O grupo de tecnologia LWSA (LWSA3) apresentou um conjunto robusto de resultados no quarto trimestre de 2025, marcado pela aceleração do crescimento da receita e pela expansão consistente das margens. Os números superaram tanto as estimativas do Banco Safra quanto o consenso de mercado e fortalecem a leitura de recuperação operacional da companhia.
Desconsiderando os desinvestimentos em Squid e Nextios, a receita líquida atingiu R$ 382 milhões no período. O EBITDA ajustado somou R$ 97 milhões, com margem de 25,3%, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou R$ 69 milhões, impulsionado por alavancagem operacional e melhora expressiva do resultado financeiro.
A companhia também apresentou forte geração de caixa. O fluxo de caixa livre (FCF) totalizou R$ 63,6 milhões no trimestre e R$ 224,8 milhões no ano, o que posiciona o FCF yield em torno de 11%, patamar considerado elevado para o setor.
E-commerce sustenta aceleração da receita
A receita líquida avançou 11,1% na comparação anual, alcançando R$ 381,5 milhões, com desempenho puxado pelo segmento de e-commerce, que cresceu 16,4%, para R$ 279,7 milhões.
O segmento mostrou recuperação sequencial, sustentada pelo aumento do ARPU, que subiu 7%, e pela expansão da base para 206,3 mil clientes. A receita recorrente de assinaturas da plataforma avançou 13,9%, reforçando a previsibilidade do modelo de negócios.
No ecossistema, a receita cresceu 19,3%, apoiada pela expansão de 10,6% no GMV e de 20,8% no TPV. Em sentido oposto, o segmento BeOnline/SaaS recuou 1,3%, refletindo o processo de racionalização das operações conduzido pela companhia.
Margens avançam apesar de pressões de custos
O EBITDA ajustado cresceu 18,7% na base anual, atingindo R$ 96,6 milhões, enquanto a margem avançou 1,6 ponto percentual, para 25,3%. O principal vetor foi novamente o e-commerce, que registrou EBITDA ajustado de R$ 72,3 milhões, alta de 27,9%, com margem de 25,9%.
A LWSA vem capturando ganhos de eficiência por meio da simplificação organizacional, migração para a nuvem e uso de ferramentas de inteligência artificial. Como resultado, o custo dos serviços prestados caiu 6,0% na comparação anual.
Ainda assim, a reoneração da folha de pagamentos seguiu como fator de pressão, reduzindo a margem EBITDA em cerca de 1,0 ponto percentual, efeito já observado em trimestres anteriores.
Lucro líquido se recupera com melhora operacional e financeira
O lucro líquido reportado atingiu R$ 32 milhões, revertendo o prejuízo registrado no quarto trimestre de 2024. Considerando ajustes não caixa, como compensações em ações, amortização de PPA e earnouts, o lucro líquido ajustado somou R$ 69 milhões, crescimento de 60,9%, com margem de 18,1%.
O resultado financeiro foi um dos destaques do período. A despesa líquida ficou em R$ 6,8 milhões, uma redução de 85,1% na comparação anual, mesmo com o impacto de R$ 12,4 milhões relacionados à antecipação de recebíveis.
Geração de caixa
A combinação de alavancagem operacional e ganhos de eficiência sustentou a forte geração de caixa no trimestre. O FCF alcançou R$ 64 milhões, ou R$ 48,7 milhões ao excluir os efeitos da antecipação de recebíveis.
No acumulado de 2025, o fluxo de caixa livre atingiu R$ 225 milhões, elevando a margem de FCF dos últimos 12 meses de 4,7% no início do ano para 15,9% ao final do 4T25. O desempenho reforça a disciplina financeira da companhia e dá suporte à tese de recuperação operacional. O Safra mantém recomendação Neutra para o papel.