A Copel (CPLE6) reportou lucro líquido de R$ 1,05 bilhão no segundo trimestre de 2026, resultado 83% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e muito acima das expectativas do mercado.
O principal fator por trás da surpresa positiva foi o reconhecimento de R$ 284,4 milhões relacionados ao pagamento antecipado do Uso de Bem Público (UBP) da Elejor, que beneficiou o resultado financeiro da companhia.
Sem considerar os efeitos extraordinários e não recorrentes, o lucro líquido recorrente teria alcançado R$ 588 milhões, alta de 31% na comparação anual e ainda ligeiramente acima das estimativas do Safra.
Resultado operacional permanece consistente
O desempenho operacional da Copel seguiu sólido e dentro do esperado.
O EBITDA ajustado, excluindo equivalência patrimonial, totalizou R$ 1,61 bilhão, em linha com as projeções do Safra e do consenso de mercado.
Já o EBITDA reportado alcançou R$ 1,94 bilhão, crescimento de 17% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado recebeu impacto positivo da atualização financeira da base de ativos da distribuidora, além de outros efeitos contábeis e financeiros.
Na avaliação do Safra, os números reforçam a consistência operacional da companhia, ainda que a maior parte dos fatores positivos já estivesse incorporada às expectativas dos investidores.
Distribuição impulsiona crescimento da receita
As receitas, desconsiderando a linha de construção, cresceram 17% na comparação anual.
O principal destaque veio da área de distribuição, que registrou aumento de 7,2% no mercado faturado. O avanço refletiu o maior nível de atividade econômica e temperaturas mais elevadas no início do trimestre, fatores que impulsionaram o consumo de energia.
O segmento residencial apresentou desempenho especialmente forte.
Também contribuíram para o crescimento da receita o reajuste tarifário aprovado em 2025, o aumento dos preços médios de venda de energia na área de geração e a expansão das receitas da unidade de transmissão.
A consolidação da unidade Mata de Santa Genebra também favoreceu o resultado.
Geração enfrenta desafios operacionais
Apesar do desempenho positivo da receita, alguns fatores limitaram um crescimento ainda maior.
A companhia registrou receitas menores no mercado de curto prazo devido à estratégia de alocação de energia. Além disso, os ativos eólicos apresentaram menor geração e enfrentaram níveis mais elevados de restrição operacional.
Ainda assim, a unidade de geração entregou um trimestre considerado positivo pelo Safra.
Custos sob controle, apesar de provisões maiores
As despesas operacionais recorrentes cresceram 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficaram acima das estimativas.
O aumento refletiu principalmente maiores provisões judiciais na distribuidora e custos superiores ao esperado na área de geração.
Por outro lado, os indicadores operacionais permaneceram saudáveis. O índice de perdas ficou estável em 7,7%, abaixo do limite regulatório de 8,6%.
As provisões para inadimplência também permaneceram controladas e ficaram abaixo das projeções do mercado.
Estratégia de capital reforça perspectiva positiva
A alavancagem encerrou o trimestre em 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e geração operacional de caixa, ligeiramente acima das 2,8 vezes registradas no trimestre anterior.
Além disso, a companhia avançou na comercialização de energia para os próximos anos, negociando aproximadamente 61 megawatts médios entre 2026 e 2029/2030 a preços considerados atrativos.
Na avaliação do Safra, a Copel segue negociando com uma taxa interna de retorno superior à média do setor, o que sustenta uma visão positiva para a ação.
O que esperar da Copel
O Safra avalia que a Copel entregou mais um trimestre consistente, com crescimento operacional sólido e lucro impulsionado por efeitos extraordinários.
A forte demanda na distribuição, especialmente no segmento residencial, compensou desafios enfrentados na geração e contribuiu para a expansão das receitas.
Além disso, iniciativas de alocação de capital, como o programa de eficiência operacional e os efeitos da revisão tarifária recente, devem continuar apoiando os resultados nos próximos trimestres.
Diante desse cenário, o Safra mantém visão positiva para a Copel (CPLE6), apoiada pela combinação de fundamentos sólidos, disciplina na gestão de capital e potencial de retorno acima da média do setor elétrico.