A política de crédito mais restritiva adotada pela Caixa Econômica Federal (CEF) deve provocar desaceleração na velocidade de vendas entre as construtoras no terceiro trimestre de 2026. No programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), a redução do financiamento pós-entrega realizado pelas incorporadoras, conhecida como “pro soluto pós-chaves”, e o maior rigor com clientes de renda informal devem elevar os cancelamentos e comprometer o ritmo de vendas.
Durante o período entre 27 de junho e 10 de julho, o comprometimento máximo de renda permitido aos compradores foi temporariamente reduzido, o que também impactou negativamente as vendas líquidas do segmento.
Vendas e lançamentos sob pressão no segmento de baixa renda
Mesmo com queda de 5% nos lançamentos, a expectativa é de que as vendas líquidas cresçam 5% na comparação anual. No entanto, o índice consolidado de velocidade de vendas (SoS) deverá recuar 0,3 ponto percentual, para 23,8%. A Cury (CURY3) deverá registrar a maior velocidade do setor, ainda que com recuo de 4,1 pontos percentuais no ano, atingindo 37,2%.
A Direcional (DIRR3) também deve apresentar queda no SoS, que deve chegar a 22,9%, influenciada pelo início mais lento do trimestre, mesmo após um crescimento nas vendas em setembro. Tenda (TEND3) e Plano & Plano (PLPL3) devem sofrer com os cancelamentos de clientes informais, com índices de SoS projetados em 23,5% e 17,9%, respectivamente. A MRV (MRVE3) espera um SoS sequencialmente mais fraco de 21,7%, apesar de uma melhora anual na velocidade de vendas.
Segmento de média e alta renda sofre queda nas vendas
O cenário econômico mais desafiador, somado à maior competitividade e à incerteza relacionada às eleições, deve pressionar ainda mais as vendas das incorporadoras desse segmento. As projeções indicam uma queda de 19% nos lançamentos e de 14% nas vendas, resultando em um índice consolidado de SoS trimestral de 14,2%, valor 4,5 pontos percentuais inferior ao mesmo período do ano anterior.
A Cyrela (CYRE3) se destaca como a incorporadora com menor retração na velocidade de vendas, mantendo 16,4%, apoiada pelo desempenho do empreendimento Heritage Riviera, que já vendeu cerca de 80% das unidades. Moura Dubeux (MDNE3) aparece logo atrás, com 16,3%, mesmo após lançar cerca de 35% do seu volume trimestral nas últimas semanas de setembro.
Por outro lado, a Eztec (EZTC3) deve registrar uma desaceleração para 12,9%, reflexo da concentração dos projetos no final do período. A Lavvi (LAVV3) deve apresentar a queda mais acentuada, chegando a 10,5%, enquanto a Even (EVEN3) permanece como a menor velocidade do segmento, com 5,5%, ainda que com melhora sequencial.