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PRIO (PRIO3) registra EBITDA acima do esperado e avanço operacional

Desempenho operacional mais forte e queda relevante do custo operacional unitário compensam cenário global mais volátil para o petróleo e reforçam a estratégia da companhia


A PRIO (PRIO3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um desempenho operacional acima do esperado. O EBITDA ajustado, excluindo IFRS 16, somou USD 341 milhões, avanço de 7% em relação ao trimestre anterior e 4% acima das estimativas do Safra.

O resultado refletiu principalmente a combinação entre maior volume de offtakes, que cresceu 20% na comparação trimestral, e preços realizados médios mais baixos, com queda de 12% no período. Ainda assim, os preços efetivamente obtidos superaram as projeções iniciais, enquanto os custos operacionais ficaram abaixo do esperado, reforçando a eficiência operacional da companhia.

Prejuízo contábil reflete efeitos não recorrentes

Apesar do avanço operacional, a PRIO (PRIO3) reportou prejuízo líquido de USD 185 milhões no trimestre, revertendo o lucro de USD 92 milhões registrado no 3T25. A diferença em relação às projeções decorreu, em grande parte, de despesas mais elevadas com depreciação e amortização, além de impostos acima do esperado.

Esses efeitos estiveram ligados a ajustes na base tributária após a apreciação do real frente ao dólar, sem impacto direto sobre a geração de caixa no curto prazo.

Lifting cost cai com retomada de Peregrino

O custo operacional unitário para extrair um barril de petróleo ou gás natural (lifting cost) foi um dos principais destaques positivos do trimestre. O indicador recuou 28% na comparação trimestral, para USD 12,5 por barril, abaixo das estimativas. A queda ocorreu após a retomada plena das operações em Peregrino e a implementação de iniciativas de otimização de custos desde que a PRIO assumiu a operação do campo.

O movimento reforça a estratégia da companhia de extrair valor de ativos maduros por meio de ganhos operacionais e disciplina de custos, um diferencial relevante em ambientes de maior volatilidade nos preços do petróleo.

Alavancagem sobe com aquisições e capex

A dívida líquida da PRIO3 encerrou o 4T25 em USD 4,3 bilhões, acima dos USD 2,8 bilhões do trimestre anterior. O aumento refletiu, principalmente, o pagamento pela aquisição de 40% adicionais do campo de Peregrino e desembolsos de capital relacionados a projetos em andamento.

Entre eles estão as atividades de perfuração em Wahoo, o tieback para o FPSO Valente, workovers em Peregrino e perfurações em Polvo. O custo médio da dívida permaneceu estável em 6,36% ao ano, enquanto o prazo médio subiu para 2,98 anos, indicando alongamento do perfil de vencimentos.

Reservas permanecem estáveis

A companhia divulgou a certificação de reservas com data-base de 1º de janeiro de 2026, reportando reservas provadas de 757 milhões de barris de óleo equivalente, volume praticamente estável em relação ao ano anterior.

O resultado reflete adições líquidas em Peregrino e no cluster Bravo, compensadas pela depleção natural em Albacora Leste e no cluster Valente. Em Peregrino, as reservas provadas cresceram 8%, impulsionadas pela redução de custos operacionais, que estendeu a vida econômica do campo e adicionou volumes relevantes às reservas.

Contexto global favorece produtores eficientes

O desempenho da PRIO ocorre em um momento de elevada incerteza no mercado internacional de petróleo. Conflitos geopolíticos no Oriente Médio elevaram a volatilidade dos preços no início de 2026, enquanto projeções de médio prazo indicam um mercado mais equilibrado, com crescimento da oferta fora da OPEP, liderado por países como Brasil e Guiana.

Relatórios recentes da Agência Internacional de Energia indicam que, apesar dos riscos geopolíticos, a expansão da produção em regiões de baixo custo tende a limitar movimentos estruturais de alta nos preços ao longo do ciclo. Nesse cenário, empresas com ativos resilientes e custos competitivos ganham relevância estratégica (eia.gov).

O Brasil, em particular, segue como um dos principais vetores de crescimento da produção global, apoiado nos campos do pré-sal e na eficiência operacional das produtoras independentes (oilprice.com).

Estratégia reforçada

Para a PRIO3, o resultado do 4T25 reforça a tese de que eficiência operacional, disciplina financeira e foco em ativos de alta margem são determinantes em um ambiente global mais seletivo para investimentos em energia.

A combinação de custos em queda, reservas estáveis e projetos de crescimento em andamento posiciona a companhia para atravessar um ciclo de maior volatilidade com geração de caixa resiliente, mantendo flexibilidade estratégica para os próximos trimestres.



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