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Farmácias são destaque positivo do varejo no primeiro trimestre

Temporada do primeiro trimestre de 2026 destaca força das farmacêuticas e mantém pressão sobre comércio eletrônico e varejo alimentar


O setor de varejo farmacêutico foi o principal destaque positivo do trimestre, mostrando crescimento consistente de vendas em mesmas lojas, ganho de margem e, em alguns casos, melhora relevante na geração de caixa.

A Raia Drogasil (RADL3) liderou esse movimento. A companhia entregou mais um trimestre de avanço operacional, com crescimento de 14% nas vendas em mesmas lojas e expansão da margem operacional. Além disso, reduziu a dívida líquida em relação ao trimestre anterior e encerrou o período com alavancagem confortável.

Na visão do Safra, a companhia apresentou um dos resultados mais sólidos da temporada, com evolução combinada de vendas, rentabilidade e disciplina financeira.

Pressão menor sobre margens favorece o setor

A Pague Menos (PGMN3) também apresentou números encorajadores. A companhia superou as estimativas em resultado operacional e lucro líquido, apoiada por melhora de margem bruta e pelo crescimento da participação dos medicamentos para obesidade e diabetes no mix de vendas.

Ainda assim, o Safra destaca que a queima de caixa segue como ponto de atenção. O aumento da dívida líquida em base anual exige monitoramento mais próximo, apesar do avanço operacional.

Já a Panvel (PNVL3) entregou números em linha com o esperado, com crescimento de vendas em mesmas lojas, expansão de margem e fluxo de caixa operacional positivo depois dos investimentos. O balanço segue saudável, com baixa alavancagem.

Para o Safra, o setor deve manter o momento favorável no segundo trimestre. A continuidade do avanço das vendas de medicamentos da classe GLP-1 e a expectativa de entrada de genéricos no segundo semestre de 2026 funcionam como catalisadores importantes para a cobertura.

Hypera mostra sinal de estabilização

Na indústria farmacêutica, a Hypera (HYPE3) apresentou o terceiro trimestre sem ajustes ligados ao processo de reestruturação. O resultado veio em linha entre receita e resultado operacional, com margem próxima do padrão histórico e melhora contínua no capital de giro.

Além disso, o lucro líquido superou a estimativa do Safra, com apoio de créditos tributários. A companhia também voltou a crescer acima do mercado, um sinal que passa a ganhar relevância depois de um período mais desafiador.

O próximo passo, segundo o banco, será acompanhar se essa recuperação de vendas ao consumidor final terá continuidade nos próximos trimestres.

A Blau Farmacêutica (BLAU3), por sua vez, entregou números em linha, com crescimento de receita e expansão de margem bruta. O Safra entende que o foco agora está em dois pontos: o avanço da certificação regulatória das novas linhas de produção e a normalização da posição de caixa em moeda estrangeira, que gerou ruído no trimestre.

Comércio eletrônico segue sob pressão

No comércio eletrônico, o cenário permaneceu mais difícil. O ambiente macroeconômico adverso e a concorrência intensa continuaram limitando o desempenho das empresas cobertas pelo Safra.

O Magazine Luiza (MGLU3) apresentou resultado operacional em linha, mas a principal preocupação segue na geração de caixa. A companhia continua consumindo recursos em base acumulada de 12 meses, mesmo com uma estrutura mais enxuta.

Além disso, as vendas no comércio eletrônico próprio recuaram em relação ao mesmo período do ano passado, pressionadas por preços mais altos em categorias relevantes. Nas lojas físicas, o desempenho foi melhor, mas insuficiente para mudar a leitura mais cautelosa sobre o nome.

Para o Safra, o segundo trimestre ainda deve seguir desafiador para o Magazine Luiza, diante da combinação entre competição forte e ambiente macro ainda apertado.

Casas Bahia melhora, mas caixa ainda preocupa

A Casas Bahia (BHIA3) mostrou evolução operacional e melhora sequencial na queima de caixa, o que traz um sinal mais construtivo em relação aos trimestres anteriores. As vendas do canal próprio pela internet avançaram em ritmo forte, impulsionadas pela parceria com o Mercado Livre (MELI34).

Mesmo assim, o lucro líquido ficou abaixo do esperado, pressionado por despesas financeiras mais elevadas e efeito tributário negativo. A geração de caixa também segue fraca em base acumulada, o que dificulta uma reversão mais rápida do prejuízo.

Na avaliação do Safra, o processo de reestruturação continua apresentando avanços no resultado operacional, mas a dinâmica de caixa ainda representa o principal ponto de atenção.

Mercado Livre cresce forte, mas margem cai

O Mercado Livre teve mais um trimestre de crescimento acelerado, com expansão de receita em ritmo forte. Ainda assim, a margem operacional ficou pressionada por despesas mais altas com inadimplência esperada, políticas comerciais e investimentos logísticos.

O Safra observa que esse movimento está ligado à estratégia de sustentar expansão robusta. A companhia segue investindo em crédito, frete e centros de distribuição para manter crescimento acima de 40% ao ano em volume bruto de mercadorias.

Dentro desse contexto, a operação de cartões de crédito do Mercado Pago ganhou ainda mais peso na carteira total de crédito. Ao mesmo tempo, a rentabilidade dessa carteira recuou, refletindo uma mudança estrutural no mix.

A leitura do banco é que o Mercado Livre deve continuar crescendo de forma sólida, mas com volatilidade de margem nos próximos trimestres.

Varejo alimentar perde tração

No varejo alimentar, a temporada foi marcada por desaceleração das vendas em mesmas lojas, mesmo com inflação positiva de alimentos. Juros altos e endividamento das famílias seguiram pressionando o consumo, o que reduziu volumes e reforçou a migração para itens mais baratos.

O Grupo Mateus (GMAT3) foi o principal destaque negativo do segmento. A companhia registrou queda relevante nas vendas em mesmas lojas e pressão importante sobre a margem operacional. Por outro lado, mostrou redução da dívida líquida em relação ao ano anterior, o que ameniza parte da leitura negativa.

O Assaí (ASAI3) também reportou crescimento mais fraco, com vendas em mesmas lojas levemente negativas. Ainda assim, a margem operacional permaneceu estável, apoiada por melhora na margem bruta.

Para o Safra, o cenário do setor não deve mudar de forma relevante no curto prazo. O banco pretende acompanhar principalmente a evolução das vendas em mesmas lojas, a trajetória de margens e o processo de desalavancagem do Assaí.

O que deve continuar no segundo trimestre

A consolidação da temporada reforça uma divisão clara entre os segmentos. De um lado, as varejistas farmacêuticas seguem com fundamentos mais fortes, impulsionadas por demanda resiliente, expansão de margens e novas avenidas de crescimento. De outro, o comércio eletrônico e parte do varejo alimentar ainda operam sob pressão de consumo, competição e caixa.

Na prática, o Safra espera que os destaques positivos do trimestre continuem aparecendo no segundo trimestre, em especial no varejo farmacêutico. Já entre os nomes mais pressionados, a expectativa é de pouca mudança no curto prazo.

Esse quadro vale sobretudo para Magazine Luiza, Casas Bahia e Grupo Mateus, que devem seguir convivendo com desafios relevantes de vendas, rentabilidade ou geração de caixa.

Análise dos especialistas

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 confirmou que o varejo ligado à saúde segue como a principal ilha de resiliência dentro do consumo. Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel sustentaram um desempenho mais consistente, enquanto Hypera deu novos sinais de estabilização.

Ao mesmo tempo, o comércio eletrônico continua exigindo cautela, principalmente nos casos em que a queima de caixa ainda limita a melhora do lucro. No varejo alimentar, o ambiente segue desafiador, com consumo pressionado e pouca perspectiva de aceleração no curto prazo.

Para o investidor, a principal mensagem da temporada é direta: os vencedores do trimestre tendem a continuar fortes nos próximos meses, enquanto os nomes mais pressionados ainda precisam provar capacidade de recuperação mais consistente.



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