A Itaúsa (ITSA4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,316 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou 7,8% abaixo da estimativa do Banco Safra, recuou 4,6% em relação ao primeiro trimestre e avançou 13,4% na comparação anual.
A diferença em relação à projeção veio principalmente da menor contribuição das investidas NTS e Aegea. Os resultados financeiros também ficaram ligeiramente mais fracos no período.
O Itaú Unibanco (ITUB4), por outro lado, continuou apresentando desempenho sólido. A instituição teve alta de 8,5% na contribuição anual para o resultado da Itaúsa.
NTS é principal surpresa negativa
A NTS foi o principal ponto negativo do balanço. A companhia registrou contribuição negativa de R$ 68 milhões para o resultado da Itaúsa no segundo trimestre.
No mesmo período de 2025 e no primeiro trimestre de 2026, a NTS havia apresentado contribuições positivas. A mudança pressionou o resultado recorrente da holding.
Os resultados financeiros também pioraram moderadamente. A despesa passou de R$ 55 milhões negativos no segundo trimestre de 2025 e no primeiro trimestre de 2026 para R$ 62 milhões negativos no segundo trimestre deste ano.
Aegea mantém impacto negativo
A Aegea gerou contribuição negativa de R$ 14 milhões no segundo trimestre de 2026. No primeiro trimestre, a companhia havia contribuído positivamente com R$ 17 milhões. No segundo trimestre de 2025, o impacto havia sido negativo em R$ 21 milhões.
A Itaúsa não contou novamente com o efeito contábil positivo relacionado ao aumento de capital concluído em março de 2026. A operação elevou a participação da holding na Aegea para 13,27%.
Após os ajustes contábeis e as medidas de governança divulgadas nos trimestres anteriores, a administração continua monitorando o desempenho operacional e financeiro da investida.
Investidas não financeiras avançam
A maior parte das investidas não financeiras apresentou crescimento dos lucros no trimestre.
A Alpargatas (ALPA4) teve alta de 83% na contribuição anual para o resultado da Itaúsa. A Motiva (MOTV3) avançou 68%, enquanto a Copa Energia registrou crescimento de 17%.
A Dexco (DXCO3) foi uma exceção. A contribuição da companhia recuou 78% na comparação anual.
Resultado operacional cresce
O resultado operacional da Itaúsa alcançou R$ 4,295 bilhões no segundo trimestre, alta de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. O valor, entretanto, ficou abaixo da expectativa do Safra.
A receita de imposto diferido permaneceu praticamente estável, em R$ 21 milhões. Com isso, o lucro líquido recorrente chegou a R$ 4,316 bilhões no trimestre.
As despesas operacionais aumentaram 29% na comparação anual, refletindo principalmente o crescimento de outras despesas operacionais.
Dividendos aumentam
A Itaúsa manteve seu perfil de remuneração aos acionistas no segundo trimestre.
A companhia distribuiu R$ 0,21 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio. O valor superou os R$ 0,13 por ação pagos no primeiro trimestre de 2026 e os R$ 0,08 por ação distribuídos no segundo trimestre de 2025.
Safra mantém recomendação de compra
O Safra reiterou a recomendação de compra para as ações da Itaúsa, embora avalie que a relação entre risco e retorno dos bancos brasileiros esteja menos atrativa.
A reforma fiscal continua sendo um possível catalisador para a holding em 2027. No entanto, o desconto da Itaúsa diminuiu de forma relevante no acumulado do ano.
Além disso, embora as preocupações relacionadas à Aegea tenham diminuído após os ajustes contábeis e as medidas de governança anunciadas anteriormente, a investida ainda apresentou contribuição negativa no segundo trimestre.
Esse fator pode limitar o desempenho das ações da Itaúsa em relação aos papéis do Itaú no curto prazo.