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Copa do Mundo impulsiona ações; veja quais

Empresas veem alta nas vendas com a Copa se aproximando, sobretudo em eletrônicos, camisas e bebidas, mas o cenário ainda recomenda cautela


O varejo brasileiro já começa a mapear os efeitos da Copa do Mundo de 2026 sobre a demanda. Em evento promovido pelo J. Safra, executivos de empresas de varejo, esportes e bebidas discutiram como o torneio pode movimentar categorias relevantes para o consumo, como televisores, eletrodomésticos, artigos esportivos e cervejas.

A leitura central foi construtiva para companhias com exposição direta ao evento. Ainda assim, a visão para o comércio eletrônico no curto prazo segue cautelosa, diante de um ambiente macroeconômico que continua a limitar o consumo.

Eletrônicos e linha branca entram no radar

Entre os nomes mais bem posicionados para capturar esse movimento, o Safra destaca Grupo Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3). A expectativa gira em torno do aumento das vendas de televisores e produtos da linha branca, categorias que tradicionalmente ganham tração em períodos de grandes eventos esportivos.

Esse potencial, porém, não altera de forma ampla a leitura mais conservadora para o setor digital no curto prazo. O banco entende que a Copa pode gerar um estímulo pontual importante, mas não elimina os desafios estruturais impostos pelo cenário macroeconômico e pela renda ainda pressionada das famílias.

Camisas devem ganhar força

No segmento esportivo, a avaliação sobre a Netshoes, controlada pela Magazine Luiza, foi positiva. A empresa aparece como uma das principais beneficiárias da demanda por camisas da seleção brasileira e camisetas temáticas ligadas ao torneio.

Desta vez, o quadro parece mais favorável do que em 2022. Segundo as discussões do evento, os gargalos da cadeia de suprimentos da Nike deixaram de ser um problema relevante. Além disso, outras marcas passaram a atender melhor a demanda por produtos com preços mais acessíveis, fator importante em um momento em que o endividamento do consumidor ainda pesa sobre as decisões de compra.

Para Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, a mensagem trazida pela Netshoes também deve ser lida de forma positiva. O Safra avalia que a convocação de Neymar para a seleção pode ampliar o interesse por camisas do Brasil e fortalecer as vendas da categoria.

Bebidas também podem se beneficiar

O evento também trouxe uma visão favorável para Heineken. A companhia tende a se beneficiar não apenas do efeito direto da Copa do Mundo sobre o consumo, mas também de condições climáticas mais favoráveis, que costumam ajudar o desempenho do canal de bares e restaurantes.

Na avaliação do Safra, a combinação entre calendário esportivo e clima mais benigno cria uma base positiva para o curto prazo. Ao mesmo tempo, a empresa acompanha tendências de bem-estar que ganham espaço no mercado e podem abrir novas frentes de diversificação de portfólio.

Consumo seletivo segue no centro da análise

Embora o evento de 2026 represente uma oportunidade relevante para alguns segmentos, o Safra mantém uma postura seletiva. A Copa deve funcionar como um catalisador para categorias específicas, sobretudo aquelas ligadas à experiência de assistir aos jogos e ao engajamento do torcedor com a seleção.

Mesmo assim, o impulso do torneio não deve ser analisado de forma isolada. O banco continua a ver um pano de fundo macroeconômico que exige cautela, principalmente para empresas de comércio eletrônico e de consumo discricionário.

O que a Copa já sinaliza para os investimentos

A discussão promovida pelo J. Safra indica que a Copa do Mundo de 2026 já começa a influenciar o posicionamento de empresas expostas ao consumo. Em varejo, o destaque recai sobre Magazine Luiza e Grupo Casas Bahia, com potencial de ganho em eletrônicos e linha branca. Em artigos esportivos, a Netshoes, dentro de Magazine Luiza, e Grupo SBF podem capturar o aumento da demanda por produtos da seleção. Em bebidas, Heineken aparece com viés positivo no curto prazo.

Para o investidor, a principal conclusão é clara: a Copa pode destravar oportunidades táticas em empresas ligadas ao consumo, mas a escolha dos ativos ainda deve considerar o ambiente econômico e a capacidade de cada companhia de transformar a demanda extraordinária em resultado consistente.



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