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Demanda mais fraca e importações desafiam setor de combustíveis

Relatório da ANP aponta queda no volume vendido, aumento das importações de diesel e mudança no equilíbrio competitivo entre distribuidoras


Os dados preliminares de maio divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam retração no mercado de combustíveis. O volume combinado de vendas de diesel, gasolina e etanol somou 11,3 milhões de metros cúbicos, queda de 1% em relação a abril.

O resultado reforça um cenário de demanda mais contida, após meses de volatilidade no consumo, especialmente em combustíveis ligados ao transporte de cargas e ao uso individual.

Petrobras ajusta preços e amplia defasagem

Desde o último levantamento, a Petrobras (PETR4) promoveu ajustes relevantes nos preços. A estatal elevou o preço da gasolina em 0,04 real por litro e reduziu o preço do diesel em 0,35 real por litro.

Com esses movimentos, a defasagem dos preços domésticos em relação ao preço de paridade de importação aumentou. O diesel passou a negociar com desconto de cerca de 26%, enquanto a gasolina apresenta desconto aproximado de 36%. Esse quadro mantém os preços internos abaixo das referências internacionais.

Margens seguem sob pressão

O ambiente de preços mais baixos refletiu diretamente nas margens das distribuidoras. Em maio, as margens do diesel recuaram cerca de 0,11 real por litro, enquanto as margens da gasolina caíram aproximadamente 0,05 real por litro.

A combinação de consumo mais fraco, ajustes de preços e maior competição limita a capacidade de recomposição das margens no curto prazo, sobretudo em um cenário de maior oferta.

Importações de diesel aumentam

Outro ponto de atenção foi o avanço das importações. As compras consolidadas de diesel cresceram 19% em relação a abril, impulsionadas principalmente pelo aumento dos volumes provenientes de países que não a Rússia.

Esse movimento amplia a concorrência no mercado doméstico e tende a pressionar ainda mais as margens, especialmente para agentes com menor escala ou menor flexibilidade logística.

Participação de mercado muda entre distribuidoras

Os dados também mostram mudanças relevantes na participação de mercado entre os principais distribuidores. A Vibra (VBBR3) perdeu cerca de 40 pontos-base, encerrando maio com 21,7% de participação. A Ipiranga, controlada pela Ultrapar (UGPA3), recuou 30 pontos-base, para 17,5%.

Na direção oposta, a Raízen (RAIZ4) avançou 40 pontos-base e alcançou 19,5% de participação. Os demais distribuidores ampliaram sua fatia de mercado em conjunto, com alta de 30 pontos-base, chegando a 41,3%.

Biodiesel permanece estável

No segmento de biocombustíveis, o preço médio do biodiesel permaneceu praticamente estável em junho até o momento, em comparação com a média observada em maio. A estabilidade ajuda a reduzir volatilidade adicional nos custos, embora não altere de forma significativa o quadro geral de margens.

Balanço do mês

Entre os pontos positivos de maio, destacam-se o ganho de participação de mercado da Raízen e o fato de os preços domésticos do diesel seguirem negociados com desconto em relação ao preço de paridade de importação. Pelo lado negativo, a perda de participação da Vibra e da Ipiranga, a queda das margens de diesel e gasolina e o aumento das importações de diesel reforçam um ambiente competitivo mais desafiador para o setor de distribuição de combustíveis.



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