O setor de consumo discricionário (de produtos não essenciais) deve registrar um segundo trimestre de 2026 marcado por forte dispersão de resultados entre as empresas listadas na Bolsa.
Segundo o Banco Safra, o ambiente macroeconômico mais desafiador, combinado ao elevado endividamento das famílias e à competição crescente no varejo, continua pressionando a demanda e aumentando a volatilidade operacional das companhias.
Nesse cenário, empresas com maior capacidade de preservar margens e eficiência operacional tendem a se destacar, enquanto companhias mais expostas à desaceleração do consumo devem enfrentar pressão adicional sobre a rentabilidade.
O banco avalia que Track & Field (TFCO4) e Grupo SBF (SBFG3) devem apresentar os melhores resultados do trimestre. Por outro lado, Azzas (AZZA3), Natura (NATU3) e Vivara (VIVA3) aparecem entre os destaques negativos.
Track & Field deve manter crescimento forte
A Track & Field deve continuar registrando crescimento sólido de vendas no segundo trimestre.
O Safra projeta receita líquida de R$ 280 milhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho deve ser sustentado pela expansão da rede de lojas e pelo programa de revitalização das unidades, que segue impulsionando as vendas nas mesmas lojas.
Apesar disso, o avanço mais acelerado do canal de atacado deve gerar leve pressão sobre as margens, já que esse segmento possui rentabilidade estruturalmente menor.
O banco estima margem EBITDA ajustada de 23,2% e lucro líquido ajustado de R$ 36 milhões.
Renner, Riachuelo e C&A devem seguir trajetórias diferentes
As varejistas de vestuário devem manter tendências semelhantes às observadas nos últimos trimestres.
A Lojas Renner (LREN3) e a Riachuelo (RIAA3) devem continuar apresentando crescimento resiliente das vendas, enquanto a C&A (CEAB3) tende a enfrentar desempenho mais moderado.
Segundo o Safra, a desaceleração da C&A está relacionada principalmente à normalização da categoria de beleza após mudanças recentes no portfólio.
O banco projeta crescimento de vendas de:
- 6% para Renner
- 4% para Riachuelo
- 1% para C&A
A Riachuelo deve seguir ampliando margens por meio de ganhos de eficiência operacional. Já a Renner e a C&A podem enfrentar maior pressão sobre rentabilidade devido à menor alavancagem operacional.
Grupo SBF pode se beneficiar da Copa do Mundo
O Grupo SBF deve ser um dos principais destaques positivos do trimestre.
O Safra estima crescimento de 18% nas vendas da companhia, impulsionado pela maior demanda por artigos esportivos durante a Copa do Mundo.
Além disso, a recuperação das operações da Fisia e os investimentos realizados na Centauro devem contribuir para melhora operacional.
A expectativa do banco é de expansão de 1,1 ponto percentual na margem EBITDA, favorecida pelo ganho de escala e pelo mix mais positivo de produtos relacionados ao evento esportivo.
Smart Fit mantém ritmo forte de expansão
A Smart Fit (SMFT3) deve continuar apresentando crescimento acelerado de receitas.
O Safra projeta avanço de 22% na receita líquida, sustentado pela abertura de novas academias e pela resiliência do modelo de assinaturas.
Por outro lado, o banco espera leve pressão sobre as margens devido ao ritmo mais intenso de expansão e à maior participação da TotalPass nas receitas.
Mesmo assim, a companhia segue como uma das operações de crescimento mais consistente do setor.
Alpargatas deve ampliar rentabilidade
A Alpargatas (ALPA4) deve manter o processo gradual de recuperação operacional iniciado nos últimos trimestres.
O Safra projeta crescimento de 6% na receita, impulsionado pelo aumento do ticket médio no Brasil e pela melhora das operações internacionais.
Além disso, os ganhos recentes de eficiência devem continuar favorecendo a rentabilidade.
O banco estima expansão de 1,8 ponto percentual na margem EBITDA e lucro líquido de R$ 137 milhões no trimestre.
Vivara enfrenta pressão de estoques
A Vivara deve continuar registrando crescimento de receita, mas em ritmo menor do que o observado anteriormente.
Segundo o Safra, o elevado nível de estoques da companhia deve manter a produção em patamar reduzido, pressionando benefícios fiscais e margens operacionais.
O banco projeta crescimento de 10% da receita no trimestre, mas espera retração tanto da margem bruta quanto da margem EBITDA.
As despesas maiores com pessoal e marketing também devem limitar a expansão da rentabilidade.
Natura e Azzas seguem pressionadas
A Natura continua enfrentando um cenário operacional mais difícil no Brasil.
O Safra projeta queda de 9% na receita líquida da companhia no segundo trimestre, refletindo a demanda mais fraca e a perda de alavancagem operacional.
O EBITDA ajustado deve recuar 13% na comparação anual.
Já a Azzas deve reportar mais um trimestre pressionado por dificuldades em diferentes unidades de negócio.
Segundo o banco, a fraqueza das divisões de calçados, acessórios e vestuário feminino deve continuar afetando os resultados.
O Safra estima queda de 9% na receita, forte retração das margens e lucro líquido de R$ 86 milhões, abaixo dos R$ 284 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Margens seguem no centro das atenções
Na avaliação do Safra, o principal diferencial entre as empresas do setor continua sendo a capacidade de proteger margens em um ambiente mais competitivo.
Companhias com maior eficiência operacional, marcas fortes e menor necessidade de promoções tendem a atravessar o cenário macroeconômico de forma mais resiliente.
Por outro lado, empresas com crescimento mais fraco podem sofrer ainda mais com perda de escala e pressão sobre rentabilidade nos próximos trimestres.