A Raízen (RAIZ4) registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, principalmente devido a uma provisão de R$ 11,1
bilhões, que deve ser o principal destaque do trimestre.
A provisão refere se ao impairment (perda de valor) de certos ativos, como tributos diferidos, propriedades e goodwill, decorrentes do fato de que, no nível atual de alavancagem e nas condições do mercado de crédito, há significativa incerteza sobre o fluxo de caixa da empresa, potencialmente afetando suas operações.
Embora não envolva desembolso de caixa e possa ser revertida, a provisão evidencia a complexidade da situação financeira da companhia e o impacto da demora em adotar medidas mais definitivas para ajustar sua estrutura de capital, como um aumento de capital e novas vendas de ativos.
Rebaixamentos recentes de rating elevaram os custos de financiamento, e o desempenho negativo das ações pode tornar emissões de capital mais dilutivas, prejudicando a confiança dos investidores e ofuscando os resultados positivos na distribuição de combustíveis e na redução de custos e despesas.
Rating da Raízen (RAIZ4) em revisão
Diante do cenário complexo — e considerando que a gestão ainda não divulgou um novo plano de turnaround com medidas que aliviem a pressão sobre o fluxo de caixa e reduzam a percepção de risco do mercado —, o Banco Safra decidiu colocar a recomendação em revisão até obter mais informações.
O Safra mantém a visão de que a empresa pode resolver seus problemas de estrutura de capital com um aumento de capital e/ou acelerando o plano de venda de ativos para reforçar caixa.
A Raízen reportou queda de 3% A/A no EBITDA ajustado, para R$ 3.151 milhões ( 2% vs. estimativas). O número reflete principalmente o bom desempenho da distribuição de combustíveis no Brasil, combinando margem unitária forte de R$ 215/m³ (+14% vs. estimado) e maiores volumes, compensando o desempenho fraco do segmento ESB, devido a menores volumes de etanol, preços mais fracos de açúcar e menores ganhos com contratos de energia.
Na Argentina, as margens cresceram 40% T/T com a conclusão da modernização de eficiência da refinaria.
A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões (vs. perda esperada de R$ 1.076 milhões), ante prejuízo de R$ 2.571 milhões no ano anterior. Além da piora operacional, o resultado inclui o impairment citado e maiores despesas tributárias.
Apesar da redução de estoques e da entrada de caixa com vendas de ativos, a alavancagem subiu para 5,3x (vs. 5,1x no 2T26). A gestão informou que ainda há R$ 1,5 bilhão a receber nos próximos meses referentes a outras vendas de ativos.
O EBITDA ajustado de Açúcar, Etanol e Bioenergia foi de R$ 1.230 milhões, 26% abaixo das estimativas e 34% menor A/A. A performance foi afetada por menor diluição de custos fixos devido ao menor volume processado, menores volumes de vendas, preços mais baixos de açúcar e bioenergia, além de ganhos não recorrentes (não caixa) com instrumentos financeiros em 3T25.
O capex caiu 22% A/A para R$ 1,7 bilhão, com redução de investimentos em expansão e aumento de 5% em manutenção. Estoques de açúcar fecharam em 1.377 mil toneladas ( 35% T/T), avaliados em R$ 2.424 milhões; os de etanol em 747 mil m³ ( 30%), avaliados em R$ 2.444 milhões.
Para hedge de açúcar, 60% da safra 2026/27 já está travada a R$ 2.442/t ( 3% vs. 2025/26).
Mobilidade Brasil apresentou forte desempenho. O EBITDA ajustado foi de R$ 1.633 milhões (+20% T/T), superando estimativas em 14%, impulsionado por volumes 2% maiores e margem unitária de R$ 215/m³ (+18% T/T), refletindo ambiente competitivo mais saudável, ganhos de eficiência e boa diluição de custos.
Operações na América Latina tiveram EBITDA de US$ 108 milhões (vs. US$ 72 milhões estimados), alta de 44% T/T, com margens mais elevadas após a conclusão da modernização da refinaria, permitindo retomada da produção de itens de maior valor agregado.
Alavancagem: A dívida líquida terminou o trimestre em R$ 55,3 bilhões (+4% T/T), mesmo com redução de estoques e entrada de R$ 2,1 bilhões com vendas de ativos. O aumento reflete maior dívida bruta e queda de 7% no caixa. A alavancagem chegou a 5,3x EBITDA. A empresa espera receber cerca de R$ 1,5 bilhão adicional nos próximos meses com a conclusão de vendas de ativos.