O Magazine Luiza (MGLU3) anunciou uma parceria com o Mercado Livre (MELI) para vender produtos próprios na plataforma da companhia argentina.
A oferta inicial reúne cerca de 28 mil produtos do Magazine Luiza, da Época Cosméticos e da KaBuM. As entregas ficarão sob responsabilidade da Magalog, operação logística do grupo brasileiro.
A estrutura aproveita a experiência do Magazine Luiza no transporte de produtos volumosos, como móveis e eletrodomésticos.
Operação pode gerar vendas
Segundo a administração do Magazine Luiza, a comissão negociada com o Mercado Livre deve permitir uma margem positiva para a operação.
A rentabilidade esperada supera a das vendas geradas por publicidade paga. Por outro lado, permanece abaixo da margem obtida pelos canais próprios e orgânicos do Magazine Luiza.
A expectativa é que a parceria alcance aproximadamente R$ 3 bilhões em volume bruto anual de vendas. A estimativa considera, como referência, o desempenho da parceria entre o Magazine Luiza e a Casas Bahia (BHIA3), além da possível perda de relevância desse acordo após o processo de recuperação judicial da companhia.
Impacto para o Magazine Luiza
A avaliação do Safra é positiva para as duas empresas, mas principalmente para o Magazine Luiza.
Com base nas estimativas para o quarto trimestre de 2026, um volume anualizado de R$ 3 bilhões em vendas adicionais no segmento de produtos próprios poderia acrescentar cerca de 10% ao crescimento da companhia. A projeção inicial do Safra considerava avanço de 4%.
A operação também tende a apresentar uma economia mais favorável do que a média das vendas de produtos próprios do Magazine Luiza. Além disso, o perfil de capital de giro pode melhorar, já que o Mercado Livre ficará responsável pelo financiamento das compras dos clientes.
Esse modelo reduz a necessidade de recursos próprios da varejista para financiar as vendas e pode contribuir para uma operação mais eficiente.
Alcance do Mercado Livre
A parceria dá ao Magazine Luiza acesso a uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do Brasil.
O Mercado Livre possui aproximadamente 37% de participação no comércio eletrônico brasileiro e responde por cerca de 35% das visitas a marketplaces no país.
Esse alcance pode gerar vendas adicionais para o Magazine Luiza, com risco limitado de transferência das vendas realizadas em seus próprios canais. A complementaridade entre as plataformas tende a reduzir a possibilidade de substituição de receitas.
Benefícios para o Mercado Livre
Para o Mercado Livre, o acordo fortalece a oferta de produtos de grande porte, especialmente móveis e eletrodomésticos.
Essas categorias ainda apresentam menor penetração na plataforma e exigem capacidades logísticas específicas. A experiência do Magazine Luiza e da Magalog pode ajudar a ampliar a variedade de produtos e melhorar a entrega desses itens.
Com isso, o Mercado Livre pode aumentar sua presença em categorias relevantes do varejo, enquanto o Magazine Luiza amplia a exposição de seu portfólio para novos consumidores.
Recomendação permanece neutra
Apesar da avaliação positiva sobre a parceria, o Safra mantém recomendação neutra para o Magazine Luiza.
O acordo representa uma oportunidade para elevar as vendas, melhorar a eficiência da operação e ampliar o alcance da companhia. No entanto, o ambiente macroeconômico ainda desafiador pode limitar o ritmo de recuperação do consumo e do varejo.
A evolução da parceria dependerá do volume efetivamente gerado, da rentabilidade das vendas e da capacidade de converter o maior alcance em crescimento sustentável.