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B3 mantém ritmo forte, apesar de impacto de feriados e câmbio

A melhora consistente do giro em ações sustentou a aceleração da receita da B3 (B3SA3) no início de 2026, mesmo com pressões pontuais sobre o resultado mensal


Os dados operacionais de fevereiro da B3 (B3SA3) reforçam o início sólido de 2026. O Banco Safra mantém visão levemente positiva para o papel, diante da melhora contínua da atividade em ações e do potencial de revisões positivas de lucro ao longo do ano.

O volume médio diário de negociação (ADTV) total de ações seguiu em trajetória de alta a partir dos níveis já robustos observados desde outubro. Em fevereiro, o indicador avançou 16% na comparação mensal e 52% em relação a um ano antes, para R$ 39,2 bilhões. Trata-se do maior patamar desde fevereiro de 2021.

Além disso, a velocidade de giro subiu 10 pontos percentuais no mês, para 169,5%, e avançou 23 pontos percentuais na base anual. O movimento indica maior participação dos investidores e reforça a tendência de maior dinamismo do mercado à vista.

Opções e empréstimo de ativos reforçam o volume

O mercado de opções também mostrou melhora sequencial, com alta de 18% mês a mês no ADTV. O desempenho contribuiu para sustentar o crescimento agregado do segmento de ações.

No empréstimo de ativos, o open interest avançou 10% no mês e ficou 41% acima do nível de fevereiro do ano passado. Já a taxa média de empréstimo recuou 49 pontos-base na comparação mensal e 55 pontos-base em relação a um ano antes, reflexo do maior volume disponível no mercado.

Derivativos sentem efeitos de câmbio e menor número de pregões

No segmento de derivativos, o volume médio diário ficou em 11,3 milhões de contratos, com leve queda de 1% tanto na comparação mensal quanto anual. O resultado refletiu principalmente a retração em juros no curto prazo e a menor atividade em câmbio e futuros de criptoativos na base anual.

A receita por contrato caiu 4% em relação a fevereiro de 2025, para R$ 1,18. Com isso, a receita mensal de derivativos somou R$ 238 milhões, queda de 14% em um ano e de 10% frente a janeiro. O Safra destaca que descontos baseados em volume, efeitos cambiais e o menor número de dias de negociação explicam a maior parte da pressão. Mesmo com o mesmo número de pregões, a receita teria recuado 4% na comparação anual.

Renda fixa mostra acomodação após meses fortes

As emissões de renda fixa recuaram em fevereiro, com queda de 16% na comparação mensal e de 3% na base anual. O movimento refletiu o impacto de feriados e a menor emissão de instrumentos atrelados ao DI.

Apesar disso, o volume de instrumentos de renda fixa em estoque cresceu 1% no mês e 22% em relação a um ano antes. No Tesouro Direto, o saldo em custódia avançou 4% no mês e expressivos 46% na base anual, sinalizando maior interesse do investidor pessoa física.

Tecnologia e serviços mantêm trajetória de crescimento

Na divisão de Tecnologia, Dados e Serviços, a utilização mensal avançou 4,1% frente a janeiro e 7% em relação a fevereiro de 2025. O desempenho reforça a diversificação das fontes de receita da B3 (B3SA3) e contribui para suavizar a volatilidade de outros segmentos.

Análise dos especialistas

Para o Safra, os números de fevereiro confirmam a aceleração do crescimento da receita, puxada sobretudo pela maior atividade em ações. Apesar das pressões pontuais sobre a receita mensal, o conjunto dos dados operacionais sustenta uma leitura construtiva para a B3 no início de 2026 e abre espaço para revisões positivas das estimativas de lucro.


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