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Alphabet e IA: Gemini, Cloud e a tese de investimento em plataforma

Com Gemini, infraestrutura própria e expansão do Google Cloud, Alphabet transforma a IA em uma plataforma de software e computação

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Alphabet

Alphabet combina Gemini, chips, data centers e serviços como Busca, Workspace e Google Cloud em sua estratégia de IA | Foto: Getty Images

Um dos principais eixos estratégicos da Alphabet, empresa controladora do Google, é integrar a inteligência artificial aos modelos Gemini e a produtos de grande escala, como Busca, YouTube, Android e Workspace, enquanto amplia a oferta de infraestrutura e serviços de IA por meio do Google Cloud.

Essa combinação cria uma tese de investimento em plataforma. Em vez de depender exclusivamente de um produto de inteligência artificial, a Alphabet utiliza ativos já consolidados para distribuir modelos, capturar dados, vender computação e aumentar a recorrência de seus serviços empresariais.

A estratégia também permite que a companhia participe de diferentes camadas da cadeia de valor da IA, incluindo chips, data centers, modelos fundacionais, software corporativo e aplicações voltadas ao consumidor.

Gemini ganha espaço no ecossistema

O Gemini é o principal elo da estratégia de IA da Alphabet. A família de modelos está presente em serviços de consumo e em ferramentas empresariais, com aplicações que vão de respostas e resumos a programação, análise de documentos, geração de conteúdo e automação de processos.

No segundo trimestre de 2026, a Alphabet informou que os modelos Gemini processavam 22 bilhões de tokens por minuto por meio de suas interfaces de programação. A empresa também afirmou que o aplicativo Gemini alcançou 950 milhões de usuários ativos mensais. Os dados indicam escala relevante, embora a monetização dessa base ainda dependa da evolução de produtos pagos, publicidade e serviços corporativos.

A companhia também vem incorporando recursos de inteligência artificial à Busca. O objetivo é ampliar a utilidade do serviço em consultas mais complexas, sem perder a capacidade de apresentar anúncios e direcionar tráfego para a própria rede de produtos.

Google Cloud é o vetor de monetização

O Google Cloud aparece como uma das principais oportunidades financeiras associadas à IA. A divisão oferece capacidade computacional, armazenamento, ferramentas para desenvolvimento de modelos e serviços de implementação para empresas.

No segundo trimestre de 2026, a receita do Google Cloud cresceu 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pela demanda por infraestrutura e soluções de inteligência artificial. No mesmo período, a receita consolidada da Alphabet avançou 24%. A companhia também informou que quase 90% das empresas integrantes da Fortune 100 utilizavam o Gemini Enterprise.

O desempenho reforça a percepção de que o Cloud pode se tornar mais do que um negócio de infraestrutura. A divisão busca atuar como uma camada completa para a adoção de IA, desde o treinamento e a operação dos modelos até a criação de agentes capazes de executar tarefas em ambientes corporativos.

Em 2025, o Google Cloud encerrou o ano com uma receita anualizada superior a US$ 70 bilhões, segundo o relatório anual da Alphabet. A expansão dos serviços de IA pode elevar o consumo de computação e ampliar a participação de produtos de maior valor agregado dentro da divisão.

Infraestrutura própria reduz dependências

A Alphabet também investe em infraestrutura própria para sustentar a expansão da IA. A companhia desenvolve unidades de processamento específicas, conhecidas como TPUs, além de operar data centers e sistemas de software desenhados para seus próprios modelos.

O controle de diferentes etapas da cadeia pode trazer ganhos de eficiência, velocidade e diferenciação. A integração entre hardware, modelos e serviços permite otimizar o desempenho dos sistemas e reduzir parte da dependência de fornecedores externos.

No Google I/O de 2026, a companhia destacou a combinação entre novos modelos Gemini, TPUs de oitava geração, plataforma de agentes, dados e segurança para empresas. A Alphabet apresentou essa integração como parte da transição para uma chamada empresa orientada por agentes.

A verticalização, entretanto, exige investimentos elevados. A necessidade de ampliar a capacidade computacional pode pressionar o fluxo de caixa e reduzir a margem no curto prazo, especialmente se o crescimento da receita não acompanhar a expansão dos gastos.

Oportunidades para investidores

A tese de Alphabet combina negócios maduros e novas frentes de crescimento. Entre os principais vetores estão:

  1. Monetização da IA na Busca, com maior engajamento e novos formatos de publicidade.
  2. Crescimento do Google Cloud, impulsionado pelo consumo de infraestrutura e software de IA.
  3. Expansão do Gemini Enterprise e de ferramentas de produtividade no Workspace.
  4. Venda de acesso a modelos, APIs e plataformas para desenvolvedores.
  5. Maior utilização de TPUs, data centers e serviços de computação próprios.
  6. Integração entre IA, YouTube, Android, Chrome e outros produtos do ecossistema da Alphabet.

A principal característica dessa tese é a distribuição. A Alphabet já possui relacionamentos com consumidores, empresas, anunciantes, desenvolvedores e fabricantes de dispositivos. Se conseguir incorporar a IA a esses canais sem comprometer a experiência do usuário, a companhia poderá transformar sua base instalada em uma vantagem competitiva.

Riscos da estratégia

O avanço da Alphabet não ocorre sem riscos. A competição envolve empresas como Microsoft, Amazon, Meta e novos participantes especializados em modelos de inteligência artificial e agentes.

Também existe o risco de aumento dos custos de computação, além da possibilidade de os modelos se tornarem mais baratos e menos diferenciados. Nesse cenário, a captura de valor pode migrar dos modelos para as aplicações, os dados ou a infraestrutura.

Outro ponto de atenção é o impacto da IA sobre o negócio de buscas. Caso os usuários passem a obter respostas diretamente na interface do Gemini, a mudança pode alterar a dinâmica de tráfego e publicidade que sustenta parte importante da receita da Alphabet.

Regulação, privacidade, direitos autorais, segurança e confiabilidade dos modelos também podem afetar a velocidade de adoção. O relatório anual da companhia destaca riscos relacionados à concorrência, ao uso de dados, à regulamentação e à evolução acelerada das tecnologias de inteligência artificial.

Dúvidas frequentes

A Alphabet utiliza uma tese de plataforma, integrando a inteligência artificial aos modelos Gemini e a produtos de grande escala como Busca, YouTube, Android e Workspace, enquanto amplia a oferta de infraestrutura e serviços de IA por meio do Google Cloud. Essa abordagem permite que a empresa participe de diferentes camadas da cadeia de valor da IA, desde chips e data centers até modelos fundacionais, software corporativo e aplicações para consumidores.

Gemini é a família de modelos de inteligência artificial que funciona como o principal elo da estratégia de IA da Alphabet. Está presente em serviços de consumo e ferramentas empresariais, com aplicações que vão de respostas e resumos a programação, análise de documentos, geração de conteúdo e automação de processos. No segundo trimestre de 2026, os modelos Gemini processavam 22 bilhões de tokens por minuto, e o aplicativo Gemini alcançou 950 milhões de usuários ativos mensais.

O Google Cloud é um dos principais vetores de monetização da IA, oferecendo capacidade computacional, armazenamento, ferramentas para desenvolvimento de modelos e serviços de implementação para empresas. No segundo trimestre de 2026, a receita do Google Cloud cresceu 82% em relação ao ano anterior, impulsionada pela demanda por infraestrutura e soluções de IA. Em 2025, o Google Cloud encerrou o ano com receita anualizada superior a US$ 70 bilhões.

A Alphabet investe em infraestrutura própria, incluindo TPUs (unidades de processamento específicas), data centers e sistemas de software desenhados para seus próprios modelos. Esse controle vertical traz ganhos de eficiência, velocidade e diferenciação, permitindo otimizar o desempenho dos sistemas e reduzir a dependência de fornecedores externos. No entanto, essa verticalização exige investimentos elevados que podem pressionar o fluxo de caixa no curto prazo.

As principais oportunidades incluem: monetização da IA na Busca com novos formatos de publicidade; crescimento do Google Cloud impulsionado por infraestrutura e software de IA; expansão do Gemini Enterprise e ferramentas de produtividade no Workspace; venda de acesso a modelos, APIs e plataformas para desenvolvedores; maior utilização de TPUs e serviços de computação próprios; e integração entre IA, YouTube, Android, Chrome e outros produtos do ecossistema.

Os riscos incluem competição de empresas como Microsoft, Amazon, Meta e novos participantes especializados em IA; possível aumento dos custos de computação; risco de modelos se tornarem mais baratos e menos diferenciados; impacto potencial da IA sobre o negócio de buscas, caso usuários obtenham respostas diretamente no Gemini; e questões regulatórias relacionadas a privacidade, direitos autorais, segurança e confiabilidade dos modelos.

A Alphabet está incorporando recursos de inteligência artificial à Busca para ampliar a utilidade em consultas mais complexas, mantendo a capacidade de apresentar anúncios. A empresa também integra Gemini ao Workspace para ferramentas de produtividade, expande o Gemini Enterprise para empresas (com quase 90% da Fortune 100 utilizando a solução), e trabalha na integração entre IA, YouTube, Android e Chrome. Essa distribuição através de canais já consolidados transforma a base instalada em vantagem competitiva.

O Google Cloud apresenta potencial significativo de crescimento, impulsionado pela demanda por infraestrutura e soluções de IA. A divisão busca atuar como uma camada completa para adoção de IA, desde treinamento e operação de modelos até criação de agentes para ambientes corporativos. A expansão dos serviços de IA pode elevar o consumo de computação e ampliar a participação de produtos de maior valor agregado, especialmente considerando que quase 90% das empresas da Fortune 100 já utilizam soluções da divisão.

Isabella Zanelli

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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