As prévias operacionais do segundo trimestre de 2026 reforçaram a diferença de momento entre Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) no mercado imobiliário residencial.
Enquanto a Cyrela apresentou resultados considerados sólidos pelo Safra, com forte atividade de lançamentos e melhora nas vendas de estoque, a Eztec registrou desempenho mais fraco na comparação trimestral, pressionada pelo aumento dos cancelamentos e pelo crescimento dos estoques.
O ambiente de juros elevados tende a continuar favorecendo empresas mais expostas aos segmentos menos sensíveis ao crédito, como baixa renda e alto padrão.
Cyrela acelera lançamentos
A Cyrela lançou 20 empreendimentos no segundo trimestre de 2026, totalizando R$ 3,8 bilhões em valor geral de vendas líquido.
O volume representa crescimento de 34% na comparação anual e ficou acima das estimativas do Safra.
Os lançamentos alcançaram velocidade de vendas de 32%, em linha com o desempenho histórico recente da companhia.
Além disso, as vendas líquidas atingiram R$ 2,6 bilhões no trimestre, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Safra destacou também a melhora nas vendas de estoque, apoiada principalmente pelo avanço das unidades prontas, que cresceram 24% frente ao trimestre anterior.
Segmento de baixa renda segue como destaque
Entre os segmentos da Cyrela, o de baixa renda voltou a apresentar a maior velocidade de vendas.
O índice de vendas sobre oferta da divisão alcançou 30%, com avanço anual de 7 pontos percentuais.
Já o segmento de média renda apresentou expansão para 18,9%, enquanto os empreendimentos de alta renda registraram velocidade de vendas mais moderada, em 10,7%.
Segundo o Safra, a estratégia da companhia de concentrar lançamentos tanto no programa habitacional quanto no segmento de luxo ajuda a reduzir a sensibilidade da operação ao cenário de juros elevados.
Safra mantém preferência por Cyrela
O Safra segue com visão positiva para a Cyrela dentro do segmento de média e alta renda.
Na avaliação do banco, a companhia mostrou capacidade de manter vendas resilientes mesmo em um trimestre marcado por maior volatilidade externa e efeitos sazonais, incluindo o início da Copa do Mundo em junho.
A empresa já vendeu cerca de 41% do valor lançado no acumulado do ano, acima dos 39% registrados no mesmo período de 2025.
Além disso, após a recente queda das ações, o Safra avalia que o papel negocia em nível atrativo, próximo de 4,3 vezes o lucro estimado para o fim de 2027.
Eztec registra desaceleração operacional
A Eztec, por outro lado, apresentou números mais fracos na comparação trimestral.
As vendas líquidas somaram R$ 578 milhões no segundo trimestre, queda de 17% frente aos três meses anteriores, embora ainda com crescimento anual de 18%.
O resultado ficou 10% abaixo das projeções do Safra.
Segundo o banco, a desaceleração ocorreu principalmente pela menor absorção dos lançamentos e pelo aumento dos cancelamentos.
Estoques e cancelamentos pressionam resultados
A Eztec registrou aumento relevante nos cancelamentos no período.
O indicador alcançou 14,4% das vendas brutas, avanço de 6,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Ao mesmo tempo, o estoque da companhia voltou a crescer e encerrou o trimestre equivalente a 16,9 meses de vendas, acima dos 16,6 meses registrados no primeiro trimestre.
Na avaliação do Safra, o aumento dos estoques em São Paulo e a perspectiva de juros elevados por mais tempo podem continuar pressionando os resultados da incorporadora.
Safra mantém recomendação de compra para Eztec
Apesar da piora operacional no trimestre, o Safra manteve recomendação de compra para Eztec.
O banco avalia que a ação continua negociando em patamar descontado, próximo de 0,7 vez o valor patrimonial estimado para 2026.
Segundo o Safra, a companhia ainda apresenta estrutura financeira sólida e capacidade de atravessar um ambiente mais desafiador para o setor imobiliário.