A base de beneficiários de planos de saúde no Brasil atingiu 53,0 milhões em abril, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O número representa adição líquida de apenas 8 mil usuários no mês e confirma a desaceleração do setor. Na comparação anual, o crescimento foi de 1,6%, praticamente estável frente a março.
O resultado mantém o saldo negativo no acumulado de 2026, que soma perda líquida de 30 mil beneficiários. No mesmo período de 2025, o setor havia registrado alta de 106 mil. O desempenho fraco reflete, em grande parte, a queda sazonal de janeiro, quando o mercado perdeu 123 mil usuários.
Hapvida volta a registrar perda de base
Após um breve retorno ao campo positivo em março, o grupo formado por Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermédica voltou a registrar adições líquidas negativas em abril. A perda total foi de 48 mil beneficiários no mês, sendo 15 mil na operação Hapvida e 33 mil na Intermédica.
O movimento reforça a tendência observada nos últimos trimestres, com o grupo perdendo participação de mercado. No acumulado de 2026, a queda chega a 67 mil usuários. Em 12 meses, o grupo segue entre os principais detratores do setor, ao lado do Sistema Unimed.
Amil e Bradesco Saúde lideram o mês
Entre os grandes operadores, Amil (AMIL3), liderou as adições líquidas em abril, com 45 mil novos beneficiários. Bradesco Saúde (BBDC4), braço do Banco Bradesco, veio na sequência, com alta de 38 mil. Porto Saúde, do grupo Porto Seguro (PSSA3), adicionou 13 mil usuários.
Na outra ponta, além da Hapvida, SulAmérica (SULA11) perdeu 29 mil beneficiários, enquanto o Sistema Unimed registrou queda de 22 mil no mês.
A diferença de desempenho permitiu que a Amil ultrapassasse a SulAmérica em participação de mercado doméstico pela primeira vez desde abril de 2024, com 5,95% contra 5,92%.
Apenas três grandes grupos avançam em 2026
No acumulado de 2026, apenas três grandes operadoras apresentam crescimento líquido. A Amil soma 94 mil novos beneficiários, seguida por Bradesco Saúde, com 82 mil, e Porto Saúde, com 45 mil.
O Sistema Unimed lidera as perdas no ano, com redução de 159 mil usuários. Hapvida e Intermédica acumulam queda de 67 mil, enquanto a SulAmérica registra recuo de 14 mil.
Nos últimos 12 meses, Bradesco, Amil e SulAmérica concentraram a maior parte dos ganhos de participação de mercado. Em sentido oposto, Hapvida e o Sistema Unimed continuam cedendo espaço.
Planos corporativos sustentam o setor
O crescimento do mercado segue concentrado nos planos corporativos. Em abril, esse segmento registrou adição líquida de 34 mil beneficiários e acumula alta de 96 mil em 2026. Trata-se do único motor de crescimento do setor no ano.
Os planos individuais continuam em trajetória negativa. Houve perda de 22 mil usuários em abril e de 84 mil no acumulado do ano. Os planos por afinidade também permanecem no vermelho, com queda de 4 mil no mês e de 42 mil em 2026.
Sudeste e Centro-Oeste evitam retração maior
A análise regional mostra crescimento restrito. O Sudeste liderou as adições líquidas em abril, com 21 mil novos beneficiários, seguido pelo Centro-Oeste, com 8 mil. O Norte ficou estável, enquanto o Sul perdeu 7 mil e o Nordeste recuou 13 mil.
No acumulado do ano, apenas Centro-Oeste e Sudeste seguem positivos. O Nordeste apresenta o pior desempenho, com perda de 27 mil usuários, seguido pelo Sul, com queda de 18 mil.
Segmento odontológico mantém expansão
O mercado de planos odontológicos seguiu em expansão. A base total alcançou 36 milhões de beneficiários em abril, com adição líquida de 177 mil no mês e de 414 mil no acumulado de 2026.
A Odontoprev (ODPV3) registrou queda de 10 mil usuários em abril, mas acumula crescimento de 210 mil no ano. A companhia responde por cerca de 51% das adições líquidas do segmento em 2026, o que reforça a tendência de consolidação no mercado odontológico.