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Construtoras em alta: as ações preferidas do Safra para o próximo ciclo

MCMV em alta redefine estratégias; Safra aponta novas preferências e preços-alvo no setor de construção

3 minutos
Prédios em construção com andaimes e guindastes ao lado de um arranha-céu moderno, sob céu azul claro

Investir em construtoras focadas no MCMV tem sido vantajoso nos últimos anos, e TEND é a nova preferência do Safra | Foto: Getty Images

O Safra atualizou suas estimativas e preferências para construtoras do segmento popular, apoiado em fundamentos mais sólidos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Investir em companhias focadas no MCMV tem sido vantajoso nos últimos anos: as ações estão entre as de melhor desempenho no ano (+110% vs. +35% do Ibovespa).

Com o MCMV em seu auge e níveis recordes de acessibilidade à moradia, esse cenário favorável deve impulsionar o apetite ao risco, beneficiando empresas com beta mais alto.

Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) foram destaques do último ciclo, com execução consistente e retornos superiores, mas, considerando o prêmio de cerca de 30% em relação aos pares, o Safra vê melhor relação risco-retorno em companhias com múltiplos mais baixos, especialmente à medida que a próxima onda de aprimoramentos do programa se concretize.

Entre as novas preferências, Tenda (TEND3) assume protagonismo, com projeção de crescimento de cerca de 60% no LPA e retorno sólido sobre patrimônio líquido de 39% em 2026, negociando a 5,4x P/L, o menor múltiplo da cobertura.

O Safra também está otimista com Plano & Plano (PLPL3), negociada a 5,8x P/L em 2026, apesar do impacto do ciclo de construção estendido.

Cury e Direcional seguem atrativas, com excelente retorno de dividendos e potencial de valorização, embora o teto para retornos excepcionais possa diminuir à medida que o crescimento se estabilize.

Já para MRV (MRVE3), a recomendação permanece neutra, pois sua avaliação relativa não parece promissora, apesar dos avanços operacionais e do plano de desinvestimento da Resia.

O Safra alerta para riscos relevantes no setor de construção:

  • Inflação da construção acima do esperado, pressionando margens e fluxo de caixa;
  • Escassez de recursos para o MCMV, caso aumentem os saques do FGTS;
  • Riscos de execução diante da forte expansão de lançamentos (crescimento anual composto de 22% em três anos).

Confira a seguir mais detalhes das recomendações.

Cury (CURY3): crescimento aliado a forte retorno de dividendos

  • Potencial de valorização: 41% | Recomendação: Compra
  • Principais premissas: vendas líquidas de R$ 7,1 bi (2025) e R$ 8,3 bi (2026); custo de capital 13,2%
  • O que mudou: lançamentos projetados em R$ 8,7 bi (2026) e R$ 9 bi (2027); margem bruta +71 p.b. (2026) e +58 p.b. (2027); carteira com margem recorde de 43,4% no 3T25
  • Projeções: crescimento de lucros +26% (2025–2027); ROE médio 76%; dividendos 7%; múltiplo 8,7x P/L (2026)
  • Avaliação: valor patrimonial R$ 14,6 bi (R$ 50/ação)

Direcional (DIRR3): rentabilidade de primeira linha com dividendos robustos

  • Potencial de valorização: 35% | Recomendação: Compra
  • Premissas: vendas líquidas R$ 6,4 bi (2026) e R$ 7,1 bi (2027); custo de capital 12,5%
  • O que mudou: margem bruta projetada em 42,1% (2026) e 41,5% (2027); carteira com margem recorde de 45,2% no 3T25
  • Projeções: crescimento de lucros +24% (2025–2027); múltiplo 8,1x P/L (2026); dividendos extraordinários de R$ 940 mi
  • Avaliação: valor patrimonial R$ 11,4 bi (R$ 22/ação)

MRV & Co (MRVE3): caminhando na direção certa, mas avaliação não é convincente

  • Potencial de valorização: 18% | Recomendação: Neutra
  • Premissas: custo de capital 15,8%; alavancagem elevada e dinâmica de venda de recebíveis
  • O que mudou: melhora na margem bruta; plano de desinvestimento da Resia favorecido por cortes de juros nos EUA; desalavancagem com obstáculos
  • Projeções: lucro projetado R$ 664 mi (+21%); múltiplo 7,9x P/L (2026), prêmio de 9% vs pares; dívida líquida/patrimônio 99%
  • Avaliação: valor patrimonial R$ 6,2 bi (R$ 11/ação)

Plano & Plano (PLPL3): forte perspectiva de crescimento com avaliação atrativa

  • Potencial de valorização: 57% | Recomendação: Compra
  • Premissas: lançamentos R$ 5 bi (2025) e R$ 5,4 bi (2026); custo de capital 15,6%
  • O que mudou: receita líquida +7% (2026); ciclo de construção estendido (36 meses); despesas maiores; dividendos moderados (25%)
  • Projeções: crescimento de lucros +43% (2025–2027); múltiplo 5,8x P/L (2026)
  • Avaliação: valor patrimonial R$ 4,9 bi (R$ 24/ação)

Tenda (TEND3): assimetria favorável com risco moderado e recompensa elevada

  • Potencial de valorização: 59% | Recomendação: Compra
  • Premissas: lançamentos R$ 6,7 bi (2026) e R$ 7 bi (2027); custo de capital 14,6%
  • O que mudou: cenário mais difícil para Alea (prejuízos R$ 110 mi em 2025 e R$ 70 mi em 2026); segmento principal com margem robusta (38% no 3T25); maior exposição à Faixa 1 do MCMV
  • Projeções: crescimento de lucros +46% (2025–2027); ROE médio 38%; múltiplo 5,4x P/L (2026)
  • Avaliação: valor patrimonial R$ 5 bi (R$ 41/ação)

Aprofunde: confira a íntegra do relatório do Safra.

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