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Agro brasileiro alia produtividade no campo a oportunidades em infraestrutura

Executivos da 3Tentos e da Scheffer debatem no J. Safra Investment Conference os desafios e as oportunidades para o agronegócio brasileiro

3 minutos
Cenário do agronegócio brasileiro

João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos, e Guilherme Scheffer, acionista da Scheffer, participaram do painel “O cenário do agronegócio brasileiro”, mediado por Anibal Braga, do J. Safra | Foto: Divulgação

O agronegócio brasileiro reúne vantagens competitivas relevantes dentro da porteira, mas ainda enfrenta desafios estruturais que limitam seu potencial fora dela. A avaliação foi compartilhada por João Marcelo Dumoncel, CEO da 3Tentos, e Guilherme Scheffer, acionista da Scheffer, durante o painel “O cenário do agronegócio brasileiro”, no J. Safra Investment Conference.

Com moderação de Anibal Braga, Head de Cobertura de Agribusiness no Investment Banking do J. Safra, o debate abordou o posicionamento do produtor brasileiro, a evolução da infraestrutura, o uso de inteligência artificial no campo, as oportunidades na cadeia de processamento de soja e os fatores necessários para ampliar a atração de investimentos ao país.

Competitividade no campo contrasta com gargalos logísticos e regulatórios

Na avaliação de Dumoncel, o agricultor brasileiro se diferencia pela competitividade conquistada dentro da propriedade rural. “Hoje, a produtividade, o custo de produção e o evento da segunda safra tornam o Brasil um competidor diferenciado no mundo”, afirmou.

Por outro lado, o executivo apontou que questões de logística, ambiente regulatório e segurança jurídica ainda representam entraves importantes à competitidade do setor. “Os desafios da porteira para fora são a logística, a questão regulatória, a segurança jurídica e outras tantas que são fatores depreciativos da produtividade”, disse.

Para Dumoncel, essas limitações também revelam espaço relevante para investimentos. “O Brasil é um mar de oportunidades pensando em infraestrutura e logística voltada ao agronegócio”, afirmou. Um dos exemplos dessa evolução, segundo ele, é o Arco Norte, rota que vem ganhando espaço no escoamento da produção agrícola brasileira.

Gestão de risco e eficiência operacional

Scheffer destacou que uma das principais evoluções do setor nos últimos anos foi o aprimoramento do planejamento estratégico, especialmente na gestão de risco e na definição dos momentos mais adequados para realizar operações de hedge.

“O que mais aprendemos nesses anos foi alinhar melhor os momentos de hedge, aproveitar as curvas de cada momento e fazer o dever de casa bem feito”, afirmou. Para ele, essa disciplina passa pelo foco em produtividade e no custo por unidade produzida.

Segundo Scheffer, o agronegócio atravessa um momento de oportunidades, com margens positivas e espaço para a entrada de capital.

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Inteligência artificial no campo

A tecnologia também esteve no centro da discussão. Scheffer relatou a experiência da companhia em Cuiabá, onde a análise de seivas permitiu a formação de uma base de dados utilizada nos últimos dois anos para calibrar sistemas de inteligência artificial e gerar novos conhecimentos agronômicos.

“Temos 3 mil hectares manejados pela IA. Ela dita o que fazer e o que aplicar para melhorar, com diagnóstico e recomendação”, disse. Segundo ele, a iniciativa já proporcionou aumento de produtividade de 20% nessas áreas.

Soja, biodiesel e proteínas animais

Ao comentar a cadeia de processamento de soja, Dumoncel afirmou que o Brasil avançou, mas ainda tem espaço relevante para ampliar sua capacidade de esmagamento. “Hoje, o Brasil tem 180 milhões de toneladas e processa 60 milhões. Temos espaço para muito mais”, disse.

O avanço do esmagamento amplia a produção de farelo e óleo. Segundo Dumoncel, o farelo atende tanto ao mercado interno quanto às exportações, enquanto o óleo encontra no biodiesel um importante vetor de demanda no Brasil.

“O grande vetor no Brasil é o mercado de biodiesel”, afirmou. Na avaliação do executivo, o aumento da mistura de biodiesel ao diesel representa uma oportunidade de política pública para fomentar o mercado e impulsionar a indústria.

A maior disponibilidade de farelo também pode contribuir para a expansão da produção de proteínas animais. “O Brasil já é imbatível nas proteínas animais e, com essa ascensão dos combustíveis, podemos ter uma indústria ainda mais relevante”, afirmou Dumoncel.

Responsabilidade fiscal e atração de capital

Para Scheffer, o principal risco para o país não está nos setores produtivos, mas na necessidade de maior responsabilidade fiscal. “O grande risco do Brasil não são os setores. O país precisa melhorar a responsabilidade fiscal para trazer capital, confiança e investimento”, disse.

Ele também destacou que o agronegócio brasileiro tende a sair fortalecido dos ciclos mais desafiadores. Segundo o acionista da Scheffer, o setor tem potencial para estar em uma posição ainda melhor no futuro, à medida que os ciclos promovem uma seleção natural entre os agentes do mercado.

O painel reforçou que o agronegócio brasileiro tem capacidade de ampliar sua relevância global, desde que combine ganhos de produtividade e inovação no campo com avanços em infraestrutura, ambiente de negócios e previsibilidade econômica.

J. Safra Investment Conference 2026

Isabella Zanelli

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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