O Banco Safra anunciou novos preços-alvo para o final de 2026 e estimativas para empresas de e-commerce,
após incorporar os resultados recentes das companhias e novas premissas macroeconômicas, que se deterioraram levemente no Brasil (Selic média esperada +50bps acima da anterior).
a análise também considera as implicações dos juros elevados para a renda disponível das famílias e para os balanços das empresas (despesas financeiras), embora substancialmente melhores para a Argentina (IPCA 2026E atualmente em 29% vs. 64% anteriormente e PIB 2026E em 3,5% vs. 4% antes) e praticamente inalteradas para o México.
O Safra também assume um custo de capital próprio (Ke) menor (atualmente em 14,3% vs. 14,8% antes, considerando beta de 1).
O Safra mantém o Mercado Libre (MELI; Compra reiterada; Preço Alvo 2026 de USD 2.800 vs. USD 3.000) como uma das preferências para 2026, pois vê a companhia negociando a 38x P/L 2026 vs. média histórica de 45x e atual de 39x.
É importante destacar que MELI negocia com prêmio devido ao seu ritmo excepcional de crescimento (30 trimestres com +30% de crescimento e ROIC médio de 38% entre 2024–2027).
Quanto a Magalu e Casas Bahia, o Safra manteve as recomendações inalteradas, pois continua vendo um cenário macro desafiador para categorias cíclicas devido à alta correlação do consumo com as taxas de juros.
Assim, o banco manteve a recomendação Neutra para MGLU e definiu um novo Preço Alvo 26 de R$10 vs. R$12 antes, já
que vê a companhia negociando a 16x P/L 2026.
Por fim, para BHIA3 o banco manteve a recomendação de Venda, com novo Preço Alvo 26 de R$3,0 vs. R$4,0 antes, já que a companhia continua queimando caixa (R$1,6 bilhão LTM) e gerando níveis de retorno baixos (ROIC 2025E de 3%).
Mercado Libre
O Safra continua otimista com os drivers de crescimento da MELI, apesar dos impactos das “dores do crescimento” nos resultados de curto prazo. MELI segue como uma das principais recomendações (não apenas no subsegmento de e-commerce), pois combina:
- (i) crescimento, sendo líder em um mercado de rápido crescimento, além de seu alto nível de investimento em tecnologia e cadeia de suprimentos;
- (ii) melhora na rentabilidade (margem líquida +266bps a/a em 2024A), apesar da pressão de curto prazo de -170bps em 2025E considerando o cenário competitivo mais intenso; e
- (iii) posição de alavancagem saudável (dívida líquida/EBITDA de 1x).
No entanto, é importante observar que pode ocorrer alguma volatilidade na margem EBIT em alguns trimestres devido a:
- (i) abertura/maturação de novos centros de fulfillment;
- (ii) ampliação da oferta de crédito e seu impacto nas provisões; e
- (iii) campanhas comerciais de frete grátis/cupons visando impulsionar a transformação digital, essencial para sustentar o ritmo de crescimento da MELI (CAGR de receita líquida de 28% entre 2024A–2027E).
Magalu e Casas Bahia
O Banco Safra destaca que a Magalu vem gerando caixa apesar do cenário macro deteriorado, o que indica a continuidade de uma abordagem mais diligente, equilibrando crescimento e rentabilidade.
Nos últimos 12 meses até o 3T25, a Magalu registrou fluxo de caixa operacional após capex de R$100 milhões, enquanto a Casas Bahia apresentou resultado negativo de R$1,6 bilhão.
Por fim, em termos de Valuation, vemos MGLU negociando a 4x EV/EBITDA em 2026 vs. média histórica de 6x, e BHIA negociando a EV/EBITDA de 4x em 2026 vs. média histórica de dois anos de 8x e atual de 7x.
No entanto, além do pior desempenho de fluxo de caixa, vemos BHIA gerando um ROIC de 3% (2025E), bem abaixo dos 31% da MELI, reforçando nossa abordagem mais cautelosa.
Principais riscos para a tese: (i) cenário macro, que afeta diretamente a demanda, vendas de e-commerce e taxas de inadimplência da Fintech; (ii) execução (ganhos de margem); (iii) competição (players cross-border que costumam ser agressivos em preços); e (iv) exposição da MELI à Argentina.