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Exportações da Alpargatas acendem alerta para o segundo semestre

Pares de Havaianas em linha de produção; dados de exportação indicam que a recuperação internacional da Alpargatas pode avançar em ritmo mais lento no segundo semestre de 2026

3 minutos
navio de contêineres

Dados de exportação indicam que a recuperação internacional da Alpargatas pode avançar em ritmo mais lento no segundo semestre de 2026 | Foto: Getty Images

Os dados de exportação da Alpargatas (ALPA4) monitorados pelo Safra sugerem que o crescimento das vendas internacionais da companhia pode ficar abaixo das expectativas no segundo semestre de 2026. Entre maio e julho, os volumes consolidados exportados somaram cerca de 3,5 milhões de pares, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Embora o resultado represente melhora frente ao recuo de 12% observado entre abril e junho, a leitura ainda é considerada insuficiente para sustentar as projeções atuais do banco. O Safra trabalhava com expectativa de crescimento de 8% ao ano no terceiro trimestre e de 1% no segundo semestre para os volumes internacionais. A performance recente, portanto, indica risco de baixa para as estimativas de receita fora do Brasil.

O ponto central da análise é que a melhora pontual em julho ajudou a compensar parte da fraqueza de junho, mas não eliminou os sinais de cautela. Na avaliação do banco, ainda faltam evidências de uma aceleração consistente, sobretudo nos mercados que têm maior peso na operação internacional da companhia.

Europa avança, mas tem peso limitado

A Europa seguiu como o principal destaque positivo. As exportações para a região alcançaram aproximadamente 483 mil pares entre maio e julho, alta de 39% na comparação anual.

O desempenho confirma uma dinâmica mais saudável no continente, mas sua contribuição para os volumes consolidados ainda é relativamente pequena. Além disso, a demanda tende a ser sazonalmente mais fraca no segundo semestre, o que limita a capacidade da região de compensar a perda de força em outros mercados.

EUA revertem melhora e pressionam leitura internacional

Nos Estados Unidos, os dados foram mais negativos. As exportações somaram cerca de 437 mil pares nos últimos três meses, queda de 33% em relação ao ano anterior. O resultado reverteu a melhora registrada entre abril e junho, quando os volumes haviam crescido 12%.

Para o Safra, a volatilidade dos embarques mensais reduz a visibilidade sobre um ciclo sustentado de recomposição de estoques pelo distribuidor norte-americano. Com isso, diminui também o suporte para uma expansão acima dos cerca de 2 milhões de pares esperados para venda no país em 2026.

IDM segue como maior mercado, mas sem aceleração clara

O mercado de distribuidores internacionais, conhecido como IDM, permaneceu como a maior região em termos absolutos. Entre maio e julho, as exportações somaram aproximadamente 2,6 milhões de pares, alta de apenas 1% na comparação anual.

O avanço foi sustentado por embarques mais fortes em julho, o que trouxe um sinal marginalmente mais construtivo para os volumes consolidados. Ainda assim, o Safra ressalta que a base de comparação do segundo semestre de 2025 é mais exigente, o que torna necessário observar novos dados positivos antes de confirmar uma aceleração sustentável.

Esse ponto é especialmente relevante porque o IDM tem vendas mais distribuídas ao longo do ano, diferentemente de mercados mais sujeitos à sazonalidade. Por isso, uma performance apenas estável nessa região reduz a probabilidade de que a operação internacional entregue crescimento acima do esperado no segundo semestre.

Valuation limita espaço para surpresa positiva

A leitura operacional reforça a recomendação Neutra do Safra para as ações da Alpargatas. Segundo o banco, os dados recentes aumentam o risco de revisões negativas nas projeções de receita internacional, caso a recuperação dos volumes não ganhe força nos próximos meses.

Do ponto de vista de valuation, o papel negocia a 13,1 vezes o lucro estimado para 2026, acima da média de 8,8 vezes das empresas de consumo discricionário acompanhadas pelo Safra. Para o banco, esse múltiplo já incorpora boa parte da tese de investimento, deixando uma relação risco-retorno menos atrativa frente a outras companhias do setor.

Leitura para investidores

A análise indica que o mercado deve acompanhar com atenção os próximos dados de exportação, especialmente em três frentes:

  1. Sustentação da recuperação em julho, para verificar se houve apenas um ajuste pontual ou início de tendência;
  2. Trajetória dos embarques ao IDM, principal região em volume e determinante para o resultado consolidado;
  3. Evolução dos EUA, onde a queda recente enfraquece a tese de recomposição consistente de estoques.

Enquanto esses sinais não se consolidarem, a tese internacional da Alpargatas permanece sujeita a maior escrutínio. A Europa oferece um vetor positivo, mas ainda insuficiente para compensar, sozinha, a fraqueza observada em mercados mais relevantes para o volume total.

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Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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