Os setores de saúde e educação entraram em 2026 com foco maior em execução operacional, disciplina financeira e adaptação regulatória. Essa foi a principal conclusão do J. Safra Healthcare and Education Days, realizado nos dias 25 e 26 de junho, que reuniu executivos das principais empresas brasileiras dos dois segmentos.
Participaram do evento representantes de Bradesco Saúde, Fleury (FLRY3), Mater Dei (MATD3), Oncoclínicas (ONCO3), Dasa (DASA3), Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3), Vitru (VTRU3), Afya, Ser Educacional (SEER3) e Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3).
Segundo o Safra, o encontro mostrou empresas mais concentradas em rentabilidade, geração de caixa e redução de alavancagem, em um ambiente de maior seletividade para investimentos em saúde e educação.
Saúde prioriza eficiência operacional
No setor de saúde, as discussões ficaram concentradas em crescimento orgânico, ganho de participação de mercado e amadurecimento dos ativos já existentes.
Empresas de hospitais e diagnósticos indicaram menor disposição para grandes projetos de expansão no curto prazo. Em vez disso, o foco passou para eficiência operacional e monetização da estrutura atual.
Outro ponto recorrente foi a continuidade do processo de desalavancagem, sustentado principalmente pela geração operacional de caixa e pela venda de ativos.
As companhias também destacaram relações mais cooperativas com operadoras de planos de saúde, em um ambiente considerado mais racional do que nos últimos anos.
Seguradoras observam melhora na sinistralidade
Entre as operadoras de saúde, o tom ficou mais construtivo em relação à evolução da sinistralidade, indicador que mede a relação entre despesas médicas e receitas com planos.
Executivos relataram melhora gradual dos índices e maior migração para o segmento de pequenas e médias empresas, considerado mais rentável e menos concentrado do que grandes contratos corporativos.
Por outro lado, o Safra observou aumento da competição por preços nos planos empresariais de grande porte nos últimos meses, movimento que pode limitar ganhos de margem no setor.
Novo marco regulatório muda setor de educação
Na educação, o principal tema foi o novo marco regulatório do ensino superior à distância.
As novas regras restringem cursos totalmente online e incentivam formatos presenciais e híbridos. Segundo as empresas, a mudança deve reduzir o número total de alunos no curto prazo, mas elevar o ticket médio dos cursos.
Executivos afirmaram que o setor atravessa uma transição para uma base menor de estudantes, porém com maior geração de receita por aluno.
Ao mesmo tempo, a ampliação das modalidades presenciais aumenta custos operacionais e pressiona margens no curto prazo.
Enfermagem e medicina ganham destaque
Algumas companhias destacaram o curso de enfermagem como uma oportunidade relevante dentro do novo cenário regulatório, especialmente para grupos com presença física consolidada.
O curso de medicina também permaneceu no centro das estratégias de crescimento das empresas de educação, diante da elevada demanda e da maior rentabilidade da graduação.
Segundo o Safra, a tendência é de equilíbrio competitivo gradual à medida que todas as instituições se adaptam às novas exigências regulatórias.
Desalavancagem e caixa seguem no radar
Apesar das mudanças regulatórias e operacionais, o foco mais amplo das empresas segue concentrado em geração de caixa, redução de dívida e disciplina na alocação de capital.
A captação de alunos para o segundo semestre ainda está em estágio inicial, mas as administrações demonstraram postura mais cautelosa em relação a crescimento acelerado e expansão via aquisições.
Na avaliação do Safra, tanto saúde quanto educação atravessam um momento de maior racionalidade operacional, com prioridade para eficiência financeira e preservação de rentabilidade.