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B3 mostra estabilidade e poucos gatilhos de receita

B3 mantém volume de ações estável, mas vê fraqueza em derivativos e renda fixa, o que limita catalisadores de receita no curto prazo


A Bolsa de Valores brasileira B3 (B3SA3) divulgou dados operacionais de abril com leitura neutra na visão dos especialistas do Banco Safra. O principal indicador do mercado de ações, o volume médio diário negociado, ficou estável em relação a março, em R$ 37,2 bilhões.

Na comparação com abril de 2025, houve crescimento de 29%. Ainda assim, o patamar dos volumes já parece amplamente incorporado às expectativas do mercado. Por isso, o banco vê poucos gatilhos adicionais de receita no curto prazo.

O desempenho mais estável das ações contrasta com a perda de fôlego em outras linhas relevantes do negócio, como derivativos e renda fixa. Esse quadro limita uma revisão mais positiva para a dinâmica de receitas no curto prazo.

Mercado de ações segue resiliente

Dentro do segmento de ações, houve melhora sequencial nos mercados a termo e futuros de ações, com avanço de 13% em relação a março. Por outro lado, o mercado de opções recuou 17% no mesmo intervalo.

A velocidade de giro caiu 6 pontos percentuais no mês, para 160%. Na comparação com abril do ano passado, porém, houve leve alta de 1 ponto percentual.

O aluguel de ações continuou com desempenho forte. O estoque em aberto cresceu 4% em relação a março e 54% na comparação anual. Além disso, a taxa de aluguel subiu 45 pontos-base no mês, embora tenha recuado 25 pontos-base em relação ao mesmo período de 2025.

Derivativos perdem força após março mais forte

O segmento de derivativos mostrou a principal fraqueza do mês. O volume médio diário totalizou 11,1 milhões de contratos, com queda de 33% em relação a março e de 14% na comparação anual.

Parte desse recuo na comparação mensal ocorreu porque março foi um ponto fora da curva, o que elevou artificialmente a base de comparação. Ainda assim, o dado mostrou perda de ritmo relevante.

A queda sequencial foi puxada principalmente pelos contratos de juros em reais, que recuaram 43% no mês. Na comparação anual, a pressão veio sobretudo dos contratos de câmbio e de criptoativos.

A receita por contrato subiu 3% em relação a abril de 2025, para R$ 1,160. Mesmo assim, a receita mensal do segmento caiu para R$ 257 milhões, com recuo de 11% na comparação anual e de 31% frente a março, refletindo o menor volume negociado.

Renda fixa começa a perder fôlego

As emissões de renda fixa recuaram 9% em relação a março, embora ainda tenham mostrado alta de 4% na comparação anual. Na avaliação do Safra, esse movimento sugere perda de tração em um ambiente macroeconômico menos favorável.

Ao mesmo tempo, o estoque de instrumentos de renda fixa avançou 1% no mês e 17% em relação ao ano anterior. Já o saldo de aplicações no Tesouro Direto cresceu 4% na comparação mensal e 46% na anual, o que mostra continuidade do interesse do investidor pessoa física por esse tipo de produto.

Outras linhas mostram desempenho misto

Nos derivativos de balcão, as novas emissões caíram 36% em relação a março e 12% na comparação anual. O estoque, porém, ficou estável no mês e cresceu 10% em relação a abril de 2025.

Na divisão de tecnologia, dados e serviços, a utilização mensal ficou estável frente a março e avançou 8,3% na comparação anual. O desempenho confirma uma trajetória mais resiliente dessa unidade, embora ainda sem força para mudar a leitura consolidada do mês.

Recomendação de compra se mantém

Na visão do Safra, os dados operacionais de abril da B3 reforçam um cenário de neutralidade no curto prazo. O mercado de ações segue em nível estável, enquanto renda fixa começa a perder força e derivativos mostram retração importante.

Esse conjunto indica poucos catalisadores imediatos para o crescimento de receita. Ainda assim, a recente queda da ação para R$ 16,6 melhora levemente a relação entre risco e retorno.

Por isso, o Safra mantém recomendação de compra para B3SA3. O banco entende que o papel ficou mais atraente em preço, mesmo sem gatilhos operacionais mais claros no horizonte próximo.



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