Os dados do IPCA de maio, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam forte pressão nos preços da carne bovina, que passaram a se descolar das demais proteínas. Na comparação anual, a carne bovina registrou alta de 9,8%, refletindo demanda firme e oferta global de gado mais restrita.
Em sentido oposto, os preços de suínos e aves recuaram 4,9% e 3,6%, respectivamente, sinalizando um equilíbrio doméstico mais fraco nesses segmentos. As carnes processadas apresentaram alta mensal de 1,3%. Como resultado, os spreads da cadeia de bovinos avançaram 1% no mês, enquanto os de aves ficaram estáveis e os de suínos caíram 3%.
Cerveja volta a acelerar puxada pelo consumo no domicílio
Após o vale observado em abril, os preços da cerveja retomaram trajetória de alta em maio. A inflação média da categoria alcançou 4,8% na comparação anual, acima dos 4,2% registrados no mês anterior.
O movimento foi liderado pelo consumo no domicílio, com avanço de 6,0% em 12 meses. Já o consumo fora do domicílio subiu 3,0% no mesmo período e registrou leve alta mensal. Com isso, o diferencial de preços entre os dois canais aumentou 90 pontos-base em relação a abril. Nos refrigerantes, houve leve aceleração anual em ambos os canais, com inflação próxima de 5% a 6%.
Feijão segue como principal foco de pressão
Entre os demais alimentos, o feijão permanece como destaque negativo. Os preços subiram 6% no mês e acumulam alta expressiva de 36% em 12 meses. Em contrapartida, massas seguem em trajetória de queda, com recuo anual de 2%.
Biscoitos e bolachas, assim como a margarina, continuam apresentando inflação acima do IPCA e do agregado de alimentos e bebidas, com altas de 5% e 9% na comparação anual. O arroz ainda mostra queda relevante em 12 meses, de 17%, mas apresentou recuperação recente, com avanço de 2% em maio.
Leitura das empresas do setor
Na avaliação do Safra, o quadro inflacionário de maio traz impactos distintos para as companhias de alimentos e bebidas listadas. O cenário é negativo para aves e suínos, o que afeta empresas como Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3), diante da pressão sobre preços e spreads.
Para o segmento de bovinos, a leitura é positiva, com destaque para a Minerva (BEEF3), beneficiada pelo avanço dos preços da carne bovina. No setor de bebidas, o ambiente favorece a Ambev (ABEV3), apoiada pela retomada dos preços da cerveja, especialmente no consumo doméstico.
Já para alimentos básicos e indulgentes, o Safra mantém visão neutra. Empresas como a M. Dias Branco (MDIA3) operam em um ambiente de inflação mista, com pressões pontuais, mas sem deterioração relevante do cenário geral.