A Petrobras (PETR4) reportou um EBITDA ajustado recorrente de US$ 10,9 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado em linha com as projeções do Safra. O número representou queda de 9% em relação ao trimestre anterior, refletindo principalmente a piora do desempenho no segmento de Exploração e Produção (E&P), impactado por preços mais baixos do Brent.
Por outro lado, os segmentos de refino, transporte e comercialização, além de gás e energias de baixo carbono, apresentaram resultados superiores ao esperado e ajudaram a compensar a pressão observada na produção de petróleo.
Lucro líquido sofre impacto de impairment
O lucro líquido da Petrobras somou US$ 2,9 bilhões no 4T25, abaixo da estimativa do Safra, que previa US$ 3,4 bilhões. A diferença decorreu principalmente do reconhecimento de um impairment de US$ 1,6 bilhão, não considerado nas projeções iniciais.
Na comparação trimestral, o resultado ficou bem abaixo dos US$ 6,0 bilhões registrados no terceiro trimestre. A retração refletiu a combinação de menor resultado operacional, maiores perdas cambiais e o impairment, fatores parcialmente compensados por despesas tributárias menores.
Fluxo de caixa cai com capex mais elevado
O fluxo de caixa livre alcançou US$ 3,6 bilhões no trimestre, queda de 27% frente ao trimestre anterior, ainda que 6% acima da estimativa do Safra. O movimento foi impulsionado por resultados operacionais mais fracos e por um aumento de 35% no capex em caixa, que totalizou US$ 6,6 bilhões no período.
Mesmo nesse contexto, a companhia distribuiu US$ 1,5 bilhão aos acionistas, em linha com as projeções, preservando a disciplina na alocação de capital.
E&P sente efeito
O EBITDA ajustado do segmento de E&P atingiu US$ 9,1 bilhões, desempenho 10% abaixo do esperado e 18% inferior ao trimestre anterior. A queda refletiu menor produção, preços mais baixos do Brent, custos de extração mais elevados e maiores despesas exploratórias.
No pré-sal, o custo de extração permaneceu estável, beneficiado por menores gastos com inspeções submarinas e intervenções em poços. Já no pós-sal, o custo subiu 8% no trimestre, impactado por menor produção, paradas para manutenção e aumento das intervenções.
Refino e gás sustentam resultado
O segmento de refino, transporte e comercialização apresentou EBITDA ajustado de US$ 1,9 bilhão, acima da estimativa do Safra. O avanço em relação ao trimestre anterior decorreu do aumento das exportações de petróleo, apesar da queda nos volumes vendidos no mercado doméstico e do aumento das despesas comerciais.
No segmento de gás e energias de baixo carbono, o EBITDA ajustado alcançou US$ 440 milhões, mais que o dobro do registrado no trimestre anterior. O crescimento refletiu o reconhecimento de receitas associadas a compromissos contratuais anuais e o início antecipado do fornecimento no âmbito do leilão de reserva de capacidade de 2021.
Análise dos especialistas
Os resultados do quarto trimestre de 2025 da Petrobras ficaram majoritariamente em linha com as projeções do Safra. O desempenho confirmou o impacto esperado de um ambiente de preços mais baixos do petróleo, ao mesmo tempo em que evidenciou a importância da diversificação operacional da companhia para mitigar a volatilidade do segmento de E&P.