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C&A Brasil apresenta plano para acelerar crescimento até 2030

Estratégia Full Power prevê reformas, novas lojas, maior presença digital e uso de tecnologia para elevar a produtividade e ampliar o crescimento da companhia


A C&A Brasil (CEAB3) apresentou, em 26 de agosto de 2026, sua nova estratégia para o período de 2027 a 2030. Batizado de Full Power, o plano amplia as iniciativas do programa Energia e combina expansão, tecnologia e disciplina de capital.

A estratégia tem como principal objetivo aumentar a produtividade das vendas de vestuário. Para isso, a companhia pretende acelerar o desenvolvimento de coleções, aprimorar o sortimento e ampliar a integração entre lojas, canais digitais e serviços financeiros.

Na avaliação do Banco Safra, o Investor Day teve resultado positivo. A administração apresentou um roteiro claro para ampliar os ganhos obtidos com o programa Energia e criar novas frentes de crescimento.

Energia ganha escala

O programa Energia já trouxe avanços operacionais importantes para a C&A. Desde o seu lançamento, a companhia melhorou o sortimento, aprimorou a jornada dos clientes, fortaleceu o relacionamento com o público e ampliou a integração entre os canais de venda.

As principais categorias registraram crescimento entre 35% e 45%. Além disso, a margem bruta de vestuário aumentou 1,5 ponto percentual e a participação das vendas digitais avançou quatro pontos percentuais.

A nova estratégia pretende acelerar esse movimento. A empresa também planeja ampliar o uso de inteligência artificial, melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos e desenvolver produtos financeiros com maior capacidade de engajamento.

Lojas mais produtivas

A produtividade das lojas será um dos principais pilares do Full Power. Por meio do programa Dispersão, a C&A revisou mais de 100 unidades com desempenho abaixo do esperado.

As ações incluíram mudanças nas equipes e na liderança, ajustes de sortimento, revisão de processos, alterações de layout e reformas direcionadas. Como resultado, as vendas por metro quadrado aumentaram 34% entre o fim de 2023 e 2025.

A administração estima que outras 80 lojas ainda tenham oportunidades semelhantes de melhoria.

Além do programa Dispersão, a companhia reformou 32 lojas em 15 estados desde o início do Energia. Essas unidades registraram aumento de 28% nas vendas por metro quadrado entre 2023 e 2025.

O formato Loja Energia também apresentou resultados iniciais positivos. A produtividade de vendas cresceu aproximadamente 15%, enquanto o índice de recomendação dos clientes avançou 15 pontos em comparação com lojas semelhantes.

Expansão para novas cidades

A C&A pretende abrir entre 60 e 80 novas lojas até 2030. A empresa reformulou seu modelo de expansão para melhorar a escolha dos pontos comerciais e aumentar a aderência ao perfil dos consumidores de cada região.

Cerca de 80% das oportunidades mapeadas estão em áreas onde a companhia ainda não atua. O foco está principalmente em cidades com menos de 500 mil habitantes nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Segundo a administração, esses mercados permitem a operação de lojas menores, com custos de ocupação mais baixos e potencial de rentabilidade atrativo.

A companhia também pretende acelerar negócios complementares, como a ACE, dentro da estratégia de diversificação e crescimento.

Venda digital pode dobrar

A C&A espera elevar a participação das vendas digitais de 7% para 15% das vendas de vestuário até 2030. A meta prevê crescimento com preservação da rentabilidade.

A empresa observa uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a utilizar mais recomendações personalizadas e interações conversacionais. Nesse contexto, a inteligência artificial deverá ter papel central na jornada de compra.

A companhia lançou o Home For You, uma página inicial personalizada com base no comportamento de cada cliente. A ferramenta já apresenta taxas de conversão aproximadamente cinco vezes superiores às da página padrão.

O AI Personal Shopper também oferece recomendações de moda pelo aplicativo e pelo WhatsApp. Além de aumentar as conversões, as soluções buscam elevar o engajamento e aproximar as experiências física e digital.

Nas lojas, a C&A planeja implementar sistemas de pagamento sem atendimento em mais de 200 unidades durante 2026.

Tecnologia melhora sortimento

A empresa considera a otimização do sortimento um dos principais caminhos para novos ganhos de produtividade. O Commercial Intelligence Hub, plataforma em fase final de implementação, deverá substituir um modelo padronizado por decisões mais regionais e dinâmicas.

Com o uso de inteligência artificial e análise avançada de dados, a ferramenta deverá indicar o mix ideal de produtos, o nível adequado de estoque e a estratégia de preços para cada grupo de lojas.

A expectativa é aumentar as vendas por metro quadrado e reduzir o tempo de permanência dos produtos em estoque.

A logística também passará por mudanças. A C&A pretende migrar de uma estrutura centralizada para uma rede mais regionalizada, com quatro centros de distribuição e diversos polos logísticos até 2030.

O centro de distribuição de Pernambuco já iniciou as operações e deverá estar totalmente funcional no início de 2027. A unidade de Santa Catarina, por sua vez, foi ampliada para apoiar a distribuição entre os centros.

A companhia também pretende aumentar a cobertura do modelo Push & Pull, que permite reposições mais flexíveis, de 54% dos produtos em 2025 para aproximadamente 70% em 2030.

Crédito amplia relacionamento

Os produtos financeiros continuam entre as principais ferramentas de relacionamento da C&A. Segundo a administração, clientes que utilizam esses serviços compram duas vezes mais frequentemente, têm gasto médio 25% maior por compra e desembolsam aproximadamente 150% mais na companhia do que os consumidores sem crédito.

O cartão próprio continua sendo a base desse ecossistema. No entanto, a empresa avalia lançar novos produtos, como cartões em parceria com outras marcas e crédito pessoal.

A expansão deverá manter critérios rigorosos de concessão. O C&A Pay continuará como um dos diferenciais da companhia, com adesão totalmente digital, uso de documentos de identificação e biometria, além de aprovação de crédito em aproximadamente um minuto.

A estratégia Full Power prevê a integração cada vez maior entre relacionamento, fidelidade e crédito. O objetivo é aumentar a frequência de compras, a retenção e o valor dos clientes ao longo do tempo.

Safra vê potencial de crescimento

Para o Safra, a C&A ainda possui espaço relevante para crescer de forma rentável e melhorar seus indicadores operacionais.

A avaliação considera os resultados já obtidos pelo programa Energia e a capacidade de execução demonstrada pela administração nos últimos três anos. A marca tem reconhecimento de 98% entre os consumidores e presença nacional, fatores que podem favorecer a expansão dos novos projetos.

O Safra destaca, porém, que o cumprimento das metas para o período de 2027 a 2030 dependerá da execução. A ampliação das lojas, o avanço digital, a transformação logística e o desenvolvimento de produtos financeiros exigirão investimentos consistentes e disciplina operacional.

A companhia prevê investimentos entre 7% e 8% da receita líquida, alavancagem inferior a 0,5 vez a dívida líquida em relação ao resultado operacional e manutenção da política de retorno do excesso de caixa aos acionistas.



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