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Seguradoras tendem a apresentar trimestre fraco

Prévia do 1º trimestre aponta resultados fracos para seguradoras brasileiras, com Caixa Seguridade melhor posicionada no setor


A temporada de resultados das seguradoras brasileiras no primeiro trimestre de 2026 deve trazer números pouco empolgantes. Na avaliação do Safra, os dados da Superintendência de Seguros Privados, a Susep, até fevereiro reforçam um cenário de crescimento fraco nas principais linhas de seguros.

No segmento de bancassurance, as tendências vistas nos últimos trimestres continuam presentes. As linhas centrais de seguros, como prestamista, rural e vida, seguem sem força e ainda não mostram gatilhos capazes de sustentar uma retomada mais consistente.

Ao mesmo tempo, o lado operacional não preocupa na mesma intensidade. Os sinistros permanecem sob controle e, por enquanto, não há sinais de eventos que possam pressionar de forma relevante os indicadores de sinistralidade. Ainda assim, o ambiente segue pouco favorável para o desempenho de subscrição.

Caixa Seguridade aparece melhor posicionada

Nesse contexto, a Caixa Seguridade (CXSE3) continua como a empresa mais bem posicionada entre os nomes cobertos pelo Safra. A principal razão está na maior exposição ao crédito imobiliário, segmento que ainda sustenta crescimento mais resiliente.

A expectativa é que os resultados do primeiro trimestre reforcem essa leitura. Mesmo com desaceleração em algumas frentes, a companhia deve seguir apoiada pela performance do negócio ligado ao financiamento habitacional, o que tende a diferenciá-la em um setor com poucos catalisadores no curto prazo.

BB Seguridade deve sentir piora na comparação trimestral

Para a BB Seguridade (BBSE3), o Safra projeta lucro de R$ 2,160 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O número representa queda de 6% em relação ao trimestre anterior e alta de 8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O desempenho de Brasilseg e Brasilprev deve pesar na comparação trimestral. No caso da operação de seguros, os principais fatores negativos devem ser a queda de 3% nos prêmios ganhos e a piora de 3,3 pontos percentuais no índice de sinistralidade, em parte por conta do efeito de reversões observadas no trimestre anterior.

Por outro lado, os prêmios emitidos tendem a ficar praticamente estáveis na comparação sequencial. O avanço do seguro prestamista deve ajudar, com alta estimada de 36% frente ao trimestre anterior. Já o seguro rural deve recuar 10% no período.

Na Brasilprev, a expectativa é de forte expansão da captação bruta, para R$ 14 bilhões. Esse movimento, no entanto, deve elevar os custos de aquisição. Em contrapartida, a receita financeira pode mostrar melhora, favorecida pela dinâmica da inflação.

IRB Re deve ter lucro menor, apesar de melhora operacional

Para o IRB Re (IRBR3), a estimativa do Safra é de lucro líquido de R$ 110 milhões no primeiro trimestre. O valor representa queda de 23% ante o trimestre anterior e recuo de 8% na comparação anual.

A companhia ainda enfrenta um ambiente desafiador para crescimento de prêmios emitidos. A projeção é de queda de 1% em relação ao mesmo período de 2025, com recuo de 3% no Brasil e avanço de 3% no exterior.

Ao mesmo tempo, o índice de retrocessão deve subir 0,5 ponto percentual em base anual, para 22,5%, acompanhando os níveis mais elevados vistos até fevereiro. Com isso, os prêmios ganhos devem crescer apenas 1% em um ano.

Ainda assim, o cenário de sinistros segue favorável. A menor pressão, especialmente no seguro rural, deve levar a uma melhora de 4,5 pontos percentuais no índice de sinistralidade, para 62,0%. Com isso, o resultado de subscrição tende a avançar 45% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Além disso, o índice combinado é estimado em 102%, com melhora de 1,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior. O resultado financeiro também deve crescer 14%, para R$ 161 milhões, o que ajuda a compensar a menor contribuição da equivalência patrimonial.

Caixa Seguridade deve combinar resiliência e crescimento

Para a Caixa Seguridade, o Safra espera lucro líquido de R$ 1,085 bilhão no primeiro trimestre de 2026. O resultado indica queda de 3% frente ao trimestre anterior e alta de 8% na comparação anual.

Em seguros, os prêmios de crédito imobiliário devem seguir como principal motor de crescimento na comparação com o ano passado. A expectativa é de avanço de 13% nessa linha, ainda com desempenho sólido. No segmento patrimonial, a alta projetada é de 7%, embora em ritmo menor.

Por outro lado, prestamista e vida devem continuar fracos. As projeções apontam queda de 25% e 2%, respectivamente, na comparação anual.

Os indicadores de sinistralidade devem melhorar de forma sequencial em praticamente todas as linhas, com exceção do crédito imobiliário, para o qual o Safra projeta alta de 1,1 ponto percentual.

Na previdência, a captação bruta deve recuar 3% frente ao trimestre anterior. Mesmo assim, a captação líquida deve continuar positiva, em torno de R$ 1 bilhão.

O que esperar das seguradoras brasileiras

A prévia do primeiro trimestre sugere um setor sem grandes surpresas positivas no curto prazo. As linhas mais relevantes de seguros seguem fracas, enquanto o controle de sinistros impede uma deterioração maior dos resultados.

Nesse cenário, a Caixa Seguridade continua como o nome com melhor posicionamento relativo. Já BB Seguridade e IRB Re devem atravessar um trimestre mais pressionado, ainda que com alguns pontos de melhora operacional.

Para o investidor, a leitura central segue a mesma. Em um ambiente de crescimento limitado, empresas com exposição a nichos mais resilientes tendem a se destacar mais do que aquelas dependentes de linhas que ainda mostram perda de tração.



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