Considerando a implementação da retenção de imposto de 10% sobre dividendos mensais acima de R$ 50 mil a partir de 2026, e o possível anúncio de dividendos pelo conselho do Itaú ainda em dezembro de 2025, o Banco Safra avalia a ação da holding Itaúsa (ITSA4) como uma alternativa ainda mais atraente que o papel do Itaú (ITUB4) do ponto de vista de valuation para se expor a essa distribuição.
O dividend yield implícito da Itaúsa relacionado à projeção do Safra de dividendos extraordinários para 2025 (total de R$ 22,5 bi, participação da Itaúsa somando R$ 8,4 bi) está em 6,5%, 100bps acima do do Itaú.
Além desse potencial catalisador, o Safra continua vendo as ações ITSA4 como uma alternativa descontada a ITUB4, com a opcionalidade de uma redução do desconto de holding — embora isso possa não ocorrer no curto prazo.
Safra reitera a recomendação de compra para ITSA4
O mercado tem sido indiferente ao desconto no valor da ação. O desconto de holding da Itaúsa subiu de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025 e se estabilizou em 25%, cerca de ~300bps acima da média histórica.
Os 300bps–400bps adicionais decorrentes do NAV das subsidiárias não listadas (melhor detalhado aqui) tornam os níveis de desconto ainda mais notáveis.
Na avaliação do Safra, os gatilhos para uma redução do desconto de holding, em ordem de efetividade, são:
(i) uma surpresa positiva relacionada ao anúncio de dividendos do Itaú;
(ii) redução das taxas de juros; e (iii) eliminação da ineficiência de PIS/COFINS após a implementação da reforma tributária.
Valuation de ITSA4
Após ajustes finos em nas estimativas para incorporar os novos pressupostos das subsidiárias, as projeções do Banco Safra
de lucro líquido para 2025 e 2026 estão em R$ 16.589 mi e R$ 18.621 mi, respectivamente, 1% e 2% acima dos
números anteriores.
O Safra está usando uma premissa de Ke de 15,4% (10% livre de risco; beta de 1,08) e taxa de crescimento na perpetuidade de 6,0%.
Como resultado, o preço-alvo foi elevado para R$ 15/ação, oferecendo upside de 28%. Atualmente, o Safra vê as ações negociando a 6,9x e 6,4x P/L 2026/27, respectivamente.
Principais riscos para a tese: Forte deterioração das condições macroeconômicas, qualidade de ativos pior que o esperado no Itaú, mudanças regulatórias e alocação de capital insuficiente.