A Itaúsa (ITSA4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 4,41 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O valor representa crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ficou 3% abaixo da estimativa do Safra.
O retorno sobre o patrimônio ficou em 20,1%. Segundo o banco, o desempenho refletiu a contribuição sólida do Itaú Unibanco (ITUB4) e a melhora dos investimentos não financeiros, ainda que alguns efeitos pontuais tenham limitado uma surpresa mais positiva.
Efeito da Aegea influencia leitura do trimestre
Um dos principais pontos do balanço foi o impacto ligado à Aegea. A Itaúsa reconheceu um efeito positivo de R$ 93 milhões no resultado de equivalência patrimonial, relacionado ao aumento de capital concluído em março de 2026, que elevou sua participação na companhia para 13,27%.
Ao mesmo tempo, a holding registrou uma redução de R$ 656 milhões no valor contábil de sua fatia na Aegea, lançada diretamente no patrimônio líquido após ajustes contábeis e revisão de premissas. Para o Safra, o efeito é pouco relevante diante do patrimônio total da Itaúsa, de R$ 90 bilhões.
Ainda assim, a exposição à Aegea pode continuar a pressionar o desempenho relativo da ação frente ao Itaú no curto prazo, mesmo com o pedido de um plano mais detalhado de governança, gestão de capital e disciplina financeira feito pela Itaúsa à administração da investida.
Investidas não financeiras melhoram
Além da contribuição do Itaú Unibanco (ITUB4), os investimentos não financeiros da Itaúsa mostraram melhora expressiva no trimestre. O resultado dessas participações cresceu 76% na comparação anual, impulsionado pela evolução da maior parte das empresas do portfólio.
A principal exceção foi a Dexco (DXCO3), cujo desempenho recuou 27% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Resultado financeiro perde força
O resultado financeiro da Itaúsa ficou negativo em R$ 78 milhões no trimestre. A piora em relação ao ano anterior foi explicada pela menor rentabilidade do caixa, em razão de um saldo médio mais baixo no período, após pagamento antecipado de dividendos.
Por outro lado, os custos financeiros recuaram e o custo médio da dívida permaneceu estável em CDI mais 1,11%.
A cobertura de juros, medida pela relação entre dividendos recebidos e despesas com juros, caiu na comparação trimestral para 21 vezes. Já a dívida líquida subiu para R$ 1 bilhão, refletindo o desembolso de caixa feito no aporte de capital da Aegea.
Desconto para Itaú se fecha
Na visão do Safra, um ponto importante para a tese é a redução do desconto de holding da Itaúsa em relação ao Itaú Unibanco. Esse diferencial caiu cerca de 8 pontos percentuais no acumulado do ano.
Esse movimento reduz parte da assimetria que historicamente sustentava a atratividade da holding. Ainda assim, o banco vê a reforma tributária como um catalisador relevante para 2027.
Dividendos seguem como destaque
Nos 12 meses encerrados em 31 de março de 2026, a Itaúsa distribuiu R$ 13,8 bilhões em juros sobre capital próprio e dividendos. Esse montante representa rendimento próximo de 8,8%, considerando as respectivas posições acionárias.
A distribuição continua sendo um dos pilares de interesse para o investidor, especialmente em um ambiente em que previsibilidade de fluxo de caixa e retorno recorrente seguem valorizados.
O que muda para a ação
O Safra mantém recomendação de compra para ITSA4. Ainda assim, o banco reconhece que a relação entre risco e retorno está menos atraente para bancos brasileiros neste momento e, por consequência, para a exposição indireta da holding ao Itaú.
Além disso, a redução do desconto de holding e a incerteza em torno da Aegea podem limitar o desempenho relativo da ação no curto prazo. Por outro lado, a estrutura diversificada, o histórico de distribuição e o potencial efeito positivo da reforma tributária ainda sustentam a visão favorável.