O Banco Safra revisou suas projeções para o setor de proteínas e passou a adotar uma visão mais cautelosa para JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3), diante da demora na recuperação das margens de carne bovina nos Estados Unidos. Em contrapartida, o banco mantém recomendação de compra para Minerva (BEEF3), que deve se beneficiar da maior competitividade da América do Sul no mercado global.
Ciclo negativo nos Estados Unidos pressiona setor
Segundo o Safra, o ciclo pecuário nos Estados Unidos deve continuar pressionado por mais tempo do que o esperado, dificultando a recuperação das margens das operações de carne bovina no país.
A oferta restrita de gado limita os spreads da indústria e deve manter o cenário desafiador ao menos até 2028. Ao mesmo tempo, os ciclos favoráveis de aves e suínos começam a perder força gradualmente.
O banco também destaca que o aumento da oferta global de aves e suínos, combinado com riscos de alta nos preços dos grãos, reduz o potencial de expansão das margens nesses segmentos.
América do Sul ganha espaço na carne bovina
Em meio à crescente escassez global de carne bovina, a América do Sul aparece em posição mais favorável devido à maior disponibilidade relativa de gado e aos custos mais baixos de produção.
Na avaliação do Safra, esse cenário beneficia principalmente a Minerva, que possui operação distribuída em diferentes países da região.
Embora as tensões no comércio global de carne bovina continuem no radar, especialmente em relação às cotas de importação da China, o banco acredita que a estrutura geográfica da Minerva ajuda a reduzir riscos operacionais.
Outro ponto positivo é a expectativa de geração de caixa livre robusta, com rendimento estimado em 10%.
Safra rebaixa recomendação para JBS
O Safra rebaixou a recomendação para JBS de compra para neutra e definiu novo preço-alvo de US$ 15 por ação.
Segundo o banco, as dificuldades enfrentadas pela operação de carne bovina nos Estados Unidos superam a resiliência observada nos negócios de aves e suínos.
Além disso, o Safra avalia que a ação já negocia com prêmio em relação aos pares norte-americanos, o que limita o potencial de valorização no curto prazo.
O banco pondera, porém, que uma eventual inclusão da companhia em índices dos Estados Unidos pode atrair fluxo passivo de investimentos.
Marfrig também perde espaço
O Safra também rebaixou Marfrig para neutra, com preço-alvo reduzido para R$ 19 por ação.
A avaliação considera que as margens mais fracas da operação de carne bovina nos Estados Unidos devem continuar pressionando os resultados consolidados da companhia.
Apesar da manutenção de spreads ainda sólidos em aves e suínos, o banco vê menor espaço para reprecificação das ações diante do atual nível de valuation e da alavancagem financeira elevada.
Segundo o Safra, um eventual IPO da Sadia Halal em 2027 pode gerar impacto positivo marginal para a tese de investimento.
Minerva segue como preferida do Safra
Entre as empresas do setor, a Minerva continua como a principal recomendação do Safra.
O banco manteve recomendação de compra e elevou o preço-alvo para R$ 5,50 por ação.
Atualmente, a companhia negocia com desconto relevante em relação aos pares do setor, tanto na comparação histórica quanto frente aos múltiplos atuais do mercado.
Para o Safra, o valuation já incorpora boa parte das preocupações relacionadas ao comércio global, ao aumento do custo do gado no Brasil e à alavancagem financeira.
Ainda assim, a instituição avalia que a empresa está melhor posicionada para capturar os efeitos da crescente escassez global de carne bovina.