O Banco Safra apresentou novo preço-alvo de 12 meses para a ação da Eneva Energia (ENEV3) de R$ 22,50 (vs. R$13,90 anteriormente), implicando um potencial de valorização total de ~10%.
Desde a última atualização do Safra, no início de 2025, a ENEV3 se beneficiou dos seguintes fatores:
- (i) integração dos ativos térmicos adquiridos no 4T24;
- (ii) ramp-up do negócio de comercialização de gás;
- (iii) novos contratos de energia na usina termelétrica Parnaíba VI;
- (iv) operação comercial das plantas de Small Scale LNG (SSLNG); e
- (v) maior despacho térmico devido à hidrologia fraca e maior geração intermitente.
Além disso, as boas perspectivas para novos contratos no próximo leilão de reserva de capacidade (LRCAP 2026) melhoraram a visão para a companhia e impulsionaram a performance das ações (94% LTM vs. 36% do IBOV e 53% do IEE).
Com as ações negociando a um IRR de 10,8% (vs. média do setor de 9,8%) e 10,8x EV/EBITDA (vs. média histórica de 9,5x e média do setor de 7,4x), o Safra vê upside limitado.
Caso a companhia consiga contratos para novos projetos no próximo LRCAP, o banco acredita que ainda haveria potencial adicional.
ENEV3: destravando valor com leilão e maior despacho
O principal catalisador para a Eneva (ENEV3) em 2026 é o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) previsto para março.
A companhia busca garantir novos contratos para substituir os que expiram entre 2026–2028 para as UTEs a gás Parnaíba I e III (854MW), UTEs a carvão Itaqui e Pecém (725MW), bem como para as UTEs a gás Linhares, Povoação e Viana (143MW).
A Eneva é altamente eficiente e os termos do leilão são favoráveis, então o modelo do Safra já inclui novos contratos para essas unidades com receitas fixas variando entre R$2 milhões e R$3 milhões por MW (aumento de 50%-60% vs. níveis atuais).
Além disso, o Safra acredita que a Eneva tem boas chances de vencer contratos para novos projetos no Hub Sergipe (~1.300MW) e no Ceará (1.000MW), embora não inclua isso no cenário base ainda devido à competição potencialmente acirrada (mais de 120 GW inscritos para participar do leilão)—esses projetos poderiam adicionar ~R$3,50/ação ao preço-alvo.
Por fim, os especialistas do Safra lembram que a Eneva é a companhia mais exposta ao segmento térmico na cobertura do banco, beneficiando-se do clima seco atual e da maior participação das renováveis, que exigem mais geração térmica para garantir a confiabilidade do sistema.
Mudança de estimativas para ENEV3
A atualização de modelo da Eneva (ENEV3) pelo Banco Safra inclui:
- (i) resultados recentes;
- (ii) visão mais otimista sobre o LRCAP 2026 devido aos decretos divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (incluindo renovação das UTEs a carvão);
- (iii) novas estimativas para o negócio de comercialização de gás;
- (v) curva de despacho térmico atualizada; e
- (vi) estimativas de curtailment revisadas.
Essas mudanças combinadas implicam crescimento médio de ~11% em nas estimativas de EBITDA para 2026–2028.
Valuation
O Safra tem um preço-alvo para a ação baseado em DCF de R$22,50/ação para 12 meses, usando WACC de 9,7% para a
unidade GenCo e 11,0% para a unidade E&P.
A ação está atualmente negociando a um IRR de ~10,8%, vs. média do setor de ~9,8%, mas dado o maior risco da unidade E&P, o Safra vê como menos atrativa que outras opções.
O Safra estima que a ação negocia a 10,8x EV/EBITDA 2026, comparado à média histórica de 9,5x e aos pares em 7,4x. Também estima EV/MW de 8,1x e EV/EBITDA 2026 de 11,9x no preço-alvo.
Riscos para a tese:
- (i) resultados desfavoráveis no próximo LRCAP 2026;
- (ii) cenários de menor despacho;
- (iii) alocação de capital ineficiente;
- (iv) custos mais altos devido à atividade de E&P e/ou aumento de capex para desenvolvimento de projetos; e
- (v) maior curtailment na Futura I.