreram com custos mais altos de insumos. Na visão dos especialistas, o cenário de exportação parece mais favorável para a carne bovina.

Na Marcopolo (POMO4), os dados da Fabus trouxeram leitura ligeiramente positiva. A produção cresceu em abril, impulsionada pelos micro-ônibus, em especial por entregas ligadas ao Ministério da Saúde. No entanto, o mix piorou, com menor participação de rodoviários e exportações mais fracas.

Tecnologia internacional reforça ciclo de investimentos

Entre as companhias globais acompanhadas, a NVIDIA (NVDA34) tem cenário positivo para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027. O Safra projeta resultados sólidos, sustentados pela aceleração dos investimentos em inteligência artificial por grandes clientes e pela demanda robusta dos usuários finais.

Na avaliação do banco, o segmento de centros de dados segue como principal motor da empresa. Além disso, os sinais de maior uso de inteligência artificial em produtos e processos de companhias de software reforçam a leitura de continuidade da demanda por infraestrutura.

O que une as leituras dos especialistas do Safra

As análises reunidas mostram um primeiro trimestre de 2026 marcado menos por rupturas e mais por ajustes finos de trajetória. Em vários casos, os resultados vieram pressionados por efeitos temporários, provisões, mix de receitas ou custos mais altos. Ao mesmo tempo, muitas empresas preservaram crescimento de receita, disciplina operacional e vetores claros para os próximos trimestres.



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